Arte Real

Arte Real

domingo, 20 de julho de 2008

A Pré-História

Nos tempos primitivos não havia documentos escritos sobre a vida nem sobre o homem.
Esse período é chamado de pré-história e o que se conhece a seu respeito baseia-se nos objetos que restam dessa época.
A Pré-história divide-se em Idade da Pedra, do Bronze e do Ferro. A Idade da Pedra foi dividida em dois períodos: Paleolítico ou Idade da Pedra Lascada e Neolítico ou Idade da Pedra Polida.
O período que iremos estudar é o Paleolítico, a etapa mais antiga da Pré-história, ou seja, a mais antiga da evolução do homem, essa época começou há cerca de dois milhões de anos e terminou há cerca de dez mil anos. Nessa época ocorreu uma importante evolução física no homem, surgiram os primeiros homens modernos, isto é, da espécie Homo sapiens, acompanhada de evolução cultural, que dura até os nossos dias.
O período Paleolítico ou Pedra Lascada se dividiu em três etapas: Inferior, Médio e Superior. Seu desenvolvimento está ligado às quatro fases da Era Glacial (períodos muito frios), separadas por intervalo de clima temperado, parecido com o atual, conhecido como era interglacial.
O período da Pedra Lascada ou Paleolítico dividiu-se em três fases: inferior, médio e superior.

1- O que foi o Paleolítico e como viviam os homens nesse período (principais características).

Paleolítico é o primeiro e o mais extenso período que conhecemos da história da humanidade.
Neste período surgem os primeiros hominídeos antepassados do homem moderno.
Os homens paleolíticos foram se diferenciando sempre mais dos seus antepassados.
Com o desenvolvimento da mente e a acumulação de experiências e conhecimentos, os homens primitivos foram aperfeiçoando seus instrumentos, utensílios domésticos e armas, suas técnicas e meios de subsistência. Desenvolveram também sua vida em sociedade, suas atitudes e hábitos sociais, como a vida familiar, a vida em grupos, a participação coletiva, neste período introduziram cerimônias religiosas, aperfeiçoaram a arte, o artesanato, passaram a construir casas e abrigos, a fazer agasalhos, descobriram o fogo e inventaram os meios de comunicação e transporte.Neste período surgem os primeiros hominídeos antepassados do homem moderno.

Vejamos as suas principais características:

a) Alimentação

Os homens paleolíticos ainda não produziam seus alimentos, não plantavam e nem criavam animais. Eles retiravam os alimentos da natureza. Coletavam frutos, grãos e raízes, pescavam e caçavam animais.
Os homens paleolíticos se alimentavam da caça, da pesca e da coleta de frutas e raízes silvestres.

b) Os instrumentos ou ferramentas

Os instrumentos ou ferramentas do paleolítico eram de pedra, madeira ou osso. A técnica usada para fabricar esses instrumentos era de bater na pedra de maneira a lhe dar a forma adequada para cortar, raspar ou furar.

Os principais instrumentos foram os machados de mão, pontas de flecha, pequenas lanças, arpões, anzóis e mais tarde agulhas de osso, arcos e flechas.
Os homens paleolíticos fabricavam seus instrumentos de pedras, ossos e madeira e faziam uma grande variedade de instrumentos como lanças, lâminas, ponta de flechas, martelos, etc.

Habitação

Os homens do Paleolítico viviam de uma maneira muito primitiva, em grupos nômades, ou seja, se deslocavam constantemente de região para região em busca de alimentos. Habitavam cavernas, copas de árvores, saliências rochosas ou tendas feitas de galhos e cobertas de folhas ou de pele de animais.
Os homens do paleolítico utilizavam diversos tipos de moradia como cavernas, tendas feitas de pele de animais e cabanas feitas de galhos e folhas de árvores.

c) Religião

O homem divinizava as forças da natureza, acreditavam na vida após a morte, enterravam seus mortos debaixo de grandes lajes de pedra suspensas, de nome sambaqui, com suas roupas, armas, enfeites e oferendas. Também adoravam deusas que representavam a fecundidade, pois uma das principais preocupações do homem primitivo era a conservação da espécie humana.

d) Vestuário

As roupas eram feitas de pele de animais, as mulheres faziam as vestimentas que eram coloridas e tinham vários enfeites.

Elas limpavam e curtiam essas peles até deixá-las bem macias. Usavam agulha de osso e fios de costura eram tendões, tripas secas ou tirinhas de couro. Também faziam jóias e adornos feitos de âmbar, marfim e conchas.

f) Organização Social

No início do paleolítico a organização social se baseava em pequenos grupos humanos, e unidos por laços familiares. Com o passar do tempo a vida em grupo evoluiu e começaram a se organizar socialmente. Havia uma divisão simples do trabalho de acordo com idade e o sexo. Onde as mulheres cuidavam das crianças e juntamente com elas eram responsáveis pela coletas de frutos e raízes, os homens caçavam, pescavam e defendiam o território, sempre realizavam as tarefas em grupo.

Neste período acreditam os estudiosos que existia algum tipo de hierarquia que distribuía o trabalho. Tudo que caçavam, pescavam ou coletavam eram divididos entre eles.
Viviam sempre em grupos, havia uma divisão simples do trabalho, e o que caçavam e coletavam eram divididos entre todos.

g) Desenvolvimento da Linguagem

O progresso cultural do homem é expresso pela comunicação e pela vida em sociedade. A linguagem era necessária para a convivência em grupo. A linguagem do homem paleolítico se baseava no início em gestos, sinais e desenhos e mais tarde se baseava também na voz.

O que são pinturas rupestres?

Pinturas rupestres são pinturas e desenhos registrados no interior de cavernas, abrigos rochosos e, mesmo ao ar livre. São artes do período paleolítico, também chamado de arte parietal e existe no mundo todo, apesar de ser mais abundante na Europa.
No Brasil, há vestígios de arte rupestre em Florianópolis, Santa Catarina, Bahia e Piauí.
As pinturas geralmente representavam figuras de animais como cavalos, mamutes e bisontes e figuras humanas onde representavam à caça, danças, rituais ou guerreiros.
As pinturas eram executadas a dedo, com o buril, com um pincel de pelo ou pena, ou ainda com almofadas feitas de musgo ou folhas. Eram utilizados materiais corantes minerais nas cores ocre-amarelo, ocre-vermelho e negro. Sempre utilizavam pigmentos de cores naturais.

Tentavam obter terceira dimensão, aproveitando os acidentes naturais do teto e da parede das cavernas e também aplicando linhas de sombreado e braços de diferentes grossuras.

Alem das pinturas rupestres a arte paleolítica também fazia esculturas em marfim, osso, pedra e argila. Essas esculturas representavam as “Vênus” primitivas, eram figuras femininas e também animais.

Como ocorreu a descoberta do fogo?

Uma descoberta muito importante do período paleolítico foi o fogo. Onde o homem primitivo inicialmente observou esse fogo surgindo espontaneamente, aos poucos perderam o medo e começaram primeiramente utilizá-lo de vez em quando e de maneira desorganizada, como fonte de iluminação e aquecimento. Para isto foi necessário descobrir como mantê-lo aceso, isto também resultou provavelmente da observação de que brasas resultantes da queima natural de madeira podiam ser realizadas pela ação do vento, ou pelo sopro, fazendo a chama reaparecer.


A etapa seguinte era fazer produzir o fogo, talvez novamente pela observação eles notaram que o fogo aumentava pelo aquecimento de galhos ou folhas secas, isto indicou que a chama poderia ser iniciada com temperaturas elevadas. Desta forma, descobriram que o atrito entre dois pedaços de madeira seca aumentava a temperatura e produzia a chama, que podia ser ativada pelo sopro.

O homem primitivo através da observação também encontrou outra maneira de produzir fogo. Observaram que o choque produzido entre duas pedras produzia faíscas e que se colocassem folhas e galhos secos próximos dessas faíscas conseguiam fogo.

Depois que o homem descobriu sua utilidade e como acendê-lo, passou a assar a carne e a cozinhar vegetais, junto ao fogo se reuniam, descansavam e se protegiam do frio e dos ataques de animais ferozes.

O grande avanço do homem paleolítico foi a descoberta do fogo, ele através de observação conseguiu utilizá-lo e também produzí-lo, o processo era simples, batiam uma pedra na outra para sair a faíscas ou esfregando duas madeiras uma na outra para gerar o calor.

Qual a importância das pinturas rupestres e da descoberta do fogo
para o homem?


Foi através das pinturas rupestres que os arqueólogos (pessoas que estudam coisas antigas, especialmente do período pré-histórico, quando o homem ainda não conhecia a escrita), puderam estudar vários aspectos dos seres humanos dessa época como viviam, o que faziam, do que se alimentavam, e principalmente a localização das regiões onde habitavam.

A arte rupestre segundo hipóteses levantadas pelos arqueólogos era uma das maneiras que eles usavam para se comunicar uns com os outros.
A descoberta do fogo foi um importante passo a evolução do homem, pois ele conseguiu desenvolvê-lo, controlá-lo e fazer uso em diversas coisas.
A descoberta do fogo para o ser humano passou por várias transformações no seu modo de vida, o ser humano cada vez mais passou a ter controle da natureza.

Pinturas rupestres: Os grupos humanos do período paleolítico procuraram registrar seu modo de vida, seus costumes. Assim, os homens mais antigos, que viviam em cavernas, desenharam e pintaram em suas paredes cenas da sua vida que atravessaram milhares de anos e chegar aos nossos dias.
A descoberta do processo de fazer fogo foi um passo importante na evolução da humanidade.

E a Pré-história no Brasil, aconteceu? Como podemos pesquisar?

Todos nós aprendemos que a história do Brasil começa com a chegada das caravelas de Pedro Álvares Cabral a Porto Seguro no dia 22 de Abril de 1500. Porém, aqui já existiam habitantes, e em grande quantidade espalhadas por várias regiões.
Podemos afirmar através de conhecimentos e descobertas que existiu a pré-história no Brasil, essa afirmação se deve às novas descobertas feitas nas últimas décadas em nosso território.

Os primeiros habitantes do Brasil não deixaram nada escrito. Mas deixaram muitos vestígios arqueológicos como cavernas com pinturas rupestres, fósseis de bichos pré-históricos, objetos como ponta de flechas, machados, sepulturas, etc. As marcas da pré-história brasileira estão presentes em todos os cantos do país. E o nome do conjunto desses vestígios encontrados em determinada região recebe o nome de sítio arqueológico e o mais conhecido em nosso país é o da Serra da Capivara no estado do Piauí.

Importantes descobertas feitas em São Raimundo Nonato, estado do Piauí, estão ajudando os estudiosos a reconstruir a história dos primeiros habitantes do Brasil. Eles também deixaram suas marcas nas cavernas em que viviam fazendo desenhos e pinturas. Além das pinturas foram encontrados também utensílios de pedra, ossos e restos de fogueiras.

Breve comentário a respeito das pesquisas na Serra da Capivara em
São Raimundo Nonato – Piauí.

O Parque nacional da Serra da Capivara foi criado em 1975 e tombado em 1991 pela UNESCO, dos 400 sítios arqueológicos do parque, pelo menos dez já foram encontrados vestígios de presença humana que podem alcançar mais de 40.000 anos.
Mas os vestígios mais antigos da presença humana na América foram encontrados em 1969 em São Raimundo Nonato, precisamente na toca do Boqueirão da Pedra Furada. São restos de fogueiras e instrumentos de pedra lascada, vários esqueletos humanos, uma enorme quantidade de ossos de animais hoje extintos como tigres dentes-de-sabre, mastodontes, etc. e pinturas rupestres.

A partir dessas descobertas, várias expedições foram feitas à área coordenada pela arqueóloga Neide Guidom. Em 300 sítios arqueológicos já conseguiram identificar um total de cerca de 9000 figuras em 200 abrigos.

As pinturas encontradas nas conversas de São Raimundo Nonato provocaram muitas discussões entre os arqueólogos, mas as pesquisas continuam e novos achados, novas pistas contribuirão para nos aproximar mais da verdade sobre o início da ocupação das Américas pelos seres humanos.

O Piauí abriga diversos sítios arqueológicos importantes, dentre os quais se destaca o Parque Nacional da Serra da Capivara, onde estão os achados arqueológicos do homem mais antigo das Américas.

Foram localizadas na região urnas funerárias, fósseis humanos, de mastodontes, lhamas, tigres dentes-de-sabre e preguiças-tatus gigantes. Suas pinturas rupestres, que representam rituais sexuais e de caça dos animais de então, foram declaradas patrimônio da humanidade pela UNESCO. Além da importância histórica e cultural, a Serra da Capivara, localizada a 534 km de Teresina, no sudeste do Piauí, possui paisagens

Acredito que neste período a comunicação era feita através de gestos e de pinturas nas paredes das cavernas, as chamadas pinturas rupestres, nessas pinturas eles nos transmitiam muitas informações como, por exemplo, que eles viviam da caça e andavam sempre em grupo e também eram nômades.

Foi neste período também que o homem descobriu o fogo e aprendeu a lidar com ele. Isso demonstra que o ser humano é o único ser capaz de refletir e essa capacidade nos permite planejar tudo o que queremos até mesmo ir à busca do desconhecido.

Nós seres humanos temos a capacidade de descobrir coisas muito interessantes e isto só ocorre graças aos nossos antepassados. Porque aprendemos com eles e futuramente iremos passar para os nossos filhos e assim a história continua.

A importância de estudar esse período da pré-história e descobrir que em nosso país também existiu esse período é grande. Antes só sabíamos a história do Brasil a partir da chagada de Pedro Álvares Cabral em 22 de abril de 1500.

Maria Stuart

Maria Stuart foi uma das mais famosas rainhas do século XVI, e que teve contra si o ódio e a maldade de soberanos Ímpios. Foi Linlithgow, cidade da Escócia, que serviu de berço a encantadora criancinha de nome Maria.

Os soberanos Jayme V. da Escócia e Maria de Loraine de Guise foram os pais de Maria Stuart.
Com a morte do rei escocês e com a decisão do parlamento anulando uma futura aliança entre Maria Stuart e o príncipe Eduardo de Gales, veio uma guerra entre a Inglaterra e a Escócia.

Mandada a bordo de um vaso de guerra da esquadra de Villegaignon, a nobre e jovem escocesa chegou às terras da Gállia a 13 de agosto de 1548, onde desembarcou no porto de Roscoff. Educada na corte francesa de Henrique III, e desejada para futura esposa do príncipe Francisco, teve uma bela instrução, tendo como mestre Buchnan, Ronsard, Loraine e outros.

Os nobres franceses tinham por ela verdadeira afeição, pois o seu cabelo louro e ondulado, os olhos de um cinzento claro, a sua esbelta estatura e seu andar elegante extasiava qualquer cavalheiro.

No dia 24 de abril de 1558, realizou-se na catedral de "Notre Dame" o casamento do príncipe Francisco com Maria Stuart, fazendo com que assim a aliança entre a França e a Escócia fosse sempre assegurada.

Morrendo Henrique III, subiu ao trono da França o herdeiro Francisco, esposo de Maria Stuart. Em conseqüência de enfermidades, Francisco II morreu deixando sua jovem esposa viúva, que imediatamente resolveu rever sua pátria natal.

Maria Stuart deixou o solo francês, em 14 de agosto de 1561. E quando já ao longe, Maria Stuart viu desaparecendo os contornos do litoral francês, disse com lágrimas nos olhos a seguinte frase de gratidão: "Adeus França, adeus, França, penso que nunca mais vos hei de ver".

Chegando à Escócia, desejosa por acalmar as revoluções religiosas, Maria Stuart nomeou para primeiro ministro, seu irmão natural Jayme Stuart com o titulo de conde de Murray, e logo depois se casou com Danrley, filho do Duque de Lennox.

Depois de trair sua própria esposa e rainha, Danrley morreu vítima de uma explosão. Maria Stuart então desposou Bothwell, um mercenário que chefiava a guarda imperial.

Batendo-se de frente com o revolucionário Murray, Bothwell perdeu a batalha. Temendo cair prisioneira dos revoltosos, Maria Stuart pediu abrigo à sua prima Isabel rainha da Inglaterra.

Depois de encarcerada injustamente no castelo de Chartley, Maria Stuart teve de comparecer a um julgamento em Fotheringhay arranjado por Walsinghan secretario de Isabel.

Apesar dos veementes apelos e protestos da França e Espanha, a sentença para a morte de Maria Stuart foi assinada.

E, na manhã de 8 de fevereiro de 1587, Maria Stuart, apoiada ao braço de seu médico francês, Bourgoing, subiu ao patíbulo, onde o gume do machado manejado pela mão férrea de um carrasco desceu sobre o seu pescoço, pondo fim à sua existência.

Cleópatra


A rainha da sedução que conquistou o coração de Alexandre, o Grande.

Cleópatra, a rainha egípcia da beleza, sensualidade que dominava a arte da conquista. Dotada de tais atributos fazia com que os homens se redessem aos seus encantos. Cleópatra e sua família eram de origem grega, a última rainha da dinastia de Ptolomeu, o general fiel de Alexandre, o Grande, que havia conquistado muitas terras, entre elas, o Egito. Com a morte de Alexandre, em 323 a.C., Ptolomeu herdou o reino egípcio, fundando a dinastia de governantes estrangeiros. Após a morte de seu pai, Ptolomeu XII, Cleópatra se casou aos 17 anos com seu irmão Ptolomeu XIII. Nessa época, o casamento entre irmãos no Egito era bastante comum. Dessa forma, assumiu o posto de rainha com os mesmos direitos de seu irmão e marido, cujo trono havia sido herdado. Mas sua felicidade de governar não durou muito, dois anos após seu casamento seu marido e irmão faleceu e quem assumiu o trono ao seu lado foi seu irmão mais novo Ptolomeu XIV. Para conseguir mais poder, foi em busca de apoio da superpotência daqueles tempos: o Império Romano. Roma tinha o costume de interferir nos assuntos internos do Egito. O pai de Cleópatra havia sido destronado em 58 a.C, por causa de uma rebelião interna, só voltou ao poder com a ajuda de Roma. Foi nesse período que o ditador romano Júlio César se apaixonou por Cleópatra, relacionamento que gerou um filho. A rainha egípcia encontrava-se fortalecida por sua relação íntima com o líder do Império Romano, ela continuou a governar ao lado de seu irmão.

Júlio César partiu para Roma, dois anos após sua partida Cleópatra foi ao seu encontro. A rainha egípcia foi recepcionada de braços abertos por seu amante que mandou construir uma estátua de ouro no Templo de Vênus em sua homenagem. Mas o romance não durou muito, pois em 44 a.C. Júlio César foi assassinado. Após a morte de seu amante, Cleópatra se viu obrigada a voltar para o Egito, já que Júlio César havia deixado em testamento o trono para o filho de sua sobrinha-neta, Otaviano. A rainha egípcia sabia que não teria mais como manter a unidade de seu reino contra a invasão dos romanos e que teria que fazer uma nova aliança para evitar um eventual ataque. Por esse motivo, optou por conquistar Marco Antônio, outro membro do Triunvirato que governava a República Romana. Na tentativa de conquistá-lo promoveu uma grande festa em sua homenagem, com belas mulheres, presentes e toda sua exuberância e sensualidade. Marco Antônio não resistiu à sensual mulher, durante um ano viveram em completa harmonia, resultando na gravidez de gêmeos, mas o romano não teve oportunidade para ver seus filhos nascerem, pois tivera que retornar a Roma, quando soube que sua esposa, Fúlvia, participava de uma conspiração contra Otaviano, o herdeiro do trono romano. Em sinal de amizade e respeito casou-se com sua irmã Otávia. Enquanto isso, Cleópatra governava o Egito. Quatro anos depois, Marco Antônio retornou ao Egito e em seu regresso, ele e Cleópatra conceberam o terceiro filho, Ptolomeu Filadelfo. Após muitas derrotas, Marco Antônio invadiu e conquistou a Armênia, voltando triunfante para Alexandria, capital do Egito. Cesarión, filho de seu romance com Alexandre, o Grande, aos 13 anos foi proclamado o “rei dos reis”, Alejandro Hélios, de 6 anos, foi nomeado o rei da Armênia; aos 6 anos Cleópatra Selena, foi nomeada a rainha de Cirenaica e Creta e Ptolomeu Filadelfo, com 2 anos de idade, foi intitulado rei da Ásia Menor.

A união de Cleópatra estava muito forte e ameaçava o reinado de Otaviano, por isso o mesmo declarou ao senado romano que Marco Antônio era um traidor e que o divórcio dele com sua irmã era uma ofensa. No final de 32 a.C., Otávio declarou guerra à Cleópatra e ao Egito. Marco Antônio atuou na defesa de Cleópatra e do Egito. Os soldados romanos foram derrotando o exército de Marco Antônio, capturando os fortes e afundando os barcos. A situação para Cleópatra e seu companheiro só foi se agravando, até que decidiram atravessar o cerco romano. Foram derrotados na famosa batalha de Accio. Cleópatra retornou para Alexandria e Marco Antonio, desiludido, ocultou-se na ilha dos Faros. Um tempo depois, Marco Antônio retornou ao Egito e uniu novamente à Cleópatra, um ano depois foi anunciada a chegada de Otaviano, temendo sua reação, Marco Antônio lhe enviou uma carta oferecendo o Egito e em troca seus filhos continuariam a governar. No entanto, Otaviano não a respondeu, tinha a intenção de governar sozinho.

Os soldados de Marco Antônio desertaram-se e culparam Cleópatra, que assustada com a ira do romano abrigou-se em um mausoléu. Houve rumores de que a rainha egípcia teria se suicidado. Marco Antônio, enlouquecido, cravou uma espada em seu peito, no momento em que o secretário de Cleópatra chegava com a notícia que a rainha estava viva. Foi levado até Cleópatra e morreu em seus braços.

Pouco tempo depois, Cleópatra envenenou-se e morreu, aos 39 anos, ela foi a última rainha do Egito.

Relatos da época afirmam que Cleópatra e Marco Antônio continuaram juntos depois da morte

rainha de Sabá


A rainha de Sabá ao lado de seu amado Salomão

Pouco se sabe sobre a belíssima rainha de Sabá, cuja história é repleta de mistério. A parte conhecida de sua história está relatada no Velho Testamento, datadas no século 6 d.C., e em um dos livros de Talmudu (coletânea das tradições orais judaicas).
No Alcorão (livro sagrado muçulmano) encontramos referência à suposta cidade natal da rainha, Marid. Dentre todos os relatos a respeito da rainha de Sabá, o mais conhecido é o da Etiópia, o Kebra Nagast, do século 11 a.C. Segundo esse documento, ela teria assumido o trono com apenas 15 anos de idade, após a morte do pai.

Em Sabá as mulheres e os homens possuíam praticamente os mesmos direitos, por isso sua coroação foi muito festejada pelos súditos. A única coisa que fazia a diferença entre homens e mulheres em seus direitos era a determinação religiosa de a rainha manter-se virgem. Como uma boa seguidora dos costumes de seu povo, Bilqis como era chamada no Alcorão, aceitou conformada. Já que não poderia jamais deliciar-se dos prazeres carnais, dedicou-se ao estudo da filosofia e do misticismo. Seu reinado esbanjou luxo e riqueza, isso graças à farta colheita, que era estimulada por avançadas técnicas de irrigação, e à localização privilegiada que impulsionava o comércio. Sabá era ponto de encontro de mercadores vindos de todos os lugares. Vendia-se e comprava-se de tudo pelas pequenas ruas do reino, em especial mercadorias oriundas do Oriente. Para se distrair a rainha circulava em meio ao tumulto do comércio. Gostava de conversar com os viajantes, foi em uma dessas conversas, que sobe da existência do rei Salomão. Foi o chefe das caravanas reais, Tamrim, que lhe relatou a história de tal rei.

Ele vendia incensos de Sabá para diversos lugares do mundo e trazia muitos tecidos e jóias para a rainha. Ao retornar de uma viagem à cidade de Jerusalém, ele contou que havia feito negócios com um rei cujo nome era Salomão, muito rico e que tinha fama de sábio e generoso. A soberana ficou muito intrigada com os dotes intelectuais do rei de Jerusalém, então resolveu viajar para conhecer o soberano pessoalmente. Anunciou que iria junto com Tamrim em sua próxima viagem à Jerusalém, para isso saiu pelo reino em busca de presentes para Salomão.

A comitiva tinha 800 animais, apesar da curta distância a viagem durou seis meses. Chegando à Jerusalém, a rainha se dirigiu ao palácio, trajando roupas caras, coberta de jóias e seguida por servos trazendo os presentes para o anfitrião. Divertiu-se testando a sagacidade de Salomão, muito culta e bem-humorada ela disparou um arsenal de charadas com a intenção de desafiá-lo. O rei, muito sábio, não deixou nenhuma pergunta sem resposta.

Por sua vez, Salomão pregou a ideologia e os valores de sua religião, o Judaísmo, e conquistou mais uma adepta. Como um grande sedutor, ele também cortejou a visitante. Mesmo tendo feito o voto de castidade, a rainha de Sabá em sua primeira noite no palácio não resistiu ao charme de Salomão e se entregou a ele. Permaneceu meses na companhia de Salomão e retornou para casa grávida do amado, o filho foi chamado de Menilek.

Após o retorno da rainha, os relatos foram se tornando escassos. Nenhuma das histórias sobre a rainha de Sabá é arqueologicamente comprovada. Dessa forma, a célebre e lendária rainha tornou-se um grande enigma da história, não há comprovação de sua verdadeira história e nem relatos de seu fim.


Margareth Thatcher: a Dama de Ferro

Em pleno clima da Guerra Fria e recém-saídos da crise petrolífera, os países europeus buscavam alternativas para reorganizar-se estruturalmente. A Grã-Bretanha encontrava-se arrasada, as taxas de inflação e desemprego eram as mais elevadas da Europa, além disso, existiam greves nos serviços públicos que afetavam o dia-a-dia da sociedade britânica. Em meio à desordem que a ilha vivia, a solução encontrada foi trazer para o poder Margaret Thatcher. Líder do Partido Conservador, ela surgiu em meio à confusão para colocar ordem no recinto, tendo anunciado em seu plano de governo a redução de impostos, controle e reforma dos sindicatos, apoio à iniciativa privada, rompimento com o estado de bem-estar social e combate ao comunismo. Foi casada por mais de 30 anos com empresário Denis Thatcher, união que resultou nos filhos gêmeos Carol e Mark.

Thatcher foi a primeira mulher a ocupar o cargo de primeiro-ministro da Grã-Bretanha. Após assumir o poder, optou por fazer uma política de convicção e não de consenso. A sua opinião era a única que importava, não importando a opinião de seu partido. O pacote de medidas adotado por Thatcher seria precursor do que na década de 1990, ficou conhecido como neoliberalismo. Tempos depois de assumir o poder, e após dar importância unicamente às suas opiniões, segundo Evaldo Alves ( professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas) ela teria sido acusada pelo povo de não dar importância ao sofrimento e às dificuldades dos desempregados. No início nada que foi posto em prática por Margareth Thatcher deu certo, pelo contrário o país mergulhou na pior recessão desde 1930. A crise que o país enfrentou foi tão difícil que em fevereiro de 1981, muitos britânicos não queriam conceder à primeira-ministra sequer os primeiros cinco anos de mandato. Após intervir no conflito das Malvinas (1982), em 1984 ela foi reeleita. Permaneceu no poder de 1979 a 1990, totalizando 11 anos.

Os mandatos de Thatcher foram problemáticos com séries de manifestações contra sua forma de governar. Após se negar a renegociar os direitos dos presos políticos das greves de 1980 e 1981, em 1984 o IRA (Exército Republicano Irlandês) tentou assassiná-la. Com sua reeleição de 1989, o governo já se encontrava em decadência, todas as políticas por ela defendidas estavam ruindo-se. O fim da carreira política da Dama de Ferro veio com o golpe fatal norte-americano, com a vitória de George Bush para presidência, perdendo o apoio externo, já que o novo presidente dos EUA não simpatizava com a então Primeira-Ministra. Sem o apoio do partido e com a imagem desgastada pelos 11 anos de mandato, renunciou em 28 de novembro de 1990

joana darc


A guerreira que era orientada por vozes de santos.

Joana d’Arc foi uma das mulheres mais fortes e guerreiras que o mundo já conheceu. Nasceu em 1412, no vilarejo de Domrémy, França. Pertencia a uma família de camponeses, foi educada para ser uma boa esposa, para isso aprendia as prendas domésticas. Fora isso, não recebera outro tipo de educação, era praticamente analfabeta. Ao completar 13 anos a jovem passou a ouvir vozes sagradas: São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida. A primeira orientação feita pelas vozes à Joana foi de que a menina deveria permanecer virgem para obter a salvação de sua alma. Mais tarde as vozes passaram a orientá-la sobre política, dizendo que deveria coroar o príncipe herdeiro do trono, Carlos, mais conhecido como delfim, e salvar a França dos ingleses. Joana foi concebida no ápice da Guerra dos Cem Anos, conflito que se iniciou em 1337 e teve fim em 1453. A situação francesa era crítica tanto na política como na economia. A Igreja estava enfraquecida devido às limitações do papado, para sobreviver em meio aos poderosos a Igreja saiu em busca de alianças.

Com a França em decadência, a Igreja optou por aliar-se à Inglaterra, que até então era a mais forte. Para Joana e sua família, tais alianças significava o início de tragédias, já que o feudo era vizinho de Lorena, onde se localizava o vilarejo de Domrémy. Com isso, as terras da família d’Arc passaram a sofrer constantes ataques. Na época em que os borguinhões se apossaram de vez de Domrémy, em 1428, Joana tinha 16 anos de idade. Com os conselhos das vozes santas na cabeça, decidiu que iria coroar o rei. Tinha consciência de que a paz só seria possível com uma França forte, e que o país só atingiria tal objetivo quando o delfim recebesse a coroa na catedral de Notre-Dame de Reims, conforme a tradição. Decida, Joana convenceu o padrinho, um soldado que já havia se aposentado, a acompanhá-la até a cidade de Vaucouleurs. Ela tinha o objetivo de persuadir o nobre Roberto de Baudricourt, chefe militar e senhor local, a lhe conceder um exército. No primeiro encontro se impressionou com a força e a coragem da jovem, mas não cedeu um exército de imediato. Na espera de uma resposta favorável, Joana ficou vagando por Vaucouleurs. Nesse tempo acabou levando muito soldado na conversa.

Ao tomar conhecimento de que cada vez mais soldados juravam lealdade à Joana, Baudricourt não teve alternativa. D’Arc partiu para o castelo de Chinon, quartel-general do delfim Carlos, juntamente com o duque de Anjou, com os cavaleiros que havia amealhado e com os soldados que Baudricourt finalmente lhe concedera. Ao chegar a Chinon, Carlos já havia sido informado sobre a jovem camponesa, provavelmente louca, que dizia ouvir vozes sagradas. Ficando meio receoso, permaneceu dois dias recluso, discutindo com a corte se deveria ou não recebê-la. Por fim d’Arc convenceu Carlos de que estava ali com um propósito e que era digna de ser recebida por ele. Com tudo, delfim equipou e abençoou Joana em sua Marcha até Orléans. Apesar de estarem em menor número, os franceses contavam com a força, coragem e garra de Joana. A batalha durou alguns dias e os ingleses recuaram.

Em maio de 1429, a França obteve sua primeira grande vitória militar. Joana d’Arc estava pronta para sua missão, a de coroar o delfim, sendo assim, em julho de 1429, Carlos recebeu a coroa do rei na Catedral de Notre-Dame de Reims. Com isso, Joana havia atingido seu objetivo maior, só que sua ambição militar falou mais alto. Partiu para Paris a fim de expulsar os ingleses, em setembro de 1429 invadiu Paris, onde foi derrotada, seus soldados partiram em retirada, mas seu espírito guerreiro resistiu. Joana foi capturada, levada para a fortaleza de Beaulieu e, logo em seguida, para o castelo de Beaurevoir. Tentou escapar de ambas as prisões, mas não obteve êxito, Joana foi vendida pelos borguinhões por 10 mil libras aos ingleses. Em 1430, foi levada a julgamento no tribunal inglês, sendo conduzido pelo bispo de Beauvais, Pierre Cauchon. Todas as acusações eram de ordem religiosa: bruxa, herege, idólatra, entre outras. Martírio que durou seis meses, sua sentença foi ser queimada viva.

Cumpriu-se então a sentença, Joana foi queimada viva em uma fogueira aos 19 anos de idade. Foi o fim da heroína francesa.

catarina


A alemã que conquistou a Rússia.

Aos 14 anos de idade Sophia Augusta Frederika – futuramente Catarina, a Grande - recebeu um convite da imperatriz Elisabeth I da Rússia. A imperatriz queria que Sophia desposasse seu filho, Pedro III, o herdeiro do trono russo. Sophia aceitou prontamente. Foram rápidos os preparativos para o casamento. Os noivos só se conheceram durante o banquete em homenagem à futura esposa. Para Sophia foi uma decepção, pois o príncipe não era dotado de beleza, com o rosto todo marcado por seqüelas da varíola, além disso, possuía um temperamento instável. O casamento aconteceu em 21 de agosto de 1745, em São Petersburgo. Pedro III não estava muito interessado na esposa. A sogra de Sophia ficou muito feliz com o seu interesse em aprender a língua, a cultura e os costumes russos. Com o abandono da fé luterana, foi admitida na Igreja Ortodoxa Russa e rebatizada como Yekaterine Alekseievna.

Com o passar do tempo Catarina se convenceu de que o marido não tinha aptidão para o poder. Em oito anos de união, Pedro III não havia conseguido engravidá-la. Porém, a imperatriz Elisabeth I não pretendia morrer sem ter um neto. Por isso, permitiu que Catarina arrumasse um pai para o bebê. Sendo assim, Catarina escolheu o guarda imperial Sergei Saltikov, desse caso nasceu seu primeiro filho, Paulo. Para a sociedade russa, a criança era fruto do amor do casal real. Mesmo com o nascimento da criança, Pedro III não deixou de ter a antipatia da população. Muito pelo contrário, sua popularidade caia dia após dia. Um dos motivos era que ele se preocupava mais com coisas banais do que com os assuntos que preocupavam os súditos. Já Catarina era o oposto do marido, tinha sede pelo poder. Em junho de 1762, com a ajuda de Gregory Orlov, herói da Guarda Imperial e o mais famoso dos 12 amantes conhecidos da soberana, ela decidiu pôr em prática um plano audacioso. No dia 21 de junho, tomou sua carruagem com destino ao quartel-general do regimento Ismailovsky e apresentou-se aos soldados com ar frágil e empoeirada pela viagem. Fez um apelo aos soldados; “Vim aqui rogar por sua proteção. O imperador ordenou minha prisão. E temo por minha vida”. O apelo deu certo, tanto que os soldados jogaram-se a seus pés, beijaram suas mãos e reconheceram em Catarina sua tsarina. Também conquistou a Rússia. Do quartel-general a soberana foi escoltada para a Catedral de Kazan, em São Petersburgo, onde fez o juramento que a oficializou como imperatriz e governante única da Rússia. Pedro III recebeu a mensagem de que sua esposa assumira o comando. Enquanto isso, Catarina tomou emprestado um uniforme do regimento e, assim trajada, deixou um bilhete ao Senado dizendo que iria à frente da tropa para trazer paz e segurança ao trono russo.

No dia 29 de junho, Pedro III assinou sua abdicação em favor da esposa. Seis dias depois morreu devido um estranho “acidente”. Mas na verdade, foi assassinado por Orlov. Um dia depois, a soberana se apresentou triunfante em Moscou, culminando na sua coroação oficial em Kremlin. Na sua primeira visita ao senado, se chocou com a realidade na qual o mesmo se encontrava, em total abandono. Parte do exército não recebia havia 8 meses, o déficit do tesouro real era em torno de 17 milhões de rublos e a sociedade reclamava de corrupção. Com tudo, Catarina resolveu pôr a casa em ordem, sabendo que governava um país rural, ela decidiu atacar as áreas improdutivas. Abriu as portas à imigração. Fundou a primeira escola só para meninas, criou diversos hospitais e colégios e bancou o florescimento da arte russa. O exército foi reformado, a Igreja teve seu poder reduzido e a agricultura e o comércio desabrocharam. Catarina enfrentou diversas lutas, saindo vitoriosa de todas elas.

Os ideais iluministas da soberana foram esmaecendo com o tempo, e se decepcionava com a resistência de seus súditos em viver sob ideais de razão e lógica que defendia. O sonho de Catarina, a Grande, era anunciar seu neto Alexandre, como herdeiro, só que sua morte, em 1796, a impediu de excetuar o plano. Seu filho Paulo I assumiu a Coroa. No entanto, cinco anos depois, foi assassinado. Alexandre o sucedeu, estava assim cumprido o desejo de Catarina.

anita garibaldi


Anita Garibaldi, a heroína brasileira

A heroína brasileira Ana Maria de Jesus Ribeiro, que posteriormente ficou conhecida como Anita Garibaldi, nasceu em 1821, em Laguna, Santa Catarina. Possuía um espírito muito livre, era uma excelente amazona, percebendo isso, sua mãe optou por casá-la o mais rápido possível. Dessa forma, quando tinha entre 14 e 15 anos casou-se com um sapateiro, um homem simples cujo nome era Manuel Duarte de Aguiar. Eram muito diferentes, tinham até divergência política. Após três anos de casada, conheceu Garibaldi. Foi ele quem transformou Ana em Anita, na época ela tinha 18 e ele, 32. Quando se conheceram, o marido de Anita se encontrava junto às tropas imperiais.

Ao lado de sua nova paixão (Garibaldi), Anita lançou-se nos campos de batalha. As principais demonstrações de bravura de Anita Garibaldi foram durante a Revolução Farroupilha (1835-1845), onde passou por inúmeras privações e dificuldades. A união de Anita e Garibaldi foi oficializada somente três anos depois, no Uruguai, casamento que resultou em quatro filhos. Em certo momento da disputa, o grupo de rebeldes liderados por Garibaldi encontrava-se em desvantagem, por isso o líder decidiu mandar sua mulher em segurança para a terra. Para isso, disse a ela que descesse do barco e fosse para a terra em busca de reforços e permanecesse no continente. No entanto, não conseguiu ajuda e voltou. Ao perder a luta, o casal fugiu, mas não deixou de lutar, participou de outras batalhas no Brasil e no exterior. Em sua última fuga, Anita ficou doente. Em 4 de agosto de 1849, grávida de seis meses do quinto filho, Anita morreu, a causa de sua morte nunca foi esclarecida.

grandes mulheres da historia


A primeira faraó da história.

Hatshepsut foi a primeira faraó (mulher) da história, conseguiu esse título após vencer muitos obstáculos. Após a morte de seu pai, o faraó Tutmés I, Hatshepsut casou-se com seu meio-irmão, Tutmés II, com apenas 17 anos de idade. Depois de quatro anos seu marido e irmão faleceu, deixando como herdeiro do trono um filho que teve com uma concubina. Mas como o menino era muito jovem, Hatshepsut assumiu o poder. Governou o Egito sozinha por 22 anos, na época o Estado era um dos mais ricos. Para permanecer no poder fez o uso da descendência de Tutmés I, a princípio não enfrentou objeções, já que Tutmés III (filho de Tutmés II) era muito jovem e não podia reinar.

No começo de seu reinado não exigiu as regalias reservadas aos faraós, que eram governantes e sacerdotes da religião local (considerados seres divinos). Aos poucos foi testando seu poder, para ver até onde iam os limites impostos pela sociedade egípcia às mulheres, pois almejava o posto de faraó. Com o passar do tempo seu poder foi aumentando, até se mostrar como faraó, fazendo o uso de barba postiça e calças. O uso de barba falsa era um costume exclusivo dos faraós, a barba para eles tinha o mesmo significado da coroa para os reis. Hatshepsut promoveu a inovação administrativa e a expansão comercial. Enviou várias expedições para a costa africana, no Mar Vermelho, em busca de ouro, marfim, pele de animais, entre outros.

Com a prosperidade de seu governo, Hatshepsut começou uma obra de embelezamento arquitetônico no Egito. Ergueu diversas edificações em homenagem ao deus Amon-Rá (seu pai espiritual), na região de Beni Hasan (centro do reino) ela construiu um novo templo feito de pedras, denominado Speos Artemidos pelos gregos. Ao mesmo tempo em que fazia as mudanças físicas do Egito, a faraó cuidava da educação de Tutmés III. Ela enviou o menino para o templo de Amon, onde foi educado para se tornar o próximo governante.

Para garantir sua autoridade fazia de tudo para manter o jovem afastado do trono, chegou até a casá-lo com a filha que teve no relacionamento com Tutmés II. Porém, ficou bastante enfraquecida com a morte da princesa. No comando do exército Tutmés reclamou seus direitos, em especial o título de faraó. Mas só conseguiu tal feito após a morte da rainha, em 1482 a. C. A causa da morte não é conhecida, assim como a localização de seus restos mortais.

arcadismo.caracteristicas

O Arcadismo, Setecentismo (os anos 1700) ou Neoclassicismo é o período de caracteriza principalmente a segunda metade do século XVIII, tingindo as artes de uma nova tonalidade burguesa.

No século XVIII, as formas artísticas do Barroco já se encontram desgastadas e decadentes. O fortalecimento político da burguesia e o aparecimento dos filósofos iluministas formam um novo quadro sócio político-cultural, que necessita de outras fórmulas de expressão. Combate-se a mentalidade religiosa criada pela Contra-Reforma, nega-se a educação jesuítica praticada nas escolas, valoriza-se o estudo científico e as atividades humanas, num verdadeiro retorno à cultura renascentista. A literatura que surge para combater a arte barroca e sua mentalidade religiosa e contraditória é o Neoclassicismo, que objetiva restaurar o equilíbrio por meio da razão.

A influência neoclássica penetrou em todos os setores da vida artística européia, no século XVIII. Os artistas desse período compreendiam que o Barroco havia ultrapassado os limites do que se considerava arte de qualidade e procuravam recuperar e imitar os padrões artísticos do Renascimento, tomados então como modelo.

Na Itália essa influência assumiu feição particular. Conhecida como Arcadismo, inspirava-se na lendária região da Grécia antiga. Segundo a lenda, a Arcádia era dominada pelo deus Pari e habitada por pastores que, vivendo de modo simples e espontâneo, se divertiam cantando, fazendo disputas poéticas e celebrando o amor e o prazer.

Os italianos, procurando imitar a lenda grega, criaram a Arcádia em 1690 - uma academia literária que reunia os escritores com a finalidade de combater o Barroco e difundir os ideais neoclássicos. Para serem coerentes com certos princípios, como simplicidade e igualdade, os cultos literatos árcades usavam roupas e pseudônimos de pastores gregos e reuniam-se em parques e jardins para gozar a vida natural.

No Brasil e em Portugal, a experiência neoclássica na literatura se deu em torno dos modelos do Arcadismo italiano, com a fundação de academias literárias, simulação pastoral, ambiente campestre, etc.
Esses ideais de vida simples e natural vêm ao encontro dos anseios de um novo público consumidor em formação, a burguesia, que historicamente lutava pelo poder e denunciava a vida luxuosa da nobreza nas cortes.

A linguagem árcade

A linguagem árcade é a expressão das idéias e dos sentimentos do artista do século XVIII. Seus temas e sua construção procuram adequar-se à nova realidade social vivida pela classe que a produzia e a consumia: a burguesia.

Características

fugere urbem (fuga da cidade): influenciados pelo poeta latino Horácio, os árcades defendiam o bucolismo como ideal de vida, isto é, uma vida simples e natural, junto ao campo, distante dos centros urbanos. Tal princípio era reforçado pelo pensamento do filósofo francês Jean Jacques Rousseau, segundo o qual a civilização corrompe os costumes do homem, que nasce naturalmente bom.

áurea mediocritas (vida medíocre materialmente mas rica em realizações espirituais): outro traço presente advindo da poesia horaciana é a idealização de uma vida pobre e feliz no campo, em oposição à vida luxuosa e triste na cidade

idéias iluministas: como expressão artística da burguesia, o Arcadismo veicula também certos ideais políticos e ideológicos dessa classe, no caso, idéias do Iluminismo. Os iluministas foram pensadores que defenderam o uso da razão, em contraposição à fé cristã, e combateram o Absolutismo. Embora não sejam a preocupação central da maioria dos poetas árcades, idéias de liberdade, justiça e igualdade social estão presentes em alguns textos da época.

convencionalismo amoroso: na poesia árcade, as situações são artificiais; não é o próprio poeta quem fala de si e de seus reais sentimentos. No plano amoroso, por exemplo, quase sempre é um pastor que confessa o seu amor por uma pastora e a convida para aproveitar a vida junto à natureza. Porém, ao se lerem vários poemas, de poetas árcades diferentes, tem-se a impressão de que se trata sempre de um mesmo homem, de uma mesma mulher e de um mesmo tipo de amor. Não há variações emocionais. Isso ocorre devido ao convencionalismo amoroso, que impede a livre expressão dos sentimentos, levando o poeta a racionalizá-los. Ou seja, o que mais importava ao poeta árcade era seguir a convenção, fazer poemas de amor como faziam os poetas clássicos, e não expressar os sentimentos. Além disso mantém-se o distanciamento amoroso entre os amantes, que já se verificava na poesia clássica. A mulher é vista como um ser superior, inalcançável e imaterial.

carpe diem: o desejo de aproveitar o dia e a vida enquanto é possível tema já bastante explorado pelo Barroco - é retomado pelos árcades e faz parte do convite amoroso.

Características:

QUANTO À FORMA QUANTO AO CONTEÚDO
Frases na ordem direta Pastoralismo
Ausência quase total de figuras de linguagem Bucolismo
Manutenção do verso decassílabo, do soneto e de outras formas clássicas. Fugere urbem

Áurea mediocritas

Elementos da cultura greco-latina

Convencionalismo amoroso

Idealização amorosa

Racionalismo

Idéias iluministas

Carpe diem

A palavra Arcádia, que dá origem a Arcadismo, é grega e designa uma sociedade literária típica da última fase do Classicismo, cujos membros adotam nomes poéticos pastoris, em homenagem à vida simples dos pastores, em comunhão com a natureza.
As manifestações da estética arcádica começam a ocorrer no Brasil na segunda metade do século XVIII, mais precisamente em 1768, quando Cláudio Manuel da Costa publica Obras. A atividade mineradora - já intensa desde 1700 - determina mudanças na organização e na dinâmica da vida brasileira. Há um aumento considerável na circulação de mercadorias e uma dinamização das regiões que abasteciam de gado as Minas Gerais (Sul e Nordeste). Com o crescimento das cidades, surgia no Brasil o trabalho não-escravo, desvinculado das atividades agrícolas e da mineração. Eram artesãos, burocratas, profissionais liberais, literatos.

Arcadismo - O espírito iluminista

Era o esboço de uma classe mediana que, disposta a defender seus próprios interesses, adotou a ideologia liberal burguesa vinda da França: o Iluminismo. A difusão do pensamento iluminista que apregoava a liberdade de propriedade e a igualdade de poderes, criticando o estado absolutista, tinha as suas palavras de ordem: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Em 1789, esse espírito culminou na Revolução Francesa, que modificou o conceito de classe social trazendo ao topo do poder os burgueses.

Árcades ilustrados

Em Vila Rica, atual Ouro Preto, a antiga capital da Capitania das Minas Gerais, um grupo teve especial importância na divulgação do Iluminismo - o "grupo mineiro" -, composto por intelectuais que se reuniam em torno de ideais semelhantes, pelo menos quanto ao pensamento de que a Metrópole Portuguesa era tirânica em relação à Colônia, que se encontrava usurpada em relação às suas riquezas.

"Escola Mineira"

Seis poetas constituem a chamada "Escola Mineira": Frei José de Santa Rita Durão, José Basílio da Gama, Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Inácio José de Alvarenga Peixoto e Manuel Inácio da Silva Alvarenga. Com os olhos voltados para a terra natal, esses poetas árcades iniciaram o período de transformação da literatura brasileira, que se vai efetivar, realmente, no século XIX, com os românticos.

Arcadismo em Portugal (1756-1825)

Com a fundação da Arcádia Lusitana, em 1756, iniciou-se uma nova etapa literária em Portugal, caracterizada pela rebeldia contra o Barroco. Sua divisa - inutilia truncar - atestava o desejo de repúdio às coisas inúteis, característica marcante da poesia barroca.

Simplicidade da arte renascentista
A Arcádia Lusitana teve por base a Arcádia Romana, fundada na Itália em 1690, cuja tentativa foi restabelecer a simplicidade da arte renascentista e antiga. A Arcádia Lusitana estiveram ligados, entre outros, os poetas Antônio Dinis da Cruz e Silva (um de seus fundadores), Pedro Antônio Correia Garção, também doutrinador do movimento.

Nova Arcádia
Em 1790, foi fundada a Academia de Belas Artes, logo após denominada Nova Arcádia que, três anos mais tarde, publicava algumas obras poéticas de seus sócios, sob o título Almanaque das Musas. Os membros mais importantes dessa associação foram o brasileiro Domingos Caldas Barbosa, famoso nos ambientes aristocráticos por sua obra lírica, o poeta satírico Padre Agostinho de Macedo e o poeta lírico e satírico Manuel Maria Barbosa du Bocage.

Arcadismo no Brasil (1768-1836)

O rompimento com a estética cultista barroca começou no Brasil com a publicação das Obras, de Cláudio Manuel da Costa, em 1768. O movimento árcade permaneceu como tendência literária até 1836, quando se inicia o Romantismo.

Árcades mineiros
Não existiu, no Brasil, uma Arcádia, como em Portugal. Um vigoroso grupo intelectual - o "grupo mineiro" - destacou-se na arte literária e na prática política, participando ativamente da Inconfidência Mineira. Esse grupo, constituído por Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Inácio José de Alvarenga Peixoto, Manuel Inácio da Silva Alvarenga e outros intelectuais, foi desfeito de forma violenta, com a prisão, desterro ou morte de alguns poetas, à época da repressão política em torno do episódio da Inconfidência.

Bucolismo e poesia política
Cláudio Manuel da Costa foi o primeiro modelo e o mais forte de todos para os poetas mineiros. Influenciou significativamente Tomás Antônio Gonzaga, de quem era o "amigo mais velho". Cláudio, considerado o mais árcade dos poetas do grupo, teve uma formação rigorosamente clássica. A sua poesia bucólica focaliza, sobretudo, a paisagem montanhosa de Minas Gerais. Alvarenga Peixoto, um dos poetas "ilustrados", construiu uma obra bem marcada pelo seu aspecto político, em defesa da República, contra a guerra e em prol dos escravos. Silva Alvarenga, por sua vez, tem uma obra lírica plena de musicalidade.

Características do Arcadismo brasileiro
A tentativa de imitar o Arcadismo português, para dar à Colônia uma literatura tão sofisticada quanto aquela que se produzia na Metrópole, resultou na poesia refinada dos árcades mineiros.

Apego aos valores da terra
A simplicidade na poesia e a idéia de abolir as inutilidades (inutilia truncat) foram, também, objetivos dos árcades brasileiros. O ambiente peculiar oferecido pela localização geográfica do "grupo mineiro" fez brotar um nativismo que incorporou os valores da terra ao ideário da estética bucólica, em voga no Arcadismo. Emerge a natureza brasileira como pano de fundo para a poesia dos "pastores".

Incorporação do elemento indígena
A valorização do índio
foi importante no Arcadismo brasileiro: ele reflete o ideal do "bom selvagem", tão caro aos iluministas (o pensamento de Rousseau baseado na premissa de que a natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade o corrompe e o transforma). A incorporação do índio como elemento literário dará um colorido diferente do europeu ao Arcadismo brasileiro.

Sátira política
A redação e a circulação de manuscritos anônimos (as Cartas Chilenas) de nítida sátira política aos tempos difíceis da exploração portuguesa e à corrupção dos governos coloniais, foi elemento bem distinto do Arcadismo brasileiro. A tomada de consciência política do "grupo mineiro" foi sem precedentes na história do Brasil. Impulsionados pelo exemplo da independência norte-americana e da Revolução Francesa, todos os elementos componentes do grupo participaram da Conjuração Mineira, que acabou em 1789.

arcadismo ou neocacissismo

O Arcadismo foi um estilo literário que perdurou pela maioria do século XVIII, tendo como principal característica o bucolismo, elevando a vida despreocupada e idealizada nos campos. Muitos dos participantes da Conjuração Mineira foram poetas árcades.

Cláudio Manuel da Costa

Introdutor do Arcadismo no Brasil, Cláudio Manuel da Costa (1729-1789) estudou Direito em Coimbra. Rico, advogou em Mariana, SP, onde nasceu e estabeleceu-se depois em Vila Rica. Foi um poeta de transição, ainda muito preso ao Barroco. Era grande amigo de Tomás Antônio Gonzaga, como atesta a poesia deste. Tinha os pseudônimos (apelido, no caso dos árcades, de origem pastoril) de Glauceste Satúrnio e Alceste. O nome de sua musa era Eulina. Foi preso em 1789, acusado de reunir os conjurados da Inconfidência Mineira. Após delatar seus colegas, é encontrado morto na cela, um caso de suicídio até hoje nebuloso. Na citação a seguir está presente um elogio ao campo, lugar idealizado pelos árcades.

"Quem deixa o trato pastoril, amado,
Pela ingrata civil correspondência,
Ou desconhece o rosto da violência,
Ou do retiro da paz não tem provado."

Basílio da Gama

O poeta José Basílio da Gama (1741-1795), nascido em São João del Rei, MG. Estudou com os Jesuítas no RJ até a expulsão destes do Brasil pelo Marquês de Pombal. Foi para Itália e ingressou na Arcádia Romana, adotando o pseudônimo de Termindo Sipilío. Escapou de acusações de jesuitismo escrevendo elogios ao casamento da filha do Marquês de Pombal. Escreveu O Uruguai ajudado por este e o publicou em 1769. A segunda passagem é uma das passagens mais famosas de sua obra: a morte de Lindóia.

"Na idade que eu, brincando entre os pastores,
Andava pela mão e mal andava,
Uma ninfa comigo então brincava,
Da mesma idade e bela como as flores."

"Açouta o campo coa ligeira cauda
O irado monstro, e em tortuosos giros
Se enrosca no cipreste, e verte envolto
Em negro sangue o lívido veneno.
Leva nos braços a infeliz Lindóia
O desgraçado irmão, que ao despertá-la
Conhece, com que dor! No frio rosto
Os sinais do veneno, e vê ferido
Pelo dente sutil o brando peito." O Uruguai

Tomás Antônio Gonzaga

Nascido em Porto (1744-1810?) de pai brasileiro, estudou na BA e formou-se em Coimbra em Direito, sendo um jurista habilidoso. Envolvido na Inconfidência é preso em 23/05/1789 e mandado para a prisão no Rio de Janeiro. É deportado para a África em 1792. Na África se casa com uma rica herdeira, recupera fortuna e influências e morre, provavelmente, em 1810. Produziu pouco, exceto no curto tempo em que esteve em MG. Apaixonado por Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, escreveu Marília de Dirceu em sua homenagem. Ele ia casar-se com ela e partir para a Bahia assumir um cargo de desembargador, mas foi preso uma semana antes. Segundo suas poesias ele não participava da Conjuração, apesar de ser amigo de Cláudio Manuel da Costa. De fato, Gonzaga, acusado de ser o mais capaz de dirigir a Inconfidência e ser o futuro legislador, não suportava Tiradentes. Escreveu também as Cartas Chilenas, que satirizavam seu desafeto, o governador Luís Cunha Meneses. Sua obra apresenta características transitórias para o Romantismo, como a supervalorização do amor e a idealização da mulher em Marília de Dirceu.

"Eu vi o meu semblante numa fonte,
Dos anos ainda não está cortado;
Os Pastores, que habitam este monte,
Respeitam o poder de meu cajado." Marília de Dirceu

" Assim o nosso chefe não descansa
De fazer, Doroteu, no seu governo,
Asneiras sobre asneiras e, entre as muitas,
Que menos violentas nos parecem,
Pratica outras que excedem muito e muito
As raias dos humanos desconcertos." Cartas Chilenas

Santa Rita Durão

O Frei José de Santa Rita Durão (1720-1784), orador e poeta, pode ser considerado o criador do indianismo no Brasil. Seu poema épico Caramuru é a primeira obra a ter como tema o habitante nativo do Brasil; foi escrita ao estilo de Camões, imitando um poeta clássico assim como faziam os outros neoclássicos (árcades). Santa Rita Durão nasceu em Cata Preta (MG) e mudou-se para a Europa aos 11 anos de idade, onde teve grande participação política. Foi também um grande orador.

Alvarenga Peixoto

Inácio José de Alvarenga Peixoto (1744?-1792) estudou com os jesuítas e formou-se com louvor na Universidade de Coimbra. Foi juiz e ouvidor. Casou-se com uma poetisa e deixou a magistratura, ocupando-se da lavoura e mineração no MG. Foi implicado na Inconfidência Mineira junto com seu parente, Tomás Antônio Gonzaga, e seu amigo Cláudio Manuel da Costa. Sentenciado a morte, teve a sentença comutada para degredo para Angola, onde morreu num presídio. Sua obra artística foi pequena, mas bem acabada. Segue um exemplo.

"Eu vi a linda Jônia e, namorado,
Fiz logo voto eterno de querê-la;
Mas vi depois a Nise, e é tão bela,
Que merece igualmente o meu cuidado."

periodos classicos> barroco

Barroco

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O Barroco foi um período estilístico e filosófico da História da sociedade ocidental, ocorrido desde meados do século XVI até ao século XVIII. Foi inspirado no fervor religioso e na passionalidade da Contra-reforma. Didaticamente falando, o Período Barroco, vai de 1580 a 1756.

O termo "Barroco" advém da palavra portuguesa homónima que significa "pérola imperfeita", ou por extensão jóia falsa. A palavra foi rapidamente introduzida nas línguas francesa e italiana.

Índice

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[editar] O período barroco

O ano de 1580 é significativo, marcado pela morte de Camões (e com ela, a decadência do movimento clássico), e pelo fim da autonomia política de Portugal, com o desaparecimento do rei D. Sebastião, na África, sendo que o sucessor foi Felipe II de Espanha, que anexou o reino português aos domínios, na chamada União Ibérica.

O capitólio político passou a ser Madrid, tendo Portugal perdido, além do seu foco político, a importância foco cultural. No século que se seguiu (século XVII), a influência predominante passou a ser a espanhola que se tornou marcante na cultura portuguesa e durante este mesmo período, brotam aos olhos da Espanha uma riquíssima geração de escritores, como Gôngora, Quevedo, Miguel de Cervantes, Félix Lope de Vega e Calderón de la Barca além de muitos outros.

Em 1640, Portugal inicia a empreitada na reconquista da posição no cenário europeu, libertando-se do domínio espanhol, após D. João IV, da dinastia de Bragança, subir ao trono. Até 1668, muitas lutas correram, contra a Espanha, na defesa da independência e contra os holandeses, em busca de recuperar as colônias da África Ocidental e parte do Brasil.

Este foi um período de intensa agitação social, com esforços permanentes em busca do restabelecimento da vida econômica, política e cultural. Publicaram-se várias obras panfletárias clandestinas, que denotavam posição contrária a corrupção do Estado e a exploração do povo. A mais famosa e significativa é a Arte de Furtar, cuja autoria está atribuída desde 1941 ao Padre Manuel da Costa e é hoje praticamente incontestada (vide a indispensável edição crítica da obra por Roger Bismut, Imprensa Nacional, 1991).

Marquês de Pombal, ministro do rei Dom José, subiu ao poder em 1750, com propostas renovadoras, que inauguraram uma nova fase na história cultural portuguesa. Em 1756, a Arcádia Lusitana demarcou o início de novas concepções literárias.

No Brasil, o período foi marcado por novas diretrizes na política de colonização, e estabeleceram-se engenhos de cana-de-açúcar na Bahia. Salvador, como capital do Brasil, transformou-se em um núcleo populacional importante, e como consequência, um centro cultural que, mesmo timidamente, fez surgir grandes figuras, como Gregório de Matos. O Barroco Brasileiro teve início em 1601, tendo como obra significativa, Prosopopéia, de Bento Teixeira, terminando com as obras de Cláudio Manuel da Costa, em 1768, uma introdução ao Neoclassicismo.

O barroco foi desenvolvido no século XVII. Nesse período, o terror provocado pela inquisição tentava limitar pensamentos, manifestações culturais e impôr a austeridade.

[editar] Arte barroca

Embora tenha o Barroco assumido diversas características ao longo da história, o surgimento está intimamente ligado à Contra-Reforma. A arte barroca procura comover intensamente o espectador. Nesse sentido, a Igreja converte-se numa espécie de espaço cénico, num teatro sacrum onde são encenados os dramas.

O Barroco é o estilo da Reforma católica também denominada de Contra-Reforma. Arquitetura, escultura, pintura, todas as belas artes, serviam de expressão ao Barroco nos territórios onde ele floresceu: a Espanha, a Itália, Portugal, os países católicos do centro da Europa e a América Latina.

O catolicismo barroco também impregnou a literatura, e uma das suas manifestações mais importantes e impressionantes foram os "autos sacramentais", peças teatrais de argumento teológico, reflexo do espírito espanhol do século XVII, e que eram muito apreciados pelo grande público, o que denota o elevado grau de instrução religiosa do povo.

Contrariamente à arte do Renascimento, que pregava o predomínio da razão sobre os sentimentos, no Barroco há uma exaltação dos sentimentos, a religiosidade é expressa de forma dramática, intensa, procurando envolver emocionalmente as pessoas.

Além da temática religiosa, os temas mitológicos e a pintura que exaltava o direito divino dos reis (teoria defendida pela Igreja e pelo Estado Nacional Absolutista que se consolidava) também eram freqüentes.

De certa maneira, assistimos a uma retomada do espírito religioso e místico da Idade Média, num ressurgimento da visão teocentrismo do mundo. E não é por acaso que a arte barroca nasce em Roma, a capital do catolicismo.

A escola literária barroca é marcada pela presença constante da dualidade. Antropocentrismo versus teocentrismo, céu versus inferno, religião versus ciência, entre outras constantes.

Contudo, não há como colocar o Barroco simplesmente como uma retomada do fervor cristão. A grande diferença do período medieval é que agora o ser humano, depois do Renascimento, tem consciência de si e vê que também tem valor - com exemplos em estudos de anatomia e avanços científicos o ser humano deixa de colocar tudo nas mãos de Deus.

O Barroco caracteriza-se, portanto, num período de dualidades; num eterno jogo de poderes entre divino e humano, no qual não há mais certezas. A dúvida é que rege a arte deste período. E nas emoções o artista vê uma ponte entre os dois mundos, assim, tenta desvendá-las nas representações.

[editar] Arquitetura barroca

Ver artigo principal: Arquitectura do barroco

[editar] Escultura barroca

Ver artigo principal: Escultura do barroco

[editar] Pintura barroca

Adoração, por Peter Paul Rubens.
Adoração, por Peter Paul Rubens.
Ver artigo principal: Pintura do barroco

Essa intensidade dramática do Barroco está bem exemplificada na pintura de Rubens. Este pintor flamengo, que viveu de 1577 a 1640, é considerado um dos maiores expoentes de todo o Barroco e um dos maiores gênios da pintura de toda a História da Arte.

Dentre as obras, podemos citar como pintura de tema mitológico o quadro “O Rapto das Filhas de Leucipo”. De tema religioso, “Sansão e Dalila”, da passagem bíblica do Velho Testamento. E, como exemplo de pintura que exalta a nobreza, temos a série de quadros sobre a vida de Maria de Médici, feitos por encomenda para a rainha-mãe e regente da França.

Nos estados protestantes, a pintura barroca assumiu características diferentes. Como nesses países havia condições favoráveis à liberdade de pensamento, a investigação científica iniciada no Renascimento pôde prosseguir, permitindo assim a confecção de quadros como “A aula de anatomia do Dr.Tulp”, de Rembrandt.

A força da burguesia nesses estados – e especificamente na Holanda – levou a pintura aos temas burgueses e de cenas da vida comum, como “A Ronda Noturna”, também de Rembrandt.

O método favorito empregado pelo barroco para ilustrar a profundidade espacial é o uso dos primeiros planos super dimensionados em figuras trazidas para muito perto do espectador e a redução no tamanho dos motivos no plano de fundo. Outras características são a tendência de substituir o absoluto pelo relativo, a maior rigidez pela maior liberdade, predileção pela forma aberta que parecem apontar para além delas próprias, ser capazes de continuação, um lado da composição é sempre mais enfatizado do que o outro.

É uma tentativa de suscitar no observador o sentimento de inesgotabilidade e infinidade de representação, uma tendência que domina toda a arte barroca.

Outra característica marcante da pintura barroca em geral é o efeito de ilusão comum nos artistas. Manifesta-se claramente nas pinturas feitas em tectos e paredes de igrejas ou palácios. Os artistas pintam cenas e elementos arquitetônicos (colunas, escadas, balcões, degraus) que dão uma incrível ilusão de movimento e ampliação de espaço, chegando, em alguns casos, a dar a impressão de que a pintura é a realidade e a parede, de facto, não existe.

Outra característica da pintura barroca é a exploração do jogo de luz e sombra, como se pode observar, por exemplo, na obra do pintor italiano Caravaggio, que teve vários seguidores, dentro e fora da Itália.

Podemos citar como exemplos de artistas barrocos:

fibrose cistica

1 INTRODUÇÃO

A Fibrose Cística (FC) ou Mucoviscidose (CID 10: E84) é uma doença genética autossômica recessiva, causada pela mutação em um gene localizado no braço longo do cromossomo 7, locus q31, que codifica a proteína CFTR (Cystic Fibrosis Transmembrane Regulator). Até o momento, foram identificadas mais de mil mutações do mesmo, sendo a ΔF508 aquela mais freqüentemente encontrada. No norte da Europa e nos Estados Unidos, esta mutação está presente em 70% dos cromossomas. No Brasil, Raskin e colaboradores (1993) encontraram a mutação ΔF508 nas seguintes freqüências, de acordo com o estado: RS: 49%, SC: 27%, PR: 44%, SP:52% e MG: 53%.

É a doença hereditária potencialmente letal mais comum da raça branca. No entanto, tem sido descrita em virtualmente todas as raças. A sobrevida mediana em 2001, estimada em pacientes com FC nos Estados Unidos, era de 33,4 anos.

Por se tratar de uma patologia autossômica recessiva, sendo os pais sadios portadores do gene (heterozigotos), em cada gestação existe um risco de 25% de ocorrência da doença (homozigotos) e de 75% do nascimento de crianças sadias, entre as quais 50% serão portadoras do gene defeituoso (heterozigotas) e 25% não apresentarão essa anormalidade genética.

Na Europa, Estados Unidos e Canadá, a incidência da doença varia de 1:2000 a 1:5000 nascidos vivos de raça branca (caucasianos). Na Finlândia, a incidência é de 1:40000. Entre os negros, a incidência varia de 1:15000 a 1:17000 e, entre os orientais, é de 1:90000.No Brasil, há variação da incidência estimada conforme a região. Na região Sul, é mais próxima daquela descrita na população caucasiana centro-européia, enquanto que em outras regiões diminui para cerca de 1:10000 nascidos vivos.

No estado de Minas Gerais, sua pesquisa no exame de triagem neonatal (“teste do pezinho”) foi iniciada no ano de 2003. Com uma cobertura de cerca de 94% dos nascimentos do estado, a incidência tem sido 1/10000. O Centro de Referência para a realização do teste é o NUPAD da Faculdade de Medicina da UFMG, sendo os pacientes triados encaminhados para acompanhamento no Hospital das Clínicas (HC-UFMG) e para o Centro Geral de Pediatria, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG).

A heterogeneidade genética da Fibrose Cística explica parcialmente a grande variabilidade na apresentação clínica da doença, em que algumas mutações são associadas com insuficiência pancreática, sendo a DF508 a mais prevalente, e outras sem insuficiência. No entanto, a correlação entre o genótipo e a gravidade da doença pulmonar é menos clara, já que há outros fatores adicionais que parecem influenciar a taxa de sua progressão.

2- FISIOPATOLOGIA

O defeito na proteína CFTR, induzido pela mutação, causa um transporte anormal dos íons cloro através da superfície do epitélio de vários órgãos, principalmente no trato gastrointestinal, pâncreas e pulmões. No caso da doença pulmonar, o transporte anormal do cloro promoveria desidratação do líquido periciliar, aumentando a viscosidade das secreções das vias aéreas, prejudicando a ação do sistema mucociliar.

A alteração no funcionamento do sistema mucociliar aumentaria a capacidade de aderência de microorganismos ao epitélio brônquico, onde se multiplicam, colonizando-o.Com isso, os pacientes apresentam uma predisposição a infecções bacterianas pulmonares, causadas por determinadas bactérias, desde o período neonatal. A infecção respiratória na FC pode evoluir de forma transitória e reversível para crônica e irreversível. Uma vez estabelecido o processo inflamatório na vias aéreas, este evoluiria de maneira auto-sustentável.

Um dos objetivos do tratamento é retardar ao máximo a instalação da infecção crônica, erradicando precocemente as bactérias potencialmente patogênicas. A partir do momento em que a infecção torna-se crônica, a erradicação não é mais possível, sendo apenas possível conseguir a estabilização da função pulmonar pela redução da carga bacteriana e da inflamação pulmonar.

No trato respiratório, os fenômenos acima descritos alteram o clearance de microrganismos, levando a infecções recorrentes, lesões brônquicas e bronquiectasias. No pâncreas, os dutos exócrinos ficam bloqueados, podendo haver lesões graves mesmo antes do nascimento. A maioria dos homens com Fibrose Cística é infértil, devido ao hipodesenvolvimento dos vasos deferentes, vesícula seminal, ductos ejaculatórios e epidídimo. Nas glândulas sudoríparas, o suor possui um alto conteúdo de sódio e cloretos.

Todos os pacientes com Fibrose Cística apresentam as três seguintes anormalidades, embora em diferentes graus[1]:

  • Concentração anormal de íons inorgânicos nas secreções das glândulas serosas, sendo mais característica a elevada concentração de sódio e cloretos no suor.
  • Aumento na viscosidade de secreções das glândulas mucosas, associado com obstrução e perda secundária da função glandular.
  • Excessiva susceptibilidade à colonização endobrônquica por grupos específicos de bactérias.

Mutação no gene

ß

Defeito no transporte iônico

ß

Diminuição na secreção de fluidos

ß

Aumento da concentração de macromoléculas

ß

Tubulopatia obstrutiva

ß

_________________________________________________________

ß ß ß ß ß

Pulmões Pâncreas Intestino Fígado Testículos

3- MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS [2]

Em virtude do acometimento de múltiplos órgãos pelas secreções viscosas e o grau de obstrução causado por elas, a Fibrose Cística é uma doença multissistêmica e pleomórfica, com um grande espectro de manifestações clínicas, graus de severidade e formas de apresentação, dependentes de vários fatores como o tipo de mutação genética, a idade ao diagnóstico, etc.

MANIFESTAÇÕES GASTROINTESTINAIS

Íleo-meconial (obstrutivo, vôlvulo, peritonite, atresia ileal) ou equivalentes (massas fecais, obstrução)

Insuficiência pancreática exócrina: mal-absorção, esteatorréia

Pancreatite recorrente

Hepatobiliares: icterícia obstrutiva, hipersecreção de muco, vesícula biliar atrófica, litíase biliar, cirrose biliar focal, hipertensão porta, sangramentos, hiperesplenismo

Obstrução intestinal crônica

Prolapso retal

Refluxo gastroesofágico

Hipertrofia das glândulas salivares; saliva mais espessa, com concentração iônica elevada

MANIFESTAÇÕES METABÓLICAS E NUTRICIONAIS

Hipoproteinemia

Anemia

Desnutrição por expoliação

Hipodesenvolvimento

Diabetes mellitus (insuficiência pancreática endócrina)

MANIFESTAÇÕES RESPIRATÓRIAS

Sinusopatia crônica

Polipose nasal recorrente.

Bronquiolite

Bronquite

Broncopneumonia

Bronquiectasia

Atelectasia

Doença pulmonar obstrutiva crônica

MANIFESTAÇÕES DO APARELHO REPRODUTOR

Mulher: aumento da viscosidade do muco vaginal, diminuição da fertilidade (20 a 30% do normal), devida em parte à gravidade da doença pulmonar.

Homem: esterilidade, devida à obstrução, hipodesenvolvimento ou ausência dos ductus Wolffianos, vasos deferentes, epidídimo e vesículas seminais; hérnias inguinais, criptorquia e hidrocele.

OUTRAS MANIFESTAÇÕES

Perda excessiva de eletrólitos pelo suor: suor salgado, presença de cristais de sal na testa Þ desidratação, hiponatremia, hipercalemia, choque pelo calor (insolação).

O Quadro abaixo mostra as manifestações clínicas e sua incidência aproximada ao diagnóstico, segundo o grupo etário

0 A 2 ANOS

Íleo meconial (10 a 15% dos pacientes)

Icterícia obstrutiva

Hipoproteinemia / Anemia

Prostração ao calor / hiponatremia

Hipodesenvolvimento

Esteatorréia (85% dos pacientes)

Prolapso retal (20% dos pacientes)

Bronquite / bronquiolite

Pneumonia estafilocócica

Diátese hemorrágica

2 A 12 ANOS

Mal-absorção (85% dos pacientes)

Pneumonia recorrente / bronquite (60% dos pacientes)

Pólipos nasais (6 a 36% dos pacientes)

Intussepção (1 a 5% dos pacientes)

13 ANOS E MAIS

Doença pulmonar crônica (70% dos pacientes)

Baqueteamento digital

Tolerância anormal à glicose (20 a 30% dos pacientes)

Diabetes mellitus (7% dos pacientes)

Obstrução intestinal crônica ou equivalente do íleo-meconial (10 a 20% dos pacientes)

Pancreatite recorrente

Cirrose biliar focal (15 a 25% dos pacientes)

Hipertensão portal (2 a 5% dos pacientes)

Cálculos biliares (4 a 14% dos pacientes)

Aspermia (98% dos pacientes)

4- CRITÉRIOS PARA O DIAGNÓSTICO DE FIBROSE CÍSTICA

Para o estabelecimento do diagnóstico de Fibrose Cística, devem estar presentes uma ou mais das manifestações clínicas abaixo-relacionadas, associadas à elevação dos cloretos no suor (em duas ou mais ocasiões diferentes) ou à identificação genética de duas mutações de Fibrose Cística ou à anormalidade do transporte iônico epitelial nasal (medida da diferença de potenciais do epitélio nasal):

· Doença pulmonar obstrutiva / supurativa crônica ou doença sinusal crônica

· Insuficiência pancreática exócrina crônica

· História familiar de Fibrose Cística (irmãos ou parentes de 1° grau): em apenas 20% dos pacientes.

· Resultado positivo da triagem neonatal (em duas ocasiões diferentes)

4.1- Triagem neonatal

É a dosagem da Tripsina Imunorreativa (IRT), uma enzima pancreática que reflui para o sangue, devido à obstrução intra-útero dos dutos e canalículos pancreáticos. Nos pacientes de Fibrose Cística, a taxa é 5 a 10 vezes mais elevada que nos recém-nascidos normais.

O sangue deve ser colhido em papel de filtro, até o 5° dia de vida. Os valores de referência dependem do Kit usado. Quando o resultado é positivo, deverá ser colhida nova amostra, no máximo até 45 dias de vida. Caso a segunda amostra seja positiva, a criança deverá ser encaminhada para fazer o teste do suor. Na impossibilidade de colher-se a segunda amostra, deve-se também encaminhar a criança para fazer o teste do suor.

4.2- Teste do suor

É a dosagem de eletrólitos (Cloretos e Sódio) no suor. Na atualidade, é o padrão-ouro para o diagnóstico da Fibrose Cística, com sensibilidade e especificidade superiores a 95%. Nos pacientes com a doença, a concentração de Cloretos é 3 a 5 vezes maior que em indivíduos normais. O método de indução do sudorese e coleta a ser usado será o macroduct, com dosagem de cloretos através do aparelho cloridrômetro. Os valores de referência são:

· Crianças normais: abaixo de 40 mEq/l

· Crianças com Fibrose Cística: acima de 60 mEq/l

· Adolescentes e adultos com Fibrose Cística: acima de 80mEq/l

· Valores entre 40 e 60 mEq/l são considerados duvidosos, devendo ser realizado novo exame.

Não há correlação entre os valores encontrados no suor e a gravidade da doença.

4.3-Análise das mutações: Teste de DNA

A identificação de duas mutações conhecidas confirma o diagnóstico de Fibrose Cística. Se for detectada apenas uma mutação ou se nenhuma for encontrada, não se pode excluir o diagnóstico. Até o momento, já foram descritas mais de mil mutações. O achado das 25 mais freqüentes detecta 80 a 85% dos alelos dos pacientes, o que mostra não ser este exame muito sensível, além de constituir-se num procedimento de alto custo.

5- EXAMES COMPLEMENTARES AO DIAGNÓSTICO

5.1- Testes de função pancreática exócrina

A dosagem de gordura fecal pelo método de Van der Kamer (Sudan III), em fezes de 72h, é o teste mais utilizado. Para uma ingestão de dieta padronizada em 60g de gordura por dia, o valor de referência é de até 3 gramas/ 24h.

5.2- Testes de função hepática

A fosfatase alcalina e a gama-glutamiltransferase (GamaGT) aumentam progressivamente, por causa de estase biliar com regurgitação; as transaminases podem permanecer normais ou levemente aumentadas por longos períodos; pode haver hipoalbuminemia e hipoprotrombinemia.

5.3- Bacteriologia das secreções respiratórias

As culturas persistentemente positivas para Pseudomonas aeruginosa do tipo mucóide, Staphylococcus aureus ou Burkholderia cepacea no escarro, esfregaço orofaríngeo, aspirado traqueal ou sinusal ou lavado broncoalveolar são sugestivas de Fibrose Cística, embora possam ser encontradas em outras doenças respiratórias.

5.4- Testes de função pulmonar

Inicialmente, verifica-se um padrão obstrutivo, pelo comprometimento das pequenas vias aéreas. Com a progressão da doença, há mudança para o padrão restritivo, devido à supuração aliada à fibrose progressiva. A redução da PaO2, devida à obstrução de pequenas vias aéreas, evolui para hipoxemia e, mais tardiamente, para hipercapnia.

5.5- Avaliação urogenital

Deverá ser realizada quando as manifestações da Fibrose Cística são atípicas. Indivíduos que apresentam a Síndrome de ausência congênita bilateral dos vasos deferentes (ACBVD) ou que os tenham rudimentares, normalmente não têm manifestações respiratórias nem insuficiência pancreática, podendo ter concentrações de Cloretos no suor normais, borderline ou elevadas. Nesses casos, só se poderá firmar o diagnóstico de Fibrose Cística se houver concentrações elevadas de cloretos no suor ou a identificação de duas mutações da doença ou pela anormalidade do transporte de eletrólitos através do epitélio nasal.

6- ABORDAGEM GERAL

Devido ao seu caráter multissistêmico e crônico, o tratamento deve ser acompanhado por equipes multiprofissionais capacitadas, em Centros de Referência. Deve ter início o mais precoce possível e ser individualizado, levando-se em conta a gravidade e os órgãos acometidos. Os objetivos gerais do tratamento são:

· Apoio psico-social e educação continuada do paciente e dos familiares

· Profilaxia das infecções

· Correção da insuficiência pancreática e da desnutrição

· Detecção precoce e controle da infecção pulmonar

· Melhora da obstrução brônquica e da drenagem das secreções

· Monitoramento da progressão da doença e das complicações

· Aconselhamento genético familiar

6.1- Imunizações

Os pacientes com FC devem receber além das vacinas habituais, a vacina anual contra Influenza.

6.2- Tratamento da insuficiência pancreática e da desnutrição

6.2.1- Reposição de enzimas pancreáticas

O objetivo é evitar a instalação ou o agravamento da desnutrição e as complicações. A dosagem inicial das enzimas é de 500 a 2000U de lipase/kg/refeição/dia ou 2000 a 4000U/kg/dia (média de 5 refeições ao dia), sendo frequente a necessidade de ajustes. O seu uso é contínuo e devem ser administradas antes de todas as refeições. As cápsulas contêm microesferas de liberação entérica. No trato respiratório, os fenômenos acima descritos alteram o clearance de microrganismos, levando a infecções recorrentes, lesões brônquicas e bronquiectasias. No pâncreas, os dutos exócrinos ficam bloqueados, podendo haver lesões graves mesmo antes do nascimento. A maioria dos homens com Fibrose Cística é infértil, devido ao hipodesenvolvimento dos vasos deferentes, vesícula seminal, ductos ejaculatórios e epidídimo. Nas glândulas sudoríparas, o suor possui um alto conteúdo de sódio e cloretos.

6.2.2- Reposição das vitaminas lipossolúveis: as vitaminas A, D, E e K devem ser administradas continuamente (uma vez ao dia), por via oral, através de formulações hidrossolúveis.

6.2.3-Suporte nutricional: é recomendada a oferta de 50 a 100% de calorias acima das necessidades para a idade. A dieta deve ser hipercalórica e hiperproteica, com teor normal de lípides. Devem ser oferecidos suplementos alimentares, de uso diário.

6.2.4- Outras medidas: nos casos mais graves, podem ser indicadas alimentação através de sonda nasogástrica noturna, nutrição parenteral ou gastrostomia/jejunostomia.

6.3-Diagnóstico microbiológico

O espectro de patógenos relacionados à FC permanece limitado. A seqüência clássica tem relação com a idade e consiste da infecção pelo Staphylococcus aureus nos primeiros anos de vida , seguido do Haemophilus influenzae e Pseudomonas aeruginosa. Durante a última década, o complexo Burkholderia cepacia tornou-se um patógeno importante na FC. Além destes, são considerados microorganismos patogênicos para os pacientes com FC o Alcalígenes xylosoxidans, Aspergillus fumigatus e algumas espécies de micobactérias atípicas.

6.3.1-Escarro: Os paciente que tenham tosse produtiva, devem colher o escarro em toda consulta de controle ou durante consultas decorrentes de exacerbação. Na maioria dos casos, a amostra adequada de escarro pode identificar infecção de vias aéreas inferiores. Em pacientes com pouca produção de escarro, deve ser estimulada a coleta em casa. Cepas de Pseudomonas e Burkholderia podem ser cultivadas de amostras estocadas, em temperatura ambiente, vários dias após a coleta. Entretanto, é preferível que as amostras sejam refrigeradas, e idealmente, processadas duas a três horas após a coleta, o que aumenta as chances de se isolar as bactérias. O fisioterapeuta pode estimular o paciente a colher o escarro. Os vômitos podem conter grande quantidade de escarro, sendo uma fonte potencial de secreções respiratórias para cultura. A expectoração pode ser induzida pela nebulização de substância salina hipertônica (4 a 6%) (77-80). Deve ser dado broncodilatador previamente à nebulização com substância hipertônica, para diminuir o risco de broncoespasmo.

6.3.2- Swab de orofaringe: Deve ser colhido em toda consulta de controle ou de urgência nos pacientes que não têm escarro ou não se consegue colher o escarro. Em um trabalho constatou-se que a cultura positiva para S. aureus e P. aeruginosa é altamente preditiva de infecção respiratória de vias aéreas inferiores, mas resultados negativos não afastam a possibilidade de infecção respiratória baixa. Em outro estudo, a cultura negativa foi considerada útil em descartar infecção respiratória baixa, por outro lado, a cultura positiva não coincidiu com a presença da P. aeruginosa no trato respiratório inferior.

6.3.3-Aspirado Laríngeo: Pode ser realizado, por profissional habilitado, aspirado laríngeo em pacientes que não conseguem eliminar o escarro. O material é obtido com a introdução de uma sonda até 8 a 10 cm pela nasofaringe. A manobra estimula a tosse e permite a aspiração do material. A secreção é removida da sonda por instilação de solução salina e enviada para cultura .

6.3.4- Lavado broncoalveolar: A broncoscopia, com lavado broncoalveolar, pode ser útil nos casos que evoluam com piora do quadro respiratório ou com cultura negativa de secreção de vias aéreas superiores. Também somente deve ser realizado por profissional experiente para se evitar a disseminação da infecção para os pulmões.

6.3.5- Anticorpos anti-Pseudomonas: É recomendável a realização da dosagem de anticorpos anti-Pseudomonas por ocasião da primeira infecção e da revisão anual. A presença de anticorpos anti-Pseudomonas sugere a presença da bactéria no trato respiratório de pacientes com Fc, enquanto a ausência praticamente afasta a possibilidade de infecção por P. aeruginosa. Freqüentemente, os níveis de anticorpos são normais durante a primeira infecção. Nesta situação, a erradicação pode ser alcançada. A monitoração regular dos níveis de anticorpos anti-Pseudomonas compensa a baixa sensibilidade das culturas de vias aéreas, em pacientes que não produzem escarro. Em pacientes crônicos, os níveis de anticorpos encontram-se sempre elevados e relacionam-se com a gravidade do envolvimento pulmonar.

6.3.5- Meio de cultura: A P.aeruginosa pode ser isolada em meios de cultura padrão, como o Agar sangue a 5% ou Agar-chocolate (72). Os meios seletivos, como o agar cetrimide, facilitam o isolamento da P.aeruginosa e inibe o crescimento de outras bactérias. As placas devem ser incubadas a 35,8 °C, numa atmosfera com CO² a 5% (92).

6.3.6- Antibiograma: Deve sempre ser levado em consideração para o uso clínico dos padrões de susceptibilidade antimicrobiana na FC

· Há possibilidade da ocorrência de mais de uma cepa de Pseudomonas aeruginosa, com susceptibilidades antimicrobianas diferentes, isoladas de um mesmo material;

· A definição convencional de resistência antimicrobiana, que é baseada no nível sérico da droga e na concentração inibitória mínima (CIM) in vitro, não se aplica a infecções pulmonares na FC quando tratada por antibióticos inalatórios;

· Na presença do alginato, característica das cepas de P. aeruginosa mucóide, são necessárias concentrações 100 a 1000 vezes maiores de certos antibióticos para alcançar a CIM, se comparados com as variantes não mucóides. Com a remoção da camada de alginato, as cepas mucóides tendem a apresentar menor resistência antimicrobiana do que as cepas não mucóides.

· Idealmente, o antibiograma deveria ser realizado também com discos de associação de antibióticos.

7- Abordagem da obstrução brônquica e drenagem das secreções

7.1- Fisioterapia respiratória: é um dos pilares do tratamento. A finalidade é a obtenção de uma eficaz limpeza brônquica e drenagem das secreções. Os exercícios prescritos devem ser realizados diariamente pelo próprio paciente ou familiar treinado e idealmente, uma vez por semana, com o fisioterapeuta. Os pacientes devem também ser estimulados a realizarem uma atividade física espontânea, com exercícios próprios para a idade e treinamento regular em alguma modalidade de esporte.

7.2- Fluidificação das secreções brônquicas: em alguns pacientes, selecionados por critérios clínicos e de função pulmonar, é utilizada a Dnase (Dornase alfa), uma enzima que auxilia a fluidificação do muco, através da fragmentação do DNA liberado de leucócitos, células inflamatórias e células epiteliais mortas no mesmo. O uso é diário ou em dias alternados, pela via inalatória, através de nebulizador próprio.

7.3- Broncodilatadores: são benéficos apenas nos pacientes com quadro de broncoespasmo e resposta broncodilatadora positiva à espirometria.

7.4- Corticosteróides: os corticosteróides inalatórios podem ser úteis nos casos de Fibrose Cística com sibilância recorrente. Já os corticosteróides orais têm sua indicação controversa, por causa dos inúmeros efeitos colaterais.

7.5- Anti-inflamatórios não-hormonais: no momento, não são de uso rotineiro, embora alguns estudos demonstrem benefícios com o uso do Ibuprofeno e da Azitromicina.

8- Tratamento antimicrobiano das infecções respiratórias

O principal objetivo do tratamento é prevenir, erradicar ou controlar todos os tipos de infecção respiratória, particularmente infecções endobrônquicas causadas por Staphylococcus aureus, Haemophilus influenzae, Pseudomonas aeruginosa, Burkholderia cepacia, Stenotrophomonas maltophilia, Alcalígenes xylosoxidans, Aspergillus fumigatus e Micobactérias atípicas.

A escolha do antimicrobiano inicial deve ser guiada pelo antibiograma da cultura anterior e/ou pelo padrão de susceptibilidade antimicrobiana de cada centro de FC. O esquema antimicrobiano deve ser revisto se houver diferença entre os antibiogramas da cepa anterior e da cepa vigente.

Nos casos de resistência antimicrobiana múltipla in vitro, pode-se optar pelo esquema antibiótico que se correlacionou com evolução clínica favorável usado em tratamento anterior.

Devem ser considerados os seguintes aspectos para a escolha dos antibióticos venosos:

  • Padrão de susceptibilidade do microorganismo.
  • Ocorrência de efeitos colaterais prévios.
  • Alternativa mais barata.
  • Devem ser usadas doses mais altas, devendo ser feita dosagem sérica semanal dos aminoglicosídeos.
  • O tratamento deve ser feito por pelo menos 14 dias.

8.1- Tratamento da infecção por Staphylococcus aureus


8.2- Tratamento da infecção causada por Haemophilus influenzae


8.3- Tratamento da infecção causada por Pseudomonas aeruginosa


Outras opções de tratamentos para erradicação da P. aeruginosa

Tobramicina inalada 80mg, 12/12h, por 12 meses.

ß-lactâmico/tobramicina EV por 18-21 dias, seguido de 2 meses de colimicina inalada.

Antibióticos EV por 3 semanas, seguido de 3 meses de ciprofloxacina oral e/ou 80mg de tobramicina inalada.

Tobramicina e timentim ou ceftazidima EV, por 2 semanas, seguido de 2 meses de tobramicina inalada 300 mg 12/12h e ciprofloxacina oral

8.3.1- Diagnóstico de exacerbação aguda

Não existe uma definição universalmente aceita para exacerbação respiratória. Alguns especialistas sugerem que o paciente deva ter pelo menos 4 dos seguintes sintomas:

a. Aumento da tosse produtiva ou do cansaço.

b. Alteração na aparência e no volume do escarro.

c. Alteração da ausculta respiratória

d. Alteração da radiografia de tórax

e. Diminuição do apetite

f. Diminuição dos valores de função pulmonar

g. Febre

O sinal objetivo mais importante para o diagnóstico da exacerbação pulmonar, em pacientes com idade suficiente para realizar provas de função pulmonar, é a queda de 10% ou mais do FEV1 ou FVC em relação aos parâmetros basais, associado à piora de 2 ou mais sintomas respiratórios.

8.3.2- Tratamento das infecções crônicas por Pseudomonas aeruginosa

A infecção crônica é definida como a presença da P. aeruginosa na árvore brônquica por pelo menos 6 meses, baseado em pelo menos três culturas positivas, com pelo menos um mês de intervalo entre elas, com sinais diretos (inflamação, febre, etc) ou indiretos (resposta anticorpo específica) de infecção ou dano tecidual.

A infecção crônica também pode ser diagnosticada pela presença de anticorpos específicos, em duas ocasiões diferentes, em pacientes que não expectoram ou com cultura negativa.

Pacientes cronicamente colonizados por P. aeruginosa, aparentemente saudáveis, apresentam risco de declínio da função pulmonar e morte prematura. Por outro lado, não existem dados conclusivos se a administração crônica de antibióticos, na ausência de sintomas clínicos, possa diminuir a velocidade de declínio da função pulmonar.

8.3.2.1- Pacientes clinicamente estáveis: podem ser tratados por demanda (tratar as exacerbações). São definidos como pacientes estáveis :

§ Paciente que apresente até quatro exacerbações leves por ano.

§ Paciente com pouca ou nenhuma produção de escarro

§ Sem cepas mucóides na cultura de secreção de vvaa

§ Com função pulmonar estável (declínio do FEV1 menor que 5% ao ano)

§ Níveis séricos de anticorpos anti-Pseudomonas baixos

8.3.2.2- Pacientes com instabilidade clínica: deve ser considerado o uso regular de antibióticos anti-Pseudomonas por nebulização, associado ou não ao tratamento venoso regular a cada três meses. São definidos como instáveis os pacientes que:

§ apresentem mais de quatro exacerbações por ano

§ produzam muito escarro

§ apresentem cepas mucóides

§ apresentem função pulmonar em declínio importante (queda de mais de 5% do FEV1 ao ano)

§ apresentem níveis séricos de anticorpos anti-Pseudomonas elevados, devem receber tratamento de manutenção.


Antibióticos anti-Pseudomonas nebulizados terapia de manutenção– doses

Terapia antibiótica intravenosa a cada três meses

Não existem evidências conclusivas que suportem a terapia eletiva, ainda que a prática seja muito difundida. As vantagens e desvantagens do tratamento eletivo devem ser discutidas com o paciente e seus responsáveis.

Pacientes que experimentam piora da função pulmonar entre os cursos venosos trimestrais, devem receber antibióticos nebulizados nos intervalos dos cursos.

Pacientes cronicamente infectados, que se apresentem estáveis clinicamente, devem receber antibióticos nebulizados como tratamento de manutenção e antibióticos intravenosos apenas durante as exacerbações.

ESQUEMA: Cursos de duas semanas de associação de 2 antibióticos anti-Pseudomonas intravenosos, a cada 3 meses.

Uso continuado de macrolídeos na fibrose cística

O uso por longo prazo de alguns macrolídeos, como a eritromicina e a azitromicina, tem efeito benéfico anti-inflamatório em pacientes com FC, infectados por P.aeruginosa. A azitromicina diária (250 mg) por três meses, em adultos com FC, pode permitir a estabilização da função pulmonar, a diminuição do número de cursos de antibióticos venosos e a melhora do score de qualidade de vida. Poderá ser iniciada azitromicina de forma continuada em pacientes colonizados cronicamente por P. aeruginosa, quando a evolução for insatisfatória.

8.4-Tratamento de infecções causadas pela Burkholderia cepacia


Em caso de infecção grave por B. cepacia utilizar ceftazidima, meropenem ou imipenem, nas mesmas doses usadas para tratamento da P. aeruginosa.

8.5- Tratamento da Stenotrophomonas maltophilia

A importância clínica da S. maltophilia na FC permanece incerta. Existem relatos de deterioração aguda em pacientes com FC após a aquisição da bactéria. Outros relatos relacionam a aquisição da S. maltophilia a uma deterioração arrastada, assim como a P. aeruginosa, entretanto, exitem estudos que não encontraram nenhuma relação. Existe um relato isolado de que a deterioração gradual somente ocorreria em pacientes colonizados com uma densidade superior a 1.000.000 de colônias por ml de escarro.

A S. maltophilia é resistente à maioria dos antibióticos anti-Pseudomonas. Somente o cotrimoxazol parece ter uma atividade consistente contra a bactéria, mas a minociclina, ticarcilina/clavulanato e aztreonam mais amoxicilna/clavulanato parecem ser ativos. A associação ceftazidima mais aminoglicosídeo ou ciprofloxacina tem ação sinérgica in vitro contra algumas cepas de S. maltophilia. Alguns estudos sugerem que a associação azitromicina mais cotrimoxazol tem ação sinérgica contra 20% das cepas de S. maltophilia isoladas de pacientes com FC.

8.6- Tratamento da Alcaligenes xylosoxidans

Altas concentrações de colimicina (100 a 200 μg/ml) inibiram 92% das cepas. Minociclina, imipenem, meropenem, piperacilina e piperacilina/tazobactam tiveram atividade contra cerca de 50-60%. O cloranfenicol ou a associação minociclina mais ciprofloxacina, mais meropenem ou imipenem inibem cerca de 35% das cepas.

8.7- Tratamento Aspergilose Brocopulmonar Alérgica (ABPA)

A ABPA é uma doença brônquica imuno-mediada que causa bronquiectasias, e resulta da exposição ao Aspergillus fumigatus. O reconhecimento e tratamento precoces previnem complicações a longo prazo. O início da ABPA pode ser abrupto ou insidioso, com quadro sorológico e radiológico precedendo os sintomas clínicos. A incidência nos EEUU é de 7,1%. Existe um limite tênue entre a suspeição e o diagnóstico de ABPA, que é baseado nos seguintes aspectos:

· Ocorrência de sintomas de asma.

· Alterações novas na radiologia de tórax, como atelectasias, consolidação, imagens sugestivas de bronquiectasias.

· Níveis de Ig E acima de 500 ui/L ou aumento em 4 vezes dos títulos de Ig E.

· Aumento da Ig E específica (RAST para Aspergillus fumigatus) ou teste cutâneo positivo para Aspergillus fumigatus.

· Eosinofilia maior que 500/mm³.

· Cultura de escarro positiva ou hifas do fungo identificadas à microscopia.

O tratamento da ABPA é com corticosteróide. A melhora clínica e radiológica, com a queda dos níveis de Ig E após o tratamento, é uma indicação do diagnóstico apropriado.

Prednisona oral na dose de 0,5 a 1 mg/kg/dia, por 2 semanas. Se houver melhora dos sintomas, da função respiratória e da radiologia após 2-3 semanas, dar 0,5 mg/kg em dis alternados por 2-3 meses.

A resolução dos sintomas, o retorno da função pulmonar a padrões anteriores à ABPA, a resolução de alterações radiológicas e a queda da Ig E total em 35%, por dois meses, são indicadores de remissão da ABPA.

· Se não houver redução nos níveis Ig E, considerar adesão inadequada ao tratamento com corticóide e revisar o diagnóstico. A ausência de facies Cushingóide, durante o período de tratamento com prednisona, 1mg/kg/dia, sugere não adesão ao tratamento, ou absorção deficiente. Se houver certeza do diagnóstico, uma a duas semanas com dose de 2 mg/kg/dia de prednisona pode ser efetiva, se houver falha da dose de 1 mg/kg/dia.

· Quando os níveis de IG E diminuírem, as doses em dias alternados podem ser diminuídas gradativamente, até a retirada completa em 8 a 12 semanas. A radiografia de tórax deve ser repetida após 1 a 2 meses, e depois a cada 4 a 6 meses. O aumento dos níveis de Ig E pode significar uma recaída, e necessitar aumento da dose de prednisona.

· A indicação do itraconazol ainda não está bem estabelecida, não havendo trabalhos controlados sobre a questão. Entretanto, pode ser uma opção à prednisona, no caso de recaídas freqüentes. Alguns serviços iniciam o itraconazol junto com a prednisona, sendo que as doses de itraconazol usadas são de 100-200 mg, duas vezes ao dia. Os anti-ácidos e bloqueadores H2 podem prejudicar a absorção do itraconazol, que pode aumentar os níveis séricos da cisaprida e de anti-histamínicos. A função hepática deve ser monitorada durante o tratamento com o itraconazol.

8.8- Tratamento das Micobactérias atípicas

Não é possível determinar quando as bactérias encontradas são contaminantes ou representam uma infecção real. Não existem evidências consistentes de que o tratamento antibiótico é benéfico.

Os pacientes com doença pulmonar crônica supurativa são candidatos potenciais de infecção por micobactérias atípicas. A desnutrição, a idade avançada , a gravidade da doença, o uso freqüente de antibióticos intravenosos, diabetes mellitus e tratamento com corticóides podem ser fatores relevantes para o desenvolvimento da infecção por micobactérias atípicas. Usando-se os métodos apropriados, pode-se identificar cepas de micobactérias atípicas em cerca de 20% dos pacientes com FC.

A infecção por micobactérias atípicas pode causar infiltrados e cavitação na radiologia de tórax, tosse, hemoptise, perda de peso e febre baixa, podendo se confundir com a infecção por P. aeruginosa. Na maioria dos casos, a micobactéria não é a responsável pela infecção.

Uma única cultura positiva parece não ter significância clínica mas, se houverem vários escarros e culturas positivas, deve-se suspeitar de infecção ativa. A broncoscopia, com biópsia transbrônquica, ou endobrônquica, pode ser útil em alguns casos. A presença de granuloma confirma a doença.

A decisão de tratar é normalmente baseada em critérios clínicos, na deterioração clínica na presença da micobactéria atípica, e na falência na resposta ao tratamento de patógenos respiratórios convencionais da FC.

9- Uso de Dornase alfa

Trata-se da DNAase recombinante humana, medicação aplicada por inalação, que tem por objetivo clivar os filamentos de DNA oriundos de PMN mortos, resultante do processo inflamatório, diminuindo a viscosidade do muco e facilitando a expectoração.

Pacientes com infecção brônquica bacteriana crônica apresentam grandes quantidades de mediadores inflamatórios e DNA liberados de neutrófilos decompostos. O DNA liberado de neutrófilos mortos aumenta a viscosidade da secreção brônquica, contribuindo para aumentar o dano epitelial. O dano epitelial nas vias aéreas de pacientes com Fibrose Cística, provocado pela inflamação crônica, prejudica o clearence mucociliar e facilita a adesão e o crescimento da Pseudomonas aeruginosa, e alimenta o ciclo vicioso da inflamação brônquica.

A indicação do tratamento com dornase alfa é a seguinte:

  • Crianças maiores de 6 anos, que possam realizar prova de função pulmonar.
  • Pacientes que apresentem CVF > 40% e VEF 1 <>
  • Pacientes que apresentem produção crônica de escarro.

A dose usual é de 2,5 mg/dia, ou seja, nebulização de 1 ampola de dornase alfa por dia.

Apesar de haver indícios de que a dornase alfa em dias alternados pode ser eficaz, seria mais prudente adotar a dose clássica diária por três meses inicialmente, e deixar a cargo do julgamento clínico da equipe que assiste o paciente se seria indicado trocar o esquema para dias alternados.

Durante algum tempo houve a preocupação de que a dornase alfa pudesse aumentar os níveis de interleucina-8 e de elastase neutrofílica, tendo impacto no processo inflamatório, mas estudos posteriores não confirmaram esta hipótese.

CONTROVÉRSIA: Dornase alfa ou Solução salina hipertônica?

Existem estudos que sugerem que a solução salina hipertônica poderia ser um mucolítico eficaz na FC, obtendo resultados semelhantes à dornase alfa, mas ainda faltam estudos que garantam a segurança do uso da solução salina hipertônica a longo prazo, no que diz respeito ao aumento da taxa de infecção respiratória em pacientes com Fibrose Cística. As controvérsias se referem à possibilidade de que ao tornar a secreção brônquica mais hipertônica possa ocorrer inativação das beta defensinas humanas.

10 - Prevenção de colonização cruzada

Nos Centros de Referência, os pacientes com fibrose cística devem ser separados de acordo com a colonização bacteriana, podendo ser agrupados em não colonizados, colonizados de maneira intermitente ou colonizados cronicamente por determinada bactéria. Todos os esforços devem ser feitos para se evitar a colonização crônica dos pacientes, especialmente pela Pseudomonas aeruginosa que, caso se instale, aumenta a morbi-mortalidade.

Um paciente poderá ser colonizado crônico para uma bactéria e não ser para outra, razão pela qual todos os pacientes tratados em Centros de Referência receberão um cartão de identificação onde constará a situação de colonização do paciente. Se houver colonização crônica concomitante de duas ou mais bactérias, o paciente deverá ser identificado pela bactéria relacionada a um prognóstico pior.

Para facilitar a separação pela colonização bacteriana, os pacientes serão identificados pelos seguintes cartões:

  • Cartão branco: não colonizado ou com colonização intermitente.
  • Cartão amarelo: colonizado crônico por Staphylococcus aureu(MSSA ou OSSA).
  • Cartão verde: colonizado crônico por Pseudomonas aeruginosa.
  • Cartão vermelho: colonizado crônico por Staphylococcus aureus (MRSA ou ORSA), Burkholderia cepacia, Stenotrophomonas maltophilia ou Alcaligenes xilosoxidans.

10.1- São considerados não colonizados os pacientes com FC que nunca tiveram infecção brônquica documentada por cultura de escarro, swab de faringe ou aspirado traqueal causadas por uma determinada bactéria considerada patogênica.

10.2- São considerados colonizados de maneira intermitente os pacientes que apresentarem infecções brônquicas documentadas por cultura de escarro, swab de faringe ou aspirado traqueal causadas por uma determinada bactéria considerada patogênica, mas que não atinjam a freqüência de três infecções em seis meses.

10.3- São considerados colonizados crônicos os pacientes com FC que apresentarem três (3) infecções brônquicas documentadas por culturas de escarro, swab de faringe ou aspirado traqueal, apesar do tratamento adequado, em um período de seis (6) meses, causadas por uma determinada bactéria patogênica.

RECOMENDAÇÃO: Os pacientes cronicamente colonizados devem ser atendidos em dias diferentes dos pacientes não cronicamente para se evitar a infecção cruzada. Os pacientes cronicamente colonizados por Staphylococcus aureus(MRSA ou ORSA), Pseudomonas aeruginosa e Burkholderia cepacia devem ser separados em grupos distintos para que não haja infecção cruzada entre eles.

11- Prevenção da colonização crônica da P. aeruginosa

A P. aeruginosa é um germe ubíquo, sendo encontrado tanto em ambientes naturais quanto em ambientes hospitalares. Pode ser encontrada em plantas, no solo e ambientes úmidos que contenha material orgânico, ou excretas humanas ou de animais. A água do mar não é um ambiente propício para o crescimento da bactéria, devido à quantidade de sal. Banheiras de hidroterapia e jacuzzis são ambientes de alto risco para contaminação por P. aeruginosa. Piscinas adequadamente cloradas não oferecem risco de contaminação.

11.1- Equipamentos: Nebulizadores domésticos, quando adequadamente secos, não são meios de cultura para a P. aeruginosa, mas pode sê-lo para a B. cepacia. Equipamentos odontológicos representam um risco pequeno para a disseminação da bactéria, sendo encontrada em cerca de 2,9% dos reservatórios de água, apesar disto existem discrições de infecção por P. aeruginosa por esta via.

11.2- Hospital: Existem estudos que isolaram a P. aeruginosa em pias de hospitais, especialmente durante as manhãs, o que foi relacionado ao crescimento bacteriano durante a noite. A bactéria foi detectada até 180 minutos em mãos, após exposição experimental. Na vigência das práticas microbiológicas usuais, não existem evidências de que o ambiente hospitalar seja uma fonte potencial de infecção pela P. aeruginosa

11.3- Infecção cruzada em ambulatório de FC: as evidências são contraditórias. Como existe o risco potencial de infecção cruzada entre os pacientes com FC, considera-se como recomendável a separação de pacientes cronicamente colonizados por P. aeruginosa dos pacientes não cronicamente colonizados, em dias de ambulatórios diferentes. Seria altamente recomendável o atendimento separado de crianças diagnosticadas pela triagem neonatal das crianças maiores, em dias de ambulatório diferentes, até que as primeiras completem 2 anos de vida ou fiquem colonizadas pela P. aeruginosa.

11.4- Infecção cruzada entre irmãos com FC: a transmissão intra-familiar pode ocorrer, mas nem sempre ocorre.

11.5- Outras fontes: As taxas de contaminação fecal variam de cerca de 10% em indivíduos normais a 40% em pacientes internados. Entretanto, na FC, existem dados que apontam a contaminação das vias aéreas precedendo a contaminação intestinal .

12- Complicações da Fibrose Cística

12.1- Sistema respiratório

12.1.1- Pólipos nasais: incidem em 6 a 36% dos pacientes e aparecem mais frequentemente no final da infância e início da adolescência. O tratamento geralmente é cirúrgico e difícil. Podem ser recorrentes ou ter regressão espontânea.

12.1.2- Sinusite: opacificação radiológica e hipodesenvolvimento dos seios da face ocorrem em quase todos os pacientes de Fibrose Cística. Os seios da face são colonizados pelos mesmos microrganismos do trato respiratório inferior, ou seja: P. aeruginosa, S. aureus, H.influenzae e anaeróbios. Os casos resistentes aos antibióticos podem necessitar de cirurgia.

12.1.3- Bronquiectasias: são progressivas e difusas na grande maioria dos pacientes e, portanto, o tratamento deve ser clínico. O tratamento cirúrgico é indicado apenas nos poucos casos de lesões localizadas e extensas, quando o paciente apresenta sintomas intensos e desproporcionais à gravidade geral de sua doença pulmonar, sem resposta ao tratamento clínico agressivo. Há melhora dos sintomas com a ressecção cirúrgica, mas é controverso o quanto isto altera o prognóstico a longo prazo.

12.1.4- Atelectasias: os achados comuns áreas esparsas de atelectasias, mas colapsos lobares completos ocorrem em menos de 5% dos pacientes, sendo o lobo médio o mais freqüentemente acometido. O tratamento é clínico e, nos casos resistentes, através de broncoscopia. A recidiva é comum.

12.1.5- Osteoartropatia pulmonar hipertrófica: incide em 2 a 7% dos pacientes. É associada com doença pulmonar grave e, portanto, tende a ocorrer em pacientes mais velhos. Consiste na tríade de artrite, baqueteamento digital e periosteíte. Os ossos tubulares longos são os mais comumente atingidos. O tratamento é clínico.

12.1.6- Refluxo gastroesofágico: ocorre em associação com a doença pulmonar. De modo geral, responde bem ao tratamento clínico convencional.

12.2- Sistema cardiovascular

12.2.1- Hipertensão pulmonar / cor pulmonale: a inflamação pulmonar progressiva e a hipoxemia associada resultam em remodelamento vascular pulmonar extenso, tendo como conseqüência a hipertensão pulmonar, que poderá seguir-se de hipertrofia ventricular direita (cor pulmonale). A maioria dos pacientes melhora com o tratamento da exacerbação pulmonar aguda, restrição hídrica, diuréticos e oxigenoterapia.

O objetivo desta última é corrigir a hipoxemia, mantendo adequados o equilíbrio ácido-básico e a eliminação de CO2, retardando assim a hipertensão pulmonar e o cor pulmonale. As indicações são: O2 ao exercício: SaO2 < style=""> SaO2 <>10% do tempo de sono total; O2 contínuo: PaO2 <>

Edema

Hematócrito > 55%

Onda p pulmonale no ECG

Quanto à ventilação mecânica, considerar:

1) Indicada: Lactentes (maioria dos casos)actentes (maioria dos casos)

Complicações reversíveis: pneumotórax, broncoespasmo,obstrução de brônquio central por muco, regime terapêutico subótimo.

Possível indicação: Paciente aceito como candidato a transplante.

Não indicada: Falência respiratória progressiva, que não responde à terapia padrão intensiva.

12.3- Sistema digestivo

12.3.1- Íleo-meconial: 90% de todos os casos são devidos à Fibrose Cística . Ocorre em 10 a 15% dos pacientes, que apresentam um quadro de obstrução intestinal nas primeiras 48 horas de vida. O tratamento dos casos não complicados é feito através de enemas com Gastrografina, N-acetil-cisteína ou outras combinações. Os casos acompanhados de atresia, vôlvulo ou perfuração intestinal deverão ser submetidos à cirurgia.

12.3.2- Síndrome da obstrução intestinal distal (equivalente do íleo-meconial): ocorre em 10 a 20% dos pacientes, sendo mais comum nos mais velhos. Na maioria dos casos, a obstrução é parcial, mas pode ser completa ou complicar-se com vôlvulo e intussepção. O tratamento é clínico, através de enema com agentes mucolíticos ou soluções balanceadas de lavagem intestinal por via oral ou sonda nasogástrica. Pode haver recorrência.

12.3.3- Prolapso retal: ocorre em até 20% dos pacientes, mais comumente entre 6 meses e 1ano de idade e é frequentemente recorrente. Resolve-se espontaneamente ao início da reposição de enzimas pancreáticas.

12.3.4- Pancreatite: pode haver pancreatite recorrente, nos pacientes com função pancreática residual. É mais comum em adolescentes e adultos. O diagnóstico diferencial é difícil e o tratamento é clínico. O quadro desaparece quando se perde totalmente a função pancreática.

12.3.5- Sistema hepatobiliar: Cerca de 2 a 5% dos pacientes apresentam evidência clínica de envolvimento hepatobiliar, cuja incidência e apresentação variam com a idade: icterícia obstrutiva no período neonatal, esteatose hepática (30 a 60% das crianças mais velhas), cirrose biliar focal (patognomônica de Fibrose Cística, ocorrendo em cerca de 10% dos pacientes mais velhos), cirrose multilobar (ocorre em cerca de 2% dos pacientes), que evolui para hipertensão portal progressiva. Cerca de 30% dos pacientes têm anormalidades de função da vesícula e 5 a 10% apresentam cálculos. Entretanto, doença biliar clinicamente significante ocorre em somente 3,6% dos pacientes (colelitíase, colecistite e colangite). O tratamento pode ser clínico, com ácido Ursodeoxicólico ou cirúrgico (colecistectomia). Pode haver também estenose do colédoco.

12.4- Sistema reprodutor

12.4.1- Atraso da puberdade: devido aos fatores nutricionais e ao efeito da doença crônica

12.4.2- Homens: aproximadamente 98% dos homens com FC são inférteis, mas com funções hormonais e caracteres sexuais normais.

12.4.3- Mulheres: o potencial para a gravidez existe, embora a taxa de fertilidade seja de aproximadamente 20 a 30% do normal. Os métodos contraceptivos devem, portanto, ser oferecidos a todas as mulheres sexualmente ativas

12.5- Diabetes mellitus

Cerca de 40% dos pacientes apresentam evidências de diminuição da tolerância à glicose, com níveis elevados de hemoglobina glicosilada. Diabetes mellitus franco ocorre em 7% dos adultos. Com insulina, a hiperglicemia é facilmente controlada.

13- URGÊNCIAS NA FIBROSE CÍSTICA

13.1- Desidratação / Hiponatremia

Nas épocas de calor, bem como durante exercícios físicos ou febre, pode ocorrer desidratação aguda hiponatrêmica. Esta situação é tratada com a administração adicional de sal: refeições mais salgadas, Soro de Reidratação Oral[3] ou sal puro:

· 1 g/dia para os menores de 1 ano

· 2 g/dia para crianças de 2 e 3 anos

· 3 a 4 g/dia para crianças acima de 4 anos

13.2- Hipoxemia (PaO2 <>

O objetivo da oxigenioterapia é corrigir a hipoxemia (alcançar a PaO2 > 60 Torr ), com adequada eliminação do dióxido de carbono, mantendo o equilíbrio ácido-básico, no sentido de retardar o desenvolvimento da hipertensão pulmonar e do cor pulmonale.

§ Hipoxemia crônica diurna:

Se a intensificação das medidas terapêuticas padronizadas não corrige a hipoxemia é necessário usar oxigênio suplementar contínuo para limitar o desenvolvimento de hipertensão pulmonar e cor pulmonale.

§ Hipoxemia noturna:

Alguns pacientes apresentam adequada oxigenação diurna mas experimentam dessaturação da hemoglobina durante o sono, o que se associa ao sono REM, menor tempo de sono total e aumento e aumento da pressão arterial pulmonar.

Estes pacientes devem receber oxigênio noturno, o que aumenta o bem estar do paciente e diminui a freqüência de internações. Todo paciente que tiver saturação menor que 92% deve ser investigado para hipoxemia noturna, sendo indicada a suplementação se mais de 10% do tempo do sono total permanecer com menos de 90% de saturação de O2.

13.3- Pneumotórax

A incidência aproximada é de 1% ano. A incidência aumenta com a idade e a gravidade da doença. Aproximadamente 16 a 20% dos adultos com fibrose cística experimentam um episódio de pneumotórax em alguma época da vida.

Diagnóstico:

Deve ser suspeitado quando o paciente apresentar dor torácica de início súbito associada a desconforto respiratório. Alguns pacientes podem ser assintomáticos. Os sinais clínicos mais comuns incluem taquipnéia, taquicardia, dispnéia, palidez e cianose.

A radiografia de tórax em PA e perfil é o mais importante exame complementar para diagnóstico do pneumotórax. Se necessário, radiografias em inspiração, expiração e decúbito lateral contralateral ao pneumotórax, podem ser úteis para detectar a presença de ar livre no espaço pleural.

Tratamento:

1) Todo paciente com pneumotórax recém diagnosticado, mesmo que assintomático, deve ser internado e mantido de observação por pelo menos 24 horas.

2) Em pacientes assintomáticos com pneumotórax diagnosticado por achado radiológico, a radiografia deve ser repetida após 24 horas da admissão.

3) Se o paciente permanecer estável, assintomático e sem piora radiológica do pneumotórax, poderá receber alta e ser acompanhado no ambulatório.

4) Se o pneumotórax for sintomático ou ocupar mais de 20% do volume total do hemitórax, o paciente deve ser submetido à colocação de dreno de tórax fechado em selo d’ água.

a) Caso o local de atendimento não disponha de condições para tal, o paciente deverá ser transferido para a unidade de saúde mais próxima apta a realizar o procedimento.

b) Se apesar da colocação do dreno o paciente permanecer com sintomas ou não houver resolução do pneumotórax, um segundo dreno deve ser colocado.

c) Uma vez que o escape de ar pára de acontecer (selo d’ água pára de borbulhar), o dreno pode ser retirado.

d) Caso haja dúvidas sobre a segurança da retirada do dreno de tórax, o mesmo deve ser fechado por 12 horas e reavaliado para verificar se haverá a recorrência do pneumotórax.

e) Se não houver melhora do escape de ar após 5 dias, deve ser considerada a realização de cirurgia de pleurodese do hemitórax acometido por abrasão do local da fístula broncopleural ou pelo uso de agentes esclerosantes no espaço pleural (ex.: talco).

13.4- Hemoptise

Incidência: Cerca de 1% dos FC apresentam um episódio de sangramento maior por ano, sendo a grande maioria maior de 16 anos. A maioria das hemoptises maiores agudas em fibrose cística são auto-limitadas, durando menos de quatro dias, e não necessitando broncoscopia.

§ Hemoptise menor (escarro hemoptóico):

A presença de escarro hemoptóico na FC é muito comum e não requer tratamento específico. A persistência do quadro pode indicar uma exacerbação de infecção pulmonar e requerer terapia antimicrobiana. Devem ser afastados fatores contribuintes, como o uso crônico de AAS ou anti-inflamatórios não hormonais.

§ Hemoptise maior (sangramento intenso):

A hemoptise maior é definida como o sangramento agudo de grande quantidade de sangue, 240 ml de sangue em 24 horas, o que pode levar à asfixia ou à hipotensão aguda. O sangramento recorrente de volume substancial, mais de 100 ml por dia, por um curto período de tempo, 3 a 7 dias, também é considerado sangramento maior. Esses episódios podem desencadear:

§ Asfixia

§ Obstrução da via aérea

§ Hipotensão

§ Anemia

§ Pneumonite química

§ Exacerbação pulmonar

Diagnóstico

§ È essencial diferenciar a hemoptise maior do sangramento tem origem da vias aéreas superiores ou trato gastrointestinal.

§ A história clínica pode identificar um quadro de epistaxe, vômitos, pirose, plenituide gástrica.

§ Deve-se investigar história compatível com aspiração de corpo estranho.

§ O exame clínico pode identificar local de sangramento na via aérea superior.

§ A colocação de uma sonda nasogastrica para aspiração de conteúdo gástrico pode ajudar na diferenciação do local do sangramento.

§ Deve-se investigar o uso de drogas que podem contribuir para o sangramento como AAS, anti-inflamatórios não hormonais, anti-agregantes plaquetários, heparina , etc.

§ A radiografia de tórax pode auxiliar na identificação de alterações agudas nos pulmões, na tentativa de localização do sangramento, e na identificação de sinais de aspiração de corpo estranho (hiperinsuflação localizada ou unilateral).

§ Devem ser realizados: hemograma completo com contagem de plaquetas, coagulograma, testes de função renal, tipagem sangüinea e prova cruzada, assim como cultura de escarro.

§ A broncoscopia pode ser útil na localização do sangramento, mas o procedimento pode não ter sucesso. A broncoscopia é indicada quando o sangramento persiste, recorre ou torna-se progressivo.

§ Uma vez que o local do sangramento é conhecido o procedimento mais correto é a embolização da artéria que supre a área da lesão.

Tratamento:

§ Apoio psicológico ao paciente e, se necessário, recorrer à sedação.

§ Descontinuar drogas que interfiram na coagulação.

§ Aplicar vitamina K intramuscular, mesmo se o tempo de protrombina estiver normal.

§ Se a perda de sangue for volumosa, considerar transfusão de concentrado de hemácias.

§ A maioria das hemoptises maiores está associada a exacerbações pulmonares. Deve-se iniciar com antibioticoterapia apropriada para o paciente, levando-se em conta sua colonização brônquica.

§ Colocar o paciente em decúbito lateral, com o hemitórax onde está localizado o sangramento para baixo, para evitar asfixia.

§ O paciente deve ser estimulado a tossir para expectorar o sangue.

§ Encaminhar o paciente para local de referência, para realização de angiografia intervencional, com finalidade de embolização da artéria sangrante.

REDE ESTADUAL DE ATENDIMENTO AOS PACIENTES PORTADORES DE FIBROSE CÍSTICA DE MINAS GERAIS

ORGANIZAÇÃO PARA A ASSISTÊNCIA INTEGRAL

Fluxo de atendimento

Pacientes triados no período neonatal

Encaminhamento para o CR mais próximo do domicílio

no serviço

Acolhimento e vinculação à equipe do Centro de Referência

Resultado de exame de suor sugestivo, realizado no CR ou em outros serviços

Confirmação do diagnóstico no NUPAD FM/UFMG

Contato com o Centro Viva Vida da macrorregião

(programação de consultas)

Contato com a Secretaria Municipal de Saúde

(acompanhamento domiciliar)


ATUAÇÃO DAS EQUIPES DOS CENTROS DE REFERÊNCIA

Os Centros de Referência devem contar com equipes multiprofissionais com experiência no atendimento à Fibrose Cística, compostas por pneumologistas (pediátricos e/ou de adultos), gastroenterologistas (pediátricos e/ou de adultos), enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e farmacêuticos; e apoio de outros especialistas (otorrinolaringologista, endocrinologista, cirurgiões, etc).

As equipes devem oferecer cuidado integral aos pacientes a elas vinculados, dar suporte e orientações aos referenciados de outros serviços, quando solicitadas, e constituir-se em locais de desenvolvimento de recursos humanos e pesquisas.

As consultas de rotina devem ser realizadas a cada três meses para a maioria dos pacientes (quatro consultas por ano). A equipe multiprofissional será responsável pela prescrição do tratamento adequado; modificações do mesmo quando necessárias; e checagem da adesão (uso das medicações e manuseio dos procedimentos)devendo constar de

§ Avaliação médica,

§ Exame bacteriológico das secreções respiratórias,

§ Oximetria,

§ Avaliação fisioterápica,

§ Avaliação nutricional,

§ Avaliação psicológica

§ Avaliação de enfermagem,

§ Acesso à assistente social.

OBS: Nos casos de primeira consulta, o diagnóstico deve ser revisto e é aconselhável repetir-se o teste do suor, se não tiverem sido encontradas 2 mutações para FC; fazer o estudo genético dos casos duvidosos; dosagem de gordura fecal; vinculação do paciente na equipe do Centro de Referência; fornecer as informações sobre a doença e seu manuseio.

· Revisão anual e avaliação da progressão da doença: revisão médica, pontuação dos pacientes segundo o escore clínico de Shwachman, avaliação pelo fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, enfermeiro e assistente social.

· Avaliação dos exames complementares anuais: cultura do escarro para micobactérias não - tuberculosas, radiografia de tórax anual e tomografia computadorizada do tórax (de alta resolução) de 2 / 2 anos, espirometria com prova broncodilatadora e, quando apropriados, testes mais detalhados de função pulmonar, gasometria (se a saturação de O2 for menor que 92% em ar ambiente),

hemograma, dosagem de uréia, eletrólitos, albumina, testes de função hepática, coagulograma, dosagem de gordura fecal, teste de tolerância à glicose, glicohemoglobina (nos casos de diabetes estabelecido), eletrocardiograma (se indicado clinicamente), ultrassonografia do fígado e vias biliares (se indicado), urinálise para glicose, proteínas e sangue.

· Revisão dos resultados e planejamento dos futuros tratamentos e imunizações (incluindo influenza)

· Revisão do conhecimento da doença pelo paciente e família: quando necessário, discutir também os problemas de fertilidade, planejamento familiar e aconselhamento genético.

· Fornecimento de dados para o Sistema de Informação de Fibrose Cística.

· Enviar relatórios para as equipes dos Centros Viva Vida e da Atenção Básica contendo informações sobre o estado atual do paciente, o microrganismo responsável pela colonização crônica (se houver), orientações sobre o tratamento indicado na rotina, nas exacerbações e complicações da doença e a data do retorno ao Centro de Referência.

· Promover a atualização dos profissionais, através de capacitações e educação continuada.

· Promover sessões educacionais para pacientes e familiares.

· Realizar pesquisas clínicas e publicar seus resultados; introduzir e avaliar novos tratamentos; colaborar com ensaios multicêntricos e comparecer a congressos nacionais e internacionais.

ATUAÇÃO DAS EQUIPES REGIONAIS E MUNICIPAIS

Os Centros Viva Vida, as Unidades Básicas de Saúde, bem como as Equipes de Saúde da Família têm um papel fundamental no tratamento e controle dos pacientes de FC da sua área de abrangência, devendo estar adequadamente informadas sobre o seu estado atual, a medicação e os procedimentos prescritos. Devem estar especialmente preparadas para:

· Referenciar os pacientes com FC suspeita ou confirmada para os Centros de Referência e verificar a regularidade das visitas aos mesmos.

· Assegurar o cumprimento do calendário de vacinação de rotina e das vacinas especiais, principalmente contra a influenza (a cada inverno).

· Lidar com as infecções virais das vias aéreas superiores prevalentes na comunidade.

· Verificar a adesão dos pacientes ao tratamento.

· Fornecer suporte psicológico adicional ao paciente e familiares.

· Supervisionar os cuidados e procedimentos de fisioterapia, antibioticoterapia venosa, oxigenoterapia, gastrostomia, manejo do diabetes, etc.

· Oferecer cuidado para os pacientes em fase terminal, suporte e aconselhamento para suas famílias.

· Solicitar e realizar exames para a revisão anual pelos Centros de Referência.

· Orientar os pacientes e familiares sobre o fluxo para a obtenção da medicação.

As consultas nas Unidades Básicas de Saúde deverão ser realizadas com a seguinte freqüência:

· De 0 a 1 ano de idade: 1 consulta por mês no primeiro semestre

· 1 consulta de 2/2 meses no segundo semestre de vida

· A partir de 1 ano de idade: 1 consulta de 3/3 meses



[1] Fonte: Ribeiro,JD; Ribeiro,MAG; Ribeiro,AF. Controvérsias na Fibrose Cística – do pediatra ao especialista. Jornal de Pediatria – Vol.78, Supl.2, 2002, S173

[2] Adaptado de: Cystic Fibrosis, in: Kendig’s disorders of the respiratory tract in children. 6th ed. 1998

[3] Observação: uma tampa de caneta esferográfica cheia contém 1 grama de sal.

http://www.saude.mg.gov.br/atos_normativos/consulta-publica/2006/Protocolo.doc