Arte Real

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sábado, 23 de agosto de 2008

Anorexia nervosa


O termo anorexia vem do grego, significando falta de apetite. O termo, na verdade , é errôneo, já que a falta de apetite é rara, pois o indivíduo muitas vezes sentem fome, mas procuram negá-la.
A síndrome foi identificada como entidade clínica em 1868, por Gull e Lasígue, apesar de Ter sido descrita em 1694 por Richard Morton, que relatava um emagrecimento auto-induzido em decorrência de um medo mórbido de ganhar peso.
As características essenciais da anorexia nervosa são: recusa do indivíduo de manter um peso corporal na faixa normal mínima associado à um temor intenso de ganhar peso. Esse distúrbio é caracterizado por distúrbios severos no comportamento alimentar, que merecem análise cuidadosa no que diz respeito aos aspectos e cuidados nutricionais.

A comunidade científica trata a (AN) como sintomas do inconsciente da cultura
contemporânea.
Na realidade, trata-se de uma perturbação significativa na percepção do esquema corporal, ou seja, da auto-percepção da forma e ou do tamanho do corpo.
Parece ter tornado-se do senso comum que tais transtornos são muito mais predominantes nas sociedades industrializadas, nas quais há abundância de comida e onde, especialmente para as mulheres, é considerada atraente a pessoa que é magra. Contraditoriamente, “em algumas culturas, a percepção distorcida do corpo pode não ser proeminente, e a motivação expressa para a restrição alimentar poderia Ter um conteúdo diferente, como o desconforto espigástrico.
A anorexia nervosa tem fatores psicológicos, biológicos e sociais.

Epidemiologia

A taxa de prevalência de indivíduos com Anorexia é de 1% e desses cerca de 90% dos casos de Anorexia Nervosa são em mulheres. Os casos acontecem com mais freqüência em classes sociais mais elevadas. Em 45% dos casos, a Anorexia acontece após uma dieta de emagrecimento. Em 40% acontece por competição, como por exemplo pessoas que sua profissão exige magreza como modelos e bailarinas.
Nas últimas décadas, tem crescido o número de relatos em meninas pré- púberes e em homens. As idades mais comuns de início ocorre na adolescência, mas até 5% dos pacientes com Anorexia Nervosa tem início logo após os 20 anos.

Etiologia

Não se conhecem as causas fundamentais da Anorexia Nervosa. Há autores que evidenciam como causa a interação sociocultural mal adaptada, fatores biológicos, mecanismos psicológicos menos específicos e especial vulnerabilidade de personalidade.
Fatores biológicos: Incluem as alterações hormonais que ocorrem durante a puberdade e as disfunções de neuro- transmissores cerebrais (disfunção cerebral ao nível do hipotálomo, que comandam os estímulos da fome, da sede e amadurecimento sexual) tais como a dopamina, a serotonina, noradrenalina e dos pepitídeos opióides.
Vários trabalhos apontam para uma pré- disposição genética para o desenvolvimento da Anorexia. Estudos demonstram uma taxa se concordância muito maior em gêmeos monozigóticos em comparação com gêmeos dizigóticos (56% contra 5%). Parentes de primeiro graus de pacientes com Anorexia exibe um risco de aproximadamente 8 vezes maior de apresentar a doença do que a população geral.
Fatores psicológicos: Muitas anoréxicas pertencem a famílias rígidas e fechadas sobre elas próprias, e geralmente tem um relacionamento patológico com a mãe.

As anoréxicas são freqüentemente pessoas dependentes mas atuando de uma forma de perfeita independência, extremamente carente de afeto, quase obsessiva tendência para o perfeccionismo intelectual, que as leva quase incurável racionalização.
Há como que uma recusa inconsciente de crescer, tentando conservar as formas de infância. A tentativa de controle do corpo surge assim como uma forma inconsciente de compensação de um sentimento generalizado de incapacidade, de dependência e de dificuldade de autonomia.
Fatores socioculturais: Os aspectos socioculturais dos transtornos alimentares têm sido amplamente estudados e já foram objeto de inúmeros trabalhos médicos, antropológicos, sociológicos e históricos. O interesse pelo tema decorre de observações, encontradas já nas primeiras descrições contemporâneas destes transtornos, de que a extrema valorização da magreza nas sociedades ocidentais desenvolvidas estaria fortemente associada à ocorrência de anorexia nervosa.
Os dados revelam também que anorexia nervosa pareça ser mais prevalente em
países ocidentais e são claramente mais freqüentes entre as mulheres jovens, especialmente aquelas pertencentes aos estratos sociais mais elevados destas sociedades, o que fortalece sua conexão com fatores socioculturais.
A pressão cultural para emagrecer é considerada um elemento fundamental da
etiologia dos transtornos alimentares, que interage com fatores biológicos, psicológicos e familiares para gerar a preocupação excessiva com o corpo e o pavor doentio de engordar, característicos da anorexia nervosa.

A influência dos aspectos socioculturais é marcante.
Os transtornos alimentares, na forma como se apresentam hoje em dia, emergem das pesquisas epidemiológicas como doenças relativamente modernas e predominantemente ocidentais. Segundo DiNicola (1990), a concepção de um modelo de compreensão dos transtornos alimentares que explique os dados sobre sua ocorrência e distribuição deve incluir necessariamente a abordagem do contexto sociocultural onde ocorrem.
Nas sociedades afluentes, ao mesmo tempo em que observamos uma oferta abundante de alimentos de alto teor calórico e de rápido consumo, e a vida cotidiana se torna cada vez mais sedentária, as modelos e atrizes de sucesso, representantes dos padrões ideais de beleza feminina, são extremamente magras e muitas vezes apresentam um corpo de pré- adolescente, com formas pouco definidas.
Assim, as sociedades ocidentais contemporâneas vivem atualmente sob o
ideal da magreza e da boa forma física. Este padrão se impõe especialmente para asa mulheres, nas quais a aparência física representa uma importante medida de valor pessoal. Proliferam novas e miraculosas dietas para emagrecimento.

Apesar na falta de informação com sólida base empírica e das limitações metodológicas de algumas pesquisas sobre transtornos alimentares em países
não europeus ou norte-americanos, a descrição crescente da ocorrência da anorexia nervosa em outras sociedades tem oferecido dados para a argumentação contrária à visão dos transtornos alimentares como síndrome restrita à cultura ocidental.
O processo de aculturação parece também ter alguma influência na
ocorrência dos transtornos alimentares entre imigrantes residindo em países ocidentais de primeiro mundo e nas minorias étnicas destes países.
Segundo autores, a razão para este aumento se deve a melhores métodos de detecção de caso, maior acesso ao sistema de saúde, mudanças nos padrões sócio-econômicos e mais ampla adoção do padrão de magreza.

Quais as teorias psicológicas que tentam explicar o que acontece com alguém com transtorno alimentar?

As teorias psicológicas tentam discutir e compreender como se dá a relação do ser humano com o alimento e a forma corporal, bem como de que forma isso poderia se relacionar com o modo pelo as anoréxicas pensam, sentem e se comportam.
De modo bem simples, poderíamos destacar a visão psicanalítica e a visão cognitivista a respeito dos transtornos alimentares, porque são as formas de psicoterapia maios utilizadas no tratamento individual ou em grupo dessas pacientes.
A visão psicanalítica se formou, a partir dos estudos e teorias de Sigmund Freud, o criador da Psicanálise, no início de século. Entre outras idéias, formulou que a causa da maioria dos problemas e sofrimentos psicológicos são conflitos, em geral entre os desejos do próprio indivíduo e os limites do ambiente e da sociedade. Anoréxicas e bulímicas passam, ao longo da vida, por diversas experiências de conflito e sofrimento psíquico, seja em aceitar a si próprias e às suas necessidades básicas (por exemplo, a de precisar de alimento), seja em relação às expectativas de outras pessoas, as quais buscam atender ( por exemplo, familiares). Contudo, para explicar por que problemas emocionais vão se refletir na alimentação, é preciso recordar outra das teorias de Freud, a respeito do desenvolvimento afetivos e sexual, que se inicia na infância. Ele dividiu em diversas etapas ou fases este desenvolvimento, no qual a criança vai descobrindo, em si mesma, fontes de sentimentos prazerosos e desprazerosos.

A primeira dessas etapas é justamente a chamada fase oral, na qual a criança, a partir do contato com o seio materno, associa a obtenção de alimento com o contato afetivo e o prazer. Obviamente, outros estudiosos modificam e ampliaram essas teorias. AO se entrar em contato com uma paciente anoréxica ou bulímica, percebe-se que o mais importante é que ela descubra qual é o significado (muitas vezes inconsciente e desconhecido para ela) do seu sintoma e como isso pode ser integrado e vivido de forma menos angustiante.
A visão cognitivista se baseia em uma outra teoria, a de que as cognições ou idéias do indivíduo influenciam a sua afetividade. No caso da Anorexia Nervosa e da bulimia nervosa, pessoas com esses tipos de problema teriam originalmente experiências que as fizeram pensar que somente se sentiriam melhor ou mais valorizadas se tivessem determinada aparência, não fossem obesas e para tanto tivessem que praticar dietas e comportamentos purgativos. Ademais, teriam erros de raciocínio ou “distorções cognitivas” que justificariam continuar mantendo esses comportamentos, como, por exemplo, “sou magra e estou bem”, “aquela comida vai me engordar, por isso nunca mais vou comê-la”, sem argumentos lógicos que justifiquem tais idéias.

Diagnósticos e características clínicas

O aparecimento da Anorexia Nervosa ocorre entre os 10 e 30 anos de idade. Os pacientes fora desta faixa etária não representam casos típicos e, portanto, seus diagnósticos devem ser questionados. Após os 13 anos de idade, a freqüência do aparecimento da condição aumenta rapidamente, sendo máxima aos 17 ou 18 anos de idade. Em cerca de 85% de todos os pacientes com Anorexia Nervosa o surgimento da doença dá- se entre os 13 e 20 anos, alguns, antes dos 10 anos, eram “enjoados” para comer ou tinham freqüentes problemas digestivos.
Os critérios de diagnóstico do DSM-IV para Anorexia Nervosa são estes:
Recusas a manter o peso corporal em um nível igual ou acima do mínimo normal adequado a idade e a altura (por exemplo, perda de peso e levando a manutenção do peso corporal abaixo de 85% do esperado; o fracasso é inteiro ganho de peso esperado durante o período de crescimento, levando a um peso corporal menor que 85% do esperado).
Medo intenso de ganhar peso ou de se tornar gordo, mesmo estando com peso abaixo do normal.
Perturbação no modo de vivenciar o peso ou a forma do corpo, influencia indevida do peso ou da forma do corpo sobre a auto- avaliação, ou negação do baixo peso corporal atual.
Nas mulheres pós- menarca, amenorréia, isto é, ausência de pelo menos 3 ciclos menstruais consecutivos. (Considera-se que uma mulher tenha amenorréia se seus períodos ocorrem apenas após a administração de hormônio, por exemplo estrógeno).

Características físicas:

Os pacientes geralmente chegam ao médico quando a perda de peso se torna aparente, o peso cai assustadoramente. Anoréxicas com 42 kg são consideradas de peso bom. Freqüentemente o peso chega a 36, 32, 28 kg ou menos.
A medida que a perda ponderal se aprofunda aparecem sinais físicos como hipotermia (temperatura abaixo de 35 C), edema (inchaço), bradicardia (coração bate mais lentamente), hipotensão (pressão arterial abaixo do normal), lanugo (pelos finos que recobrem a pele do rosto e outras partes do corpo), pele seca, intolerância ao frio, queda de cabelo, olhos fundos, envelhecimento precoce e outras alterações metabólicas.
Algumas pacientes chegam a atenção médica por causa da amenorréia que freqüentemente aparece antes de sua perda de peso ser perceptível.
Outras complicações médicas desse transtorno alimentar serão citadas logo abaixo:

Relacionadas a perda de peso:

Caquexia: Perda de gordura, massa muscular, metabolismo tireoídeo reduzido, dificuldades para manter a temperatura corporal básica.
Cardíaca: Perda do músculo cardíaco, coração pequeno, arritmia cardíaca, parada cardíaca.
Digestivos gastrintestinais: Inchação, constipação (queixas de intestino preso), dor abdominal .
Reprodutivas: Baixos níveis de hormônios luteinizante (LH) e hormônio folículo- estimulante (FSH).
Hematológicas: leucopenia (diminuição do número de leucócitos: diminuição da defesa do organismo a infecções).
Neuropsiquiátricas: Sentido de paladar anormal
Esqueléticas: Osteoporose (Conseqüência do baixo consumo e absorção de cálcio).
Endócrinas: Hipotireoidismo

Relacionadas a purgação (vômitos e uso de laxantes)

Digestivas- gastrintestinais: Inflamação e aumento das glândulas salivares e pancreáticas e aumento da amilase sérica, erosão esofágica e gástrica.
Dentárias: Erosão do esmalte dentário
Neuropsiquiátricas: Convulsões, fadiga e fraqueza.

Características psicológicas:

Surgimento da doença dá-se entre os 13 e 20 anos.
Meninas inteligentes, bonitas, perfeccionistas e espertas.
Existe uma preocupação em comer em público.
Enquanto fazem uma refeição tentam livrar-se do alimento colocando-o no guardanapo ou escondendo-o nos bolsos.
Cortam a carne em pedaços muito pequenos e levam muito tempo mexendo com a comida no prato.
Sentimento de inutilidade
Pensamento inflexível
Isolamento social (até mesmo namoro)
Expressão emocional demasiadamente refreadas
Sua auto- estima está associada ao grau de sua forma e peso corporais
A perda de peso é vista como uma conquista, é um sinal de auto- disciplina
E o ganho de peso é visto como um fracasso
Os indivíduos com estes transtornos até reconhecem que estão magros, mas negam as implicações de seu estado de desnutrição, ou até mesmo a morte.
A indução de vômitos, onde uma simples escova de dentes ou cabo de uma colher se tornam ótimos instrumentos para induzir o vômito (se não vomitarem se sentem sujas).
Abuso de laxantes e diuréticos que conduzem ao mórbido emagrecimento desejado.
Irritabilidade (pouco conversam)
Agressividade
Choro
Adoram cozinhar e servir comida para os outros, mas elas mesmas fazem exercícios físicos exageradamente
Acham que o tratamento é totalmente desnecessário

Transtornos mentais associados:

Transtornos depressivos tais como: humor deprimido, retraimento social, irritabilidade, insônia e interesse diminuído por sexo. Esses pacientes podem ter um quadro clínico e sintomático que satisfaz os critérios para um transtorno depressivo maior. Estes sintomas de perturbação de humor deve portanto ser reavaliados após uma reavaliação completa ou parcial do peso.
A depressão também é muito freqüente entre indivíduos com AN.
Transtornos Obsessivos Compulsivos: Pessoas com TOC sente-se aprisionadas por pensamentos e comportamentos que se repetem e que o próprio indivíduo considera absurdos, desagradáveis e impossíveis de fazer cessar.
Quando os indivíduos com AN apresentam obsessões e compulsões não relacionadas a alimentos, forma corporal ou peso, podem haver um diagnóstico conjunto e concomitante de transtornos obsessivo compulsivo que são relacionados quando não são relacionados com comida.

Esquizofrenia

inclusão deste é interessante para que você, caro estudante, não tenha uma visão restrita e limitada sobre as abordagens existentes para a compreensão da mente humana e as suas patologias. Claro que neste trabalho, como já foi citado na introdução, será enfocada quase que exclusivamente a abordagem da Antipsiquiatria, mas para isto, será apresentada uma breve referência a estas outras abordagens com a finalidade de proporcionar um maior conhecimento sobre como a doença mental pode ser vista hoje. Abordagem médica Nesta abordagem encontra-se a crítica fundamental da antipsiquiatria, portanto há um capítulo à parte para descrevê-la melhor. São partidários desta abordagem os neurologistas e os psiquiatras organicistas. Para eles, as doenças mentais são doenças do cérebro e o comportamento anormal resulta de uma desordem biológica mais ou menos grave segundo a doença específica. Seus métodos de tratamento mais usuais são tratamentos de choque, neurolépticos e cirurgias cerebrais. Abordagem psicanalítica São partidários desta abordagem uma psiquiatria dinâmica e todos os que se consideram freudianos. A definição de doença mental para eles é um estado de perturbação afetiva ligado à história (infantil) do paciente. Logo, o comportamento é um sintoma somático de problemas emocionais. Seu tratamento é realizado a partir de psicoterapia, que permite ao paciente descobrir a origem de suas dificuldades. Abordagem sistêmica Esta é uma das três abordagens da antipsiquiatria que tenta Compreender a doença mental. São partidários certos psiquiatras e psicólogos que estudam a patologia da comunicação humana proveniente da escola de Palo Alto. Para eles, a doença mental é conseqüência de comunicações familiares ou microssociais patogênicas. O paciente reage com sintomas às manipulações de que é objeto. A terapia coletiva é feita de maneira que a família ou o grupo tenha um melhor conhecimento de seu funcionamento e possa modificá-lo. Abordagem sacrificial Esta abordagem também faz parte da antipsiquiatria, mas é centralizada filosoficamente na existência do ser. Essa visão aparece a partir do capítulo três por estar ligada à antipsiquiatria. Seus partidários são psiquiatras e psicólogos (como Ronald Laing, Szasz etc.) que dizem que o rótulo de doença mental tem por função estigmatizar e punir o comportamento dos membros da sociedade que se desviam da norma. O paciente passa a reagir com uma estratégia oblíqua à sua vitimização e à sua exclusão. Seu tratamento seria o de não rotular o paciente. Tratá-lo como um indivíduo com direitos e deveres e respeitar suas vontades. Abordagem política A abordagem política para se entender a doença mental também se encontra a partir do capítulo três. São partidários desta abordagem psiquiatras e sociólogos como Cooper, Basaglia, Jervis, Hollingshead, Redlich etc. Para eles a doença mental é uma doença social ligada à opressão e à exploração do paciente. Seus sintomas se dão através da reação de revolta ante uma situação considerada insuportável pelo paciente. O tratamento seria o de lutar por uma sociedade mais justa. Como irão perceber futuramente, essas três últimas abordagens (sistêmica, sacrificial e política) apesar de serem quase distintas, estão interligadas, pois compõem a visão geral da antipsiquiatria. A PSIQUIATRIA - abordagem médica da doença mental A Psiquiatria, especialidade da medicina, surgiu no início do século XIX através de estudos das doenças mentais; procurando-se as causas neurológicas das mesmas através dos estudos neuroanatofisiológicos. Isto se deu justamente na época em que a medicina começara a entrar no sistema filosófico denominado positivismo, que tem por tendência encarar a vida só pelo seu lado prático e útil. A principal finalidade da Psiquiatria foi - e continua sendo - a de classificar as doenças mentais elaborando assim conceitos, procedimentos e técnicas com finalidades terapêuticas, até então inexistentes naquela época. A base da ideologia da Psiquiatria, isto é, a sua abordagem frente à doença mental se dá como a maioria dos psiquiatras organicistas pensam. Para eles, segundo Wernicke: “toda doença mental é uma doença do cérebro”. Sendo assim, sob um ponto de vista hipotético, acreditam que as doenças mentais são, de alguma forma, resultantes de afecções somáticas sistêmicas ou cerebrais; ou, em outras palavras, todas as doenças mentais para eles provêm simplesmente e de alguma forma, do organismo. Para entendermos melhor de onde iniciou-se essa ideologia organicista, temos que dar uma breve olhada na história da Psiquiatria, dar uma olhada em suas origens: A conjunção das informações de Bayle e de Founier é um marco na história da psiquiatria. Os psiquiatras puderam, então, imaginar que, em havendo uma origem específica para a paralisia geral progressiva haveria também para outras patologias. Estava assim lançada a primeira condição para o desenvolvimento da psiquiatria clínica, com a possibilidade da delimitação das enfermidades psíquicas, que passam a ser concebidas como unidades independentes. Portanto, a visão organicista da doença mental surgiu desde que Bayler, juntamente com Fournier em 1979, classificou a primeira doença mental: a paralisia geral progressiva, resultante da doença orgânica sífilis (doença venérea marcada pela vergonha e por muito tempo considerada incurável). Partindo-se daí deduziu-se que todas as doenças mentais haveriam de ter sua causa orgânica (como o que aconteceu com a paralisia geral progressiva). A partir disso surgiram vários estudos neuroanatofisiológicos das doenças mentais e, a fim de ordenar o caos existente na atividade psiquiátrica até então, entre 1856 e 1926, o alemão E.Kraepelin desenvolveu o conceito de unidade nosológica, isto é, um critério de classificação das patologias mentais que tivessem causas comuns, sintomas semelhantes, processo de desenvolvimento igual aos demais e achados anatomopatológicos concordantes. Após esta sistematização nosológica de Kraepelin, diversos autores contribuíram para a classificação das doenças mentais, mostrando assim não só o lado bom do desenvolvimento da Psiquiatria, como também seu lado obscuro e pouco percebido por muitos. Alguns desses autores, numa obsessão classificatória e pessoal, multiplicavam o número de tipos e subtipos das patologias já conhecidas. Segundo a Revista da Folha de São Paulo, hoje em dia, no Diagnostic And Statistical Manual of Mental Disorders existem mais de 300 distúrbios mentais registrados e, além disso, psiquiatras norte-americanos estão discutindo a inclusão de mais de 50 novos tipos neste manual. Um dos maiores críticos do manual de psiquiatria da atualidade é o sociólogo Stuart Kirk, professor da Universidade da Califórnia. Ele diz que muitos destes distúrbios são comportamentos que sempre existiram na sociedade e que seriam considerados normais não fosse o interesse de alguns psiquiatras e da indústria farmacêutica em medicalizar o maior número possível de atitudes que fogem ligeiramente do padrão. É interessante ressaltar que a visão organicista na Psiquiatria sobre a doença mental não é, segundo Christian Delacampagne em seu ensaio Figures de l'oppression uma ideologia qualquer, nem um pólo - entre outros - da pesquisa psicopatológica: ela é o pólo fundamental e a ideologia de base, aquela a que a Psiquiatria sempre recorre. Além disso, ela ainda mantém a ficção de que um dia será conhecida toda a química das psicoses. Com base nisto, Manuel de Diéquez ressalta exatamente aquilo que a razão européia e a Psiquiatria nela fundamentada têm absoluta necessidade: que a verdadeira fonte da doença mental seja de ordem psicoquímica. Apesar de o assunto ser Psiquiatria, apresenta-se uma das citações que Thomas Szasz, um dos maiores críticos da visão psicoquímica da doença mental, colocou com sua forma sempre irônica de escrever: Quem acredita ser Jesus, ou quem acredita ter descoberto um remédio contra o câncer (sem ser esse o caso), ou quem se acredita perseguido pelos comunistas (sem ser esse o caso), terá suas convicções, provavelmente, interpretadas como sintomas de esquizofrenia. Mas, quem acreditar serem os judeus o povo eleito, ou ser Jesus o filho de Deus, ou ser o comunismo a única forma de governo científica e moralmente justa, terá suas convicções interpretadas como o produto daquilo que é: judeu, cristão, comunista. É por isso que acredito que só descobriremos as causas químicas da esquizofrenia quando descobrirmos as causas químicas do judaísmo, do cristianismo e do comunismo. Nem antes e nem depois. Mas enfim, sendo alimentados pelos resultados ora frágeis da neurologia, o organicismo continua a se voltar hoje para as promessas - ainda mais abstratas - da bioquímica e da genética molecular, com a finalidade de poder, através delas e algum dia, compreender melhor as origens e os processos das doenças mentais. Sendo assim, o psiquiatra continua ainda a ser um médico como os outros mostrando que a doença mental é uma doença como as outras, isto é, uma doença de base orgânica. A ANTIPSIQUIATRIA – INDAGAÇÃO E REVOLUÇÃO Antes de mais nada, é bom verificarmos o que vem a ser e como surgiu o termo Antipsiquiatria. A princípio, poderíamos começar pelo prefixo anti, que significa alguma coisa que se contrapõe a outra, de oposição a algo; logo, antipsiquiatria, grosso modo, seria algo que se contrapõe à Psiquiatria. O termo antipsiquiatria foi utilizado pela primeira vez pelo psiquiatra sul-africano David Cooper em seu livro “Psiquiatria e Antipsiquiatria”, que com alguns estudos de alguns especialistas e juntamente com o psiquiatra inglês Ronald Laing, passou a discordar dos métodos de estudo e das ações da psiquiatria e da psicologia tradicionais, questionando as premissas científicas e filosóficas de onde partem quase todas as teorias psicológicas difundidas, propondo assim novos pontos de partida. Num dos livros pesquisados, há uma fábula, a dos cegos e do elefante que dará uma base simples para se compreender melhor o questionamento da antipsiquiatria sobre a psiquiatria e também sobre a própria psicologia. Eram cinco cegos que não conheciam um elefante, não tinham a mínima idéia de como seria e muito menos se esse era um animal. Sendo apresentados a ele, com a finalidade de conhecê-lo, o primeiro cego apalpou suas patas e concluiu: o elefante se assemelha a grossas colunas. O segundo pegou em sua tromba e por ser maleável e comprida pensou ser ele muito parecido com uma cobra. O terceiro cego, pegando a cauda, imaginou o elefante sendo algo parecido com um chicote. O quarto, tateando suas presas, teve a imagem dele como um bastão maciço. O ultimo cego, apalpando as orelhas, disse que o elefante era uma espécie de leque maleável. Como podem ver, o nosso conhecimento sobre as coisas depende muito da forma como as pegamos, isto é, do nosso ângulo de visão e dos instrumentos que temos à mão para estudá-los. Os cegos só tinham o tato para conhecer o animal e cada um se utilizou desta forma para conhecer a realidade. Além de ser uma maneira restrita de apreensão, usaram-na de forma parcelada, não percorrendo todo o elefante. A loucura, ou de uma forma mais genérica, a mente humana é parecida com o nosso elefante. A crítica fundamental de Laing e Cooper coloca os psiquiatras e psicólogos tradicionais na posição dos cegos, situados sobre uma maneira restrita de entender o comportamento humano, tateando o seu objeto e traçando teorias e métodos de ação sem perceber que estão abrangendo apenas uma parte do fenômeno. Portanto, o tipo de raciocínio filosófico e científico tradicionalmente usado pela psicologia fornece apenas uma visão fragmentada do que seja a mente humana e seus desvios. Como se pode ver, a questão principal da antipsiquiatria reside na crítica a uma determinada forma de se fazer ciência. Uma forma estreita de transformar a loucura - uma maneira existencial de ser - numa doença. Para a psiquiatria tradicional, estar louco e estar gripado são a mesma coisa, isto é, ambas são doenças que se contrai, uma por vírus e a outra por causas mais ou menos misteriosas. Mas ambas precisam de um tratamento, uma atuação sobre o corpo ou sobre a mente a fim de fazê-los retornar à normalidade. A antipsiquiatria tentou alterar este ponto de visão: a loucura não é uma doença da mesma forma como entendemos as doenças físicas. Ela apenas parece uma doença se olhada a partir de um esquema médico-nosológico, mas, se olhada de outro ângulo ela será vista muito mais como um jeito diferente de ser, um jeito não usual de estar no mundo. Vamos supor agora que o cego que apalpou o elefante pela orelha resolveu arrumar uma caixa, um alojamento para ele. Provavelmente ele arrumaria qualquer caixa do tamanho da orelha e pensaria ser ela o lugar mais adequado para o elefante morar. Fazendo uma analogia, para quem vê a loucura como uma doença também precisa arrumar um tratamento para ela sob o seu ponto de vista, pensando ser este o modo mais adequado para ela. Nisso se pergunta, qual é o tipo de tratamento então utilizado pela psiquiatria? Eletrochoques, psicoterapias, drogas e internamentos - tudo com o objetivo de curar a anomalia e de fazer o indivíduo voltar à normalidade. Se o cego fosse obrigado a fazer o elefante entrar na caixa, provavelmente ele não se daria conta do erro que estaria fazendo. O mesmo ocorre com a psiquiatria em estar colocando o louco dentro do seu método de tratamento, isto é, forçando-o mesmo que para isso tenha que usar da violência, esquartejando as partes de um indivíduo que deve ser visto como um todo. Estatisticamente, o número de curas realizadas pela psiquiatria é insignificante e mesmo assim se pergunta o porquê de, mesmo sendo insignificantes, a instituição psiquiátrica ocupar um lugar hoje firme e robusto. Para chegar nessa resposta temos que entrar num pensamento filosófico mais geral e que norteia toda a crítica da antipsiquiatria: a consideração da política e da economia que regem o mundo humano. Por isso que, mesmo os métodos de tratamento psiquiátrico sendo tão ineficazes em termos de cura, continuam a ser largamente usados. A instituição psiquiátrica dentro deste contexto atende os objetivos políticos e econômicos bastante claros, isto é, ela atua como uma espécie de polícia que pune e encarcera os indivíduos considerados improdutivos pelo sistema capitalista-industrialista de nossas sociedades. Tendo esta visão política - da forma mais genérica possível - de mundo, o elefante não deve ser estudado apenas por uma de suas partes, mas sim como um todo e, principalmente, deve-se estudar as relações que ele mantém com o seu ambiente natural. Portanto, de nada vale fazer como a psicologia e a psiquiatria tradicional em estar isolando o seu objeto de estudo, a mente humana, como sendo uma coisa em si mesma, deixando de lado todo o envolvimento sócio-político-econômico que o homem - dono desta mente - mantém com o mundo. Para se conhecer realmente a mente humana, ela deve ser estudada dentro do complexo jogo de relações que mantém com outros indivíduos, em seus contextos sociais específicos. Afinal, nosso psiquismo é produto das relações que mantemos com nosso meio sociocultural e nada mais plausível do que estudá-la sobre esse enfoque. Partindo deste pensamento, a antipsiquiatria começou então a estudar as relações do indivíduo com esse meio sociocultural, sendo este um dos seus principais e mais importantes estudos.

fobia


Fobia: um dos transtornos de ansiedade mais apresentados pelo ser humano.
O medo é um sentimento inerente ao ser humano, pode ser definido como uma sensação de que algo ruim pode acontecer seguido de sintomas físicos que incomodam, ou como um sentimento vivenciado diante do perigo. Quando esse medo é excessivo e irracional em relação à ameaça, apresentando fortes sinais de perigo e acompanhado de comportamento de evitação quanto às situações causadoras do medo, é chamado de fobia, crise de pânico provocada em situações específicas. A fobia é um dos transtornos de ansiedade mais apresentados pelo ser humano e um dos distúrbios psicológicos mais estudados. Fobia origina-se do grego phobia, que significa medo intenso, ou irracional, aversão, hostilidade. Os três tipos básicos de fobias são: a agorafobia, a fobia social, as fobias específicas. Os sintomas são: transpiração excessiva, taquicardia, náusea, vertigem, calafrios, dor no peito, sensação de falta de ar e formigamento.
Muitos neurocientistas explicam que a causa da fobia pode estar relacionada com fatores biológicos, como um aumento do fluxo sanguíneo e maior metabolismo no lado direito do cérebro em pessoas fóbicas.
Por Patrícia Lopes

resitor.eletrodinamica


Introdução à Eletrodinamica

Eletrodinâmica é a parte da física que estuda a energia elétrica em movimento.Como sabemos, a energia elétrica é muito importante para o mundo de hoje. Sem ela, você não poderia estar visualizando esta página na internet, nem acender lâmpadas ou televisores.
Para começar a estudar essa matéria, é necessário saber algumas coisas estudadas em química. Os átomos são formados por prótons, nêutrons e elétrons.
Os elétrons podem estar "presos" ao núcleo, ou seja, não estão livres e não podem se mover livremente. Os elétrons livres é que farão o transporte da energia elétrica (corrente elétrica). Por isso dividimos as substâncias químicas em condutores e não condutores.Condutores de eletricidadePara que um material seja condutor de eletricidade, é preciso que ele tenha elétrons livres para que a energia seja transportada dentro da substância. Exemplos de condutores são os metais (cobre, ouro), etc. Quando os elétrons viajam entre os átomos de uma substância, eles "esbarram" em outros elétrons e no próprio núcleo, fazendo com que os átomos se agitem mais, causando um aumento de temperatura do material. É por isso que qualquer material que transporte eletricidade, irá esquentar. Essa é uma propriedade chamada resistência elétrica.
Existem também os materiais chamados de Supercondutores, que são substâncias que oferecem pouquíssima resistência à passagem de elétrons. Exemplos deles são materiais cerâmicos, que em temperatura normal, se comportam como isolantes, mas se a temperatura for abaixo de 196º negativos, se tornam condutores.
Isolantes (não condutores)São os materiais que não possuem elétrons livres, e portanto não conseguem transportar energia elétrica. Exemplos de isolantes são a borracha, plásticos, porcelana, água pura (a água de torneira e a água mineral conduzem eletricidade, mas por causa das impurezas (outros minérios) contidas no líquido).
Carga elementarCada elétron possui uma carga (e), cuja unidade é o Coulomb (C), e vale 1,6 . 10-19C.
Carga quantizadaÉ a quantidade de carga elétrica em um determinado número de elétrons. A equação é bastante simples:Q = n . eonde n é o número de elétrons e e é carga elementar (1,6 . 10-19).