Arte Real

Arte Real

sábado, 12 de junho de 2010

perguntas e respostas, o que é a maçonaria

1. O que é a Maçonaria de nossos dias?

A Maçonaria é uma Ordem Universal formada de homens de todas as raças, credos e nacionalidades, acolhidos por suas qualidades morais e intelectuais e reunidos com a finalidade de construírem uma Sociedade Humana, fundada no Amor Fraternal, na esperança com amor à Deus, à Pátria, à Família e ao Próximo, com Tolerância, Virtude e Sabedoria e com a constante investigação da Verdade e sob a tríade LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE, dentro dos princípios da Ordem, da Razão e da Justiça, o mundo alcance a Felicidade Geral e a Paz Universal.

2. A Maçonaria é uma sociedade secreta?

A Maçonaria não é uma sociedade secreta, no sentido como tal termo é geralmente empregado. Uma sociedade secreta é aquela que tem objetivos secretos e oculta a sua existência assim como as datas e locais de suas sessões. O objetivo e propósito da Maçonaria, suas leis, história e filosofia tem sido divulgados em livros que estão à venda em qualquer livraria. Os únicos segredos que a maçonaria conserva são as cerimônias empregadas na admissão de seus membros e os meios usados pelos Maçons para se conhecerem.

3. A Maçonaria é uma religião?

A Maçonaria não é uma religião no sentido de ser uma seita, mas é um culto que une homens de bons costumes. A Maçonaria não promove nenhum dogma que deve ser aceito taticamente por todos, mas inculca nos homens a prática da virtude, não oferecendo panacéias para a redenção de pecados. Seu credo religioso consiste apenas em dois artigos de fé que não foram inventados por homens, mas que se encontram neles instintivamente desde os mais remotos tempos da história: A existência de Deus e a Imortalidade da Alma que tem como corolário a Irmandade dos Homens sob a Paternidade de Deus.

4. A Maçonaria é anti-religiosa?

A Maçonaria não é contra qualquer religião. Ela ensina e pratica a tolerância, defendendo o direito do homem praticar a religião ed seu agrado. A Maçonaria não dogmatiza as particularides do credo e da religião. Ela reconhece os benefícios e a bondade assim como a verdade de todas as religiões, combatendo, ao mesmo tempo, as suas inverdades e o fanatismo.

5. A Maçonaria é ateísta ou meramente agnóstica?

A Maçonaria não é ateísta nem agnóstica. O ateu é aquele que diz não acreditar em Deus enquanto o agnóstico é aquele que não pode afirmar, conscientemente, se Deus existe ou não. Para ser aceito e ingressar na Maçonaria, o candidato deve afirmar a crença em Deus.

6. A Maçonaria é um partido político?

A Maçonaria não é um partido político. Ela não tem partido. Em princípio, a maçonaria apóia o amor à Pátria, respeito às leis e à Ordem, propugnando pelo aperfeiçoamento das condições humanas. Os maçons são aconselhados a se tornarem cidadãos exemplares e a se afastarem de movimentos cuja tendência seja a de subverter a paz e a ordem da sociedade, e se tornarem cumpridores das ordens e das leis do país em que estejam vivendo, sem nunca perder o dever de amar o seu próprio país. A maçonaria promove o conceito de que não pode existir direito sem a correspondente prestação de deveres, nem privilégios sem retribuição, assim como privilégios sem responsabilidade.

7. A Maçonaria é uma sociedade de auxílios mútuos?

A Maçonaria não é uma sociedade de auxílios mútuos, ela não garante à ninguém a percepção de uma soma fixa e constante a nenhum de seus membros, na eventualidade de uma desgraça ou calamidade pode reclamar tal auxílio. Entretanto, a Maçonaria se empenha para que nenhum de seus membros sofra necessidades ou seja um peso para os outros. O Maçom necessitado recebe de acordo com as condições e as possibilidades dos demais membros da Ordem.

8. A Maçonaria é uma ideologia ou um "ismo"?

A Maçonaria nem é uma ideologia, nem um "ismo". Ela não se envolve com as sutilezas da filosofia política, religiosa ou social. Mas, ela reconhece que todos os homens tem uma só origem, participam da mesma natureza e tem a mesma esperança e, por conseguinte, devem trabalhar em união para o mesmo objetivo - a felicidade e bem estar da sociedade.

9. Então o que é a Maçonaria?

A Maçonaria é uma organização mundial de homens que, utilizando-se de formas simbólicas dos antigos construtores de templos, voluntariamente se uniram para o propósito comum de se aperfeiçoarem na sociedade. Admitindo em seu seio, homens de caráter, sem consideração à sua raça, cor ou credo, a Maçonaria se esforça para constituir uma liga internacional de homens dedicados a viverem em paz, harmonia e afeição fraternal.

10. Qual é a missão da Maçonaria?

A missão da Maçonaria é a de "fazer amigos, aperfeiçoar suas vidas, dedicar-se às boas obras, promover a verdade e reconhecer seus semelhantes como homens e irmãos".

A missão da Maçonaria ainda é a prática das virtudes e da caridade, é confortar os infelizes, não voltar as costas à miséria, restaurar a paz de espírito e a paz aos desamparados e dar novas esperanças aos desesperançados.

11. A Maçonaria convida as pessoas para se filiarem a ela?

A Maçonaria não "convida" ninguém, mesmo aos mais qualificados para se tornarem um membro da Ordem. Aquele que deseja entrar para ela, deve manifestar esse desejo espontaneamente, declarando que livre e conscientemente deseja participar dela.

A Maçonaria não prende nenhum homem a juramentos incompatíveis com sua consciência o liberdade de pensar.

12. Porque a Maçonaria não inicia mulheres?

Tendo evoluído da Maçonaria Operativa que erguia templos no período da construção de catedrais, a Maçonaria adotou a antiga regulamentação que provia o seguinte: "As pessoas admitidas como membros de uma Loja devem ser homens bons e de princípios virtuosos, nascidos livres de idade madura, sem vínculos que o privem de pensar livremente, sendo vedada a admissão de mulheres assim como homens de comportamento duvidoso ou imoral.

A regularidade da maçonaria se deve ao fato de se ater aos seus princípios básicos e imutáveis regidos por mandamentos, entre os quais se inclui o que acima se disse.

13. Por que são chamados de templos os locais de reunião?

Os lugares onde os maçons se reúnem são chamados de templos porque, embora não sendo uma religião ou reunindo-se em uma igreja, a Maçonaria preserva religiosamente os direitos de cada indivíduo praticar a religião ou credo de sua preferência, mantendo-se eqüidistante das diferentes seitas ou credos. Ela ensina a todos como respeitar e tolerar as religiões diversas de seus membros.

14. A Maçonaria Universal obedece a uma autoridade máxima?

Nem mesmo em um país como os Estados Unidos que agora se compõe de 50 Estados e conta com cerca de 4 milhões de Maçons, obedece a Maçonaria a uma autoridade suprema. A Maçonaria em cada país ou em cada estado de uma Federação é regulada e dirigida por uma Grande Loja independente e soberana.

TODO MAÇOM DEVE SER UM ÓTIMO ALQUIMISTA.

O alquimista foi uma chave de fundamental importância na busca e no descobrimento cientifico, principalmente para o desenvolvimento da moderna engenharia química, a qual alcança a cada dia que se passa um maior grau tecnológico; tudo graças ao árduo trabalho dos mestres alquimistas na busca por novos campos do conhecimento.
É relatado através de fatos históricos que os alquimistas buscavam através de métodos dedutivos e experimentais a descoberta da pedra filosofal, a qual possui a capacidade de transformar metais considerados pela humanidade como inferiores no mais desejado dos todos metais terrestres que é o ouro, exemplo o níquel, bário, bronze devido ao fato de estes últimos possuírem um baixo valor no mercado econômico.
A química moderna por meio de instrumentos da mais perfeita precisão conseguiu achar uma suposta formula para a ocorrência da transmutação de metais como o bronze em ouro, o procedimento consiste em bombardiar um átomo de cobre com átomos, por exemplo de hidrogênio, para o de cobre poder transmutar em um átomo suposto de ouro, devido ao desprendimento de prótons causado pelos choques atômicos que irão afetar o núcleo do átomo de cobre. Assim, como tal fato está simbolizando em termos específicos a renovação espiritual da vida material, desse modo o corpo astral passa a cada dia de estudo de um maçom a desenvolver-se e com isso prevalecer sobre a existência física humana.
O maçom é o próprio alquimista de seu próprio corpo, ele faz jus a busca da sua interior pedra filosofal e pelo elixir da vida eterna. Para um ser poder ser um imortal ele deve buscar primeiro crescer espiritualmente, pois a imortalidade é a regeneração universal de seu espírito, ou seja, ela consiste na perpetuação da vida normal e da maçônica através das gerações seguintes, devemos sobretudo pensar no futuro de nossa irmandade e da humanidade, com o intuito de salvar o nosso mundo contra os problemas típicos de uma vida profana e pensarmos no futuro como algo para desafiar e no passado como um objeto de superação. Logo somos os alquimistas de nossa existência e por isso devemos buscar transformar nosso ser material em um ouro imaterial.

Vale de josafá

Capítulo 03.01-21
O que nos fica entendido, quando analisamos o capítulo 3 do livro do profeta Joel, é que ele procurou desenvolver detalhadamente o que estava sendo profetizado em Jl 2.30,31. Enquanto nestes dois versículos eram pressagiados o juízo que havia de vir no Dia do Senhor, o capítuloo 3 parece nos mostrar a extensão de tal juízo com a promessa de uma restauração plena a Israel, como nunca antes.
O primeiro versículo parece a introdução da sequencia de uma obra de grande importância: Eis que, naqueles dias e naquele tempo, em que mudarei a sorte de Judá e de Jerusalém (Jl 3.1). É interessante que Deus sempre trouxe juízo aos seus vizinhos quando Israel se arrependia. Até porque as assolações que Israel enfrentava com as nações vizinhas na maioria das vezes era resultado de sua apostasia, e, quando convertia-se novamente ao Senhor, Ele derramava juízo contra as nações que afligiam seu povo. Vemos que o primeiro versículo deixa um panorama de conversão nacional, e, sua consequencia, descrita no versículo 2, seria um juízo generalizado contra todas as nações. Vemos que Deus estipulou um tempo:naqueles dias e naquele tempo. Qual? Com certeza é o mencionado em Jl 2.28,29. Um período futuro onde o povo de Deus experimentaria a efusão do Espírito. Uma das consequencias do derramamento do Espírito seria a restauração da sorte de Judá (Jl 3.1) ,a destruição dos seus inimigos (Jl 3.2), A razão do julgamento é descrito no vv. e, onde lemos que o tratamento que tais nações fizeram contra o povo de Deus foi extremamente rude: lançaram sortes sobre o meu povo, e deram meninos por meretrizes, e venderam meninas por vinho, que beberam. Uma das coisas que mais incomoda a Deus é a desumanidade: vemos claramente o comércio de humanos sendo citados, e, tomando por base o que lemos na ARA, até mesmo utilizar os filhos de Judá em prostituição ocorreu. Nada seria mais necessário para que o Deus julgasse tais nações.
O profeta foca suas atenções em três nações: Tiro, Sidom e todas as regiões da Filístia (Jl 3.4), que possuíam um forte comércio escravagista. A conduta dessas cidades da Filístia (provavelmente Gaza, Asdode, Ascalom, Gate e Ecrom) é tão imprópria que Deus pergunta se por um acaso "quereis vingança contra mim?" A soberania de Deus é tão exaltada que Ele procura lhes dizer que se é isso que querem, ele próprio faria com que sua vingança se voltasse contra as cabeças deles. No versículo 5, Joel desenvolve algo acerca dos crimes destas cidades: Visto que levastes a minha prata e o meu ouro, e as minhas jóias preciosas metestes nos vossos templos, e vendestes os filhos de Judá e os filhos de Jerusalém aos filhos dos gregos, para os apartar para longe dos seus limites. Na primeira citação, o saque dos tesouros do templo, com certeza deixados pelas ofertas dos filhos de Judá, o saque das jóias preciosas para serem ofertadas a divindades das nações (nos seus templos), e a venda de escravos judeus aos filhos dos gregos (Jl 3.5,6). Uma vez identificados os pecados, Javé apresenta a punição: Eis que Eu os suscitarei do lugar para onde os vendestes e farei cair a vossa vingança sobre a vossa própria cabeça. Venderei os vossos filhos e as vossas filhas aos filhos de Judá, e estes, aos sabeus, a uma nação remota, porque o Senhor o disse. Vemos que a sentença contra tais nações envolve a mesma atitude que elas haviam feito contra Judá (Jl 3.7,8).
A partir do versículo 9, inicia-se uma das etapas finais do livro. Aqui, Deus convoca que seus mensageiros proclamem entre as nações que o juízo profetizado seja realizado, através de uma guerra santa, onde os valentes deveriam ser suscitados, e subir em guerra. Esta mobilização atingiria grande número de pessoas (seria apregoado entre as nações, subiriam todos os homens de guerra, armados com ferramentas de ferro Jl 3.9,10). Esta convocação deveria ser urgente, ao vale de Josafá citado em Jl 3.2, e a expressão "ó Senhor, faze descer os teus valentes", parece-nos como um aviso dos mensageiros que as nações já estavam se mobilizando para o encontro, onde o Senhor se assentaria para julgar. Se Deus foi poderoso para convocar um exército de gafanhotos, não seria também de suscitar valentes que enfrentassem as nações inimigas (Jl 3.11,12)?
No versículo 13, Deus muda sua atitude, de Juíz para Lavrador, ordenando aos seus servos que lancem a foice, porque está madura a seara, vinde, pisai, porque o lagar está cheio, os seus compartimentos transbordam, porque a sua malícia é grande. Aqui, Javé ordena aos seus que venham a infringir o juízo citado em Jl 3.9 pois a malícia de tais nações já passou do que é tolerado por Deus. O profeta então observa a estarradora situação e clama: Multidões, multidões, no vale da decisão. A menção do Dia do Senhor faz vir novamene a tona o juízo que Deis infringirá nas nações, conforme anteriormente mencionado, e estas afirmações vão sendo novamente mencionadas em Jl 3.15 (sol e lua escurecerá, Jl 3.31, as estrelas retiram o seu esplendor. Apesar de todos estes prodígios que ocorrem, é interessante que tanto a atenção do profeta quanto do próprio Deus estão no juízo, não em suas consequencias. A menção do Senhor "bramando", ruído produzido pelo leão, um animal feroz e violento, nos dá uma impressão de abalo poderosa: a mesma voz que criou os céus e a terra sendo pronunciada com violência contra os inimigos do Senhor, fazendo a terra tremer (Jl 3.17), porém, as consequencias serão sentidas apenas pelos inimigos, pois o Senhor será o refúgio do seu povo e a fortaleza dos filhos de Israel.Aleluia!
Os versículos 18 a 21 são um cântico de restauração onde vemos o Senhor sarar toda a devastação causada pelo exército de gafanhotos, citando as mais diversas figuras representando a prosperidade e as bençãos de Deus fluindo no meio do seu povo (mosto, leite, águas). Esta predissão nos faz até mesmo sonhar com as descrições da Santa Cidade que será morada dos redimidos, de onde saíra uma fonte da Casa do Senhor (Jl 3.18; Ap 22.1,2). A extensão do juízo contra as nações atinge agora os antigos inimigos do povo de Israel,Egito e Edom (Jl 3.19), cujo crime é citado: o derramamento de sangue inocente (bem se conhece o que fez o Egito com o povo de Deus nos tempos de faraó). Após isso é mencionada uma promessa de perpetuosidade, onde Judá seria habitada para sempre e Jerusalém de geração a geração, o que demonstra o poder do Senhor Deus em preservar e prover a salvação e a benção para o seu povo, e o versículo 19 deve ser lido como um questionamento, onde nos originais uma melhor tradução seria: Deixaria eu impune o vosso sangue? Não, pois o Senhor habitará em Sião! É a revelação maior do Deus que vela pelos seus!
omentários e Contexto
(1) Jl 3.2, Apesar de conter a expressão "todas as nações", parece-nos que a intenção do profeta não era uma abrangência tão grande. São listadas estas nações pormenorizadamente em 3.19 e 3.4: Tiro, Sidom, Filístia, Egito e Edom. Estas nações são as vizinhas de Judá, as quais ao longo da história atormentaram o povo de Deus.
(2) Jl 3.2, Vale de Josafá, apesar de parecer ser uma alusão ao rei Josafá, é mais provável que para entendermos a intenção do profeta tenhamos que pegar a etimologia desta palavra, que significa "Javé tem julgado". Esta interpretação é reforçada pelo fato de em Jl 3.14 o termo ser trocado por Vale da Decisão, o que nos indica que a intenção certamente foi a de indicar o juízo de Deus no contexto em questão.
(3) Jl 3.8, sabeus, a referência aos sabeus identifica a gravidade que isso seria aos habitantes destas nações: Sendo Sabá uma região remota ao sul da Arábia, desértica, seria imprópria para escravos que viviam no litoral.
(4) Jl 3.14, Multidões, multidões, a repetição desta expressão parece indicar (1) um ajuntamento tão grande de pessoas, a ponto de causar espantos, (2) a expressãohamonim no original também transmite a idéia de tumulto e confusão.
(5) Jl 3.14, Vale da Decisão, a expressão é usada exatamente com a mesma finalidade de Vale de Josafá, isto é, indicar o lugar onde Deus infrigiria o juízo. A diferença aqui notada é que decisão tem dupla implicação: (1) As nações decidiram-se contra o Senhor e, (2) o Senhor decidiu julgá-las.

O compasso e o esquadro.

O compasso representa o objeto que proporciona uma medida eficaz no delineamento de um campo de pesquisa, ficando implícito em tal fato a infalibilidade de deus para os mortais em torno da precisão da justiça divina, representando ao homem o espírito e a diversidade ideológica na não-retidão de um seguimento idealizador. Porquanto o esquadro está mais associado à natureza material e as noções de purificação das ilusões terrenas na alma, dessa forma um F.’.M.’. alcança mais habilmente e facilmente o trilhar da luz.
Os cegos têm a capacidade de enxergar a real energia humana, sentem as mais profundas vibrações; o mundo microscópico apesar de sua complexa existência, não é observável a olhos nus sendo vistos somente por objetos de uma profundeza observação. por tais circunstancias o esquadro e o compasso possuem princípios alem da psique da práxis humana, entretanto ambos representam a verdadeira comunhão entre a matéria com a alma, o imaterial com o material, o real com o intelegivel, situação que fica evidente na tela pintada por rafaello sanzio, a escola de atenas-1509-1510, a qual no centro da tela o confronto ideológico entre platão e aristóteles, o qual demostra a dualidade de caminhos que o homem deve seguir.
Platão acreditava que o mundo idealizado pelos homens e tido por todos como justo e perfeito era o mundo real na verdade, porem o mundo do convívio natural entre os seguimentos sociais era apenas um mundo ideal. Todavia aristóteles que foi um discípulo de platão em sua academia platônica, negou a tese de seu mestre, afirmando que o mundo real é o que o homem vive materialmente e não o que ele sonha para viver algum dia, havendo dessa maneira uma notável oposição visual, no entanto ambos comungam na crença de que o real e o imaginário se auto-completam, sendo peças de um mesmo jogo de quebra-cabeça.
No principio intelegivel há a indagação: nem tudo que parece estar perfeito, pode estar na realidade perfeito, pois o que o torna perfeito é a qualidade de ter um espírito forte. O homem é um ser mortal em sua fundamental essência material, porem em sua parte imaterial, ou seja no seu corpo astral, ele é imortal tornando-se a semelhança de deus, seu espírito fica mais forte quanto mais é medido precisamente pelo compasso.
Portanto o paradoxo existencial não é apenas composto por fatores alternos, e sim por objetos auxiliares e um maçom deve caminhar equilibrado e com uma retidão impecável numa linha bastante fina, estando dessa forma sempre apto a busca pela justiça, caridade e verdade em uma medida precisa e reta; proporcionadas pela honra do GADU e por todos.

A magia natural

A magia natural é um conjunto de conhecimentos fundados na compreensão total da natureza, por meio da qual podemos desvendar os segredos e processos ocultos de todo o seu imenso e amplo organismo, tal fato contribuindo para o desenvolvimento da medicina material até a da medicina espiritual, ressaltando que ambas são importantes para o prolongamento da vida na terra, porquanto a ultima é a chave precursora de todo o desenvolvimento e manutenção da matéria viva, pois em um recipiente sem espírito não pode vida. Com isso chegamos ao conhecimento de seus componentes estruturais, suas qualidades, virtudes e segredos dos metais, pedras, vegetais, animais e da própria fisiologia humana; é fundamental lembrar que dizer que algo estar oculto, é algo estar irrevelável a vista profana e ignorantes, por isso poucos homens podem ver e apreciar novas descobertas.

Na seqüência lógica e cronológica da criação, o homem foi a obra produzida no sexto dia e todas as coisas priori e posterior a sua criação foram preparadas para legitimar a sua soberania aqui na terra, porem o homem deve ser um soberano devotos dos objetos inferiorizados tudo com o intuito de manter salva a sua coroa. Isso agradou a deus onipotente, o qual depois de formado completamente o grande mundo, ou macrocosmo, e achado que era bom, criou o homem como expressão sublime de sua imagem e, no homem, um modelo exato do grande mundo.

Ao esclarecer primeiro as qualidades e os atributos ocultos que estão encobertos no pequeno mundo, teremos a chave para abrir todos os tesouros e segredos do macrocosmo, ou o grande mundo.

o cultivador de pérolas

Era uma manhã de segunda-feira: nada estava correndo direito. Agarrado no sedimento arenoso, onde o rio desembocava no oceano, o molusco abriu gentilmente a sua concha, a fim de sugar água do mar, exatamente como vinha fazendo durante toda a sua vida. Dessa vez, entretanto, a água que corria pelo seu sistema de filtragem deixou um incômodo grão de areia em seu corpo. Ele não o conseguia deslocar. Nada que ele fizesse seria capaz de eliminar aquela partícula de sílica posta em seu corpo.

O grão de areia ficara encravado entre a carne mole da ostra e sua concha. O menor movimento era suficiente para acentuar a irritação: mais ou menos como uma pedrinha, dentro do sapato, cria uma dor crescente, à medida que se anda.

Deus proveu a ostra de uma secreção especial cujo nome é nacre. Mais ou menos como uma aranha pode expelir material para armar a sua teia, a ostra pode secretar o nacre em redor do fator de irritação, a fim de abrandar o incômodo. O molusco, fazendo uso do instinto, formou um cisto protetor em redor da substância estranha e foi revestindo sistematicamente o grão de areia com sua secreção.

Os meses arrastavam-se e se tornaram anos, mas a irritação não se ia. Embora agora o nacre tivesse formado uma proteção arredondada e lisa, e não cortasse mais a carne, formara-se uma excrescência interna, de tal volume, que o molusco sentia como se alguém estivesse pressionando um dedo em seu lado.

Numa certa manhã, um cozinheiro cortou o músculo que mantinha juntas as duas metades de uma concha, e deixou a ostra escorregar para dentro de uma tigela. A cozinha explodiu com um grito de excitação: "Vejam só o que encontrei! É a maior pérola que já vi. Vale uma fortuna!" A maneira como aquela ostra havia trabalhado a causa de sua dor tornara-se fonte de prazer e alegria para outrem.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Aeronaves negras

Antes de qualquer coisa, optei por iniciar este trabalho respondendo a uma pergunta que certamente irá aparecer em algum ponto durante a leitura: não, não existe nenhuma evidência de que qualquer das aeronaves de que trataremos neste texto deve sua existência a um trabalho de engenharia reversa em naves extraterrestres, especialmente as já bem conhecidas e cujas fotos ilustram publicações especializadas. Um processo de engenharia reversa é extremamente complexo e trabalhoso. Podemos exemplificá-lo com um fato da Segunda Guerra Mundial, quando a extinta União Soviética previu a necessidade de um bombardeiro estratégico. Ao contrário de outros produtos norte-americanos, o bombardeiro Boeing B-29 não foi fornecido à URSS. Contudo, em 1944 três B-29 foram obrigados a fazer pousos de emergência em território soviético, e o escritório de projetos Tupolev recebeu ordens de copiá-los. Mas problemas surgiram. Os norte-americanos usam o sistema de polegadas, enquanto os russos seguem o sistema métrico. As folhas de alumínio do B-29, de 1/16 de polegada, eram muito mais finas que o material russo, e rebites e parafusos norte-americanos não tinham similares.

Os agroglífos estão de volta Menos de um ano após os primeiros casos brasileiros de sinais em plantações, o oeste de Santa Catarina volta a registrar

Um fato sem precedentes na Ufologia Brasileira está ocorrendo desde o ano passado, atraindo a atenção de estudiosos não só da presença alienígena na Terra como de outras áreas, além de curiosos das mais variadas matizes. A casuística ufológica nacional, mundialmente reconhecida como a mais diversificada e exótica do globo – e que tanto contribuiu para o conhecimento vigente sobre o Fenômeno UFO com casos inéditos e espantosos –, está agora passando por uma transformação, e ela vem de Santa Catarina. É no oeste daquele estado, especificamente na pequena Ipuaçu – município de cerca de 6.500 habitantes localizado a 520 km da capital, Florianópolis –, que foram registrados os primeiros casos dos chamados agroglífos, os estranhos sinais em plantações anteriormente conhecidos como círculos ingleses [Veja edições UFO 081 e 146]. Este enigma já tem três décadas e cresce vertiginosamente, desafiando cientistas, estudiosos e até governos. Teve origem na Inglaterra, de onde, lenta e gradualmente, se espalhou pelos países vizinhos e também de outros continentes, embora sempre mantendo uma concentração de pelo menos 80 a 90% dos casos registrados anualmente na nação onde tudo começou.

Livros apócrifos revelam uma nova Maria, preparada por ETs

Os períodos anterior e posterior ao nascimento de Maria, mãe de Jesus, são tratados em vários livros apócrifos recém descobertos. Vamos expor aqui trechos daqueles que estão mais relacionados aos fatos ufológicos. Contudo, todos, de uma forma ou outra, acabam levando a conclusões semelhantes. Dos chamados Livros da Natividade de Maria, em compilação feita pela Editora Mercuryo, o apócrifo que mais chama a atenção sobre a gravidez de Ana, mãe de Maria, é atribuído a Jerônimo, do século IX. Visando o enriquecimento da narrativa, foram anexados trechos dos Evangelhos de Mateus, do século I, e de Tiago, descoberto no século XVI. Tais Evangelhos foram editados o mínimo possível, para melhor compreensão e clareza:

O Vaticano diz sim aos UFOs O astrônomo oficial do Papa afirma: “Os ETs existem e são nossos irmãos”

A agitação na Comunidade Ufológica Mundial em torno das declarações feitas em 2008 do padre jesuíta José Gabriel Funes, diretor do Observatório do Vaticano, não é o primeiro sinal de que a Santa Sé reconhece a seriedade da questão ufológica, a ponto de ter alguns de seus integrantes, direta ou indiretamente, fazendo afirmações que sinalizam claramente um profundo entendimento da questão. Isto já vem acontecendo há alguns anos. Religiosos de vários segmentos da Igreja Católica, às vezes falando oficialmente, em outras apenas emitindo opiniões pessoais, têm se manifestado com certa freqüência sobre a vida extraterrestre e, mais especificamente, os discos voadores. Um deles – e o mais notório de todos – é o monsenhor Corrado Balducci, considerado por seus pares “um religioso diferente”. Ele era amigo íntimo do papa João Paulo II, respeitado e admirado em todo o mundo católico e em outras searas, e nos anos 90 causou muita surpresa no meio ufológico quando começou a freqüentar congressos sobre o tema na Itália e outros países, fazendo afirmações que geraram espanto na ala conservadora da Igreja.

No Simpósio Mundial de Ufologia de San Marino, em 1999, por exemplo, Balducci admitiu que é “real a possibilidade de que outras criaturas inteligentes vivam na imensidão do espaço”. Para ele, a existência de ETs seria um sinal inequívoco da glória de Deus. Até aqui, tudo bem para nós, ufólogos. Mas, um monsenhor fazer tal afirmação é algo significativo. E ele foi mais longe. No Simpósio Internacional de Exobiologia e Ufologia da Calábria, em 2005, Balducci declarou à Revista UFO que “a igreja reconhece plenamente que não estamos sozinhos no universo e defende um procedimento de investigação dos objetos voadores não identificados”. Mais claro, impossível. Mesmo quem conhece o religioso e está habituado a vê-lo em eventos ufológicos, se assustou com a contundência de suas declarações na Calábria. “Que o universo é cheio de vida, não há nada mais óbvio do que isso. Que estejamos sendo observados por seres pertencentes a civilizações mais avançadas, idem. A questão está em entender o que querem aqui nossos misteriosos – e curiosos – visitantes”. Balducci, mesmo após o falecimento de João Paulo II e sob a administração de Bento XVI, de quem não é próximo, tem se manifestado livremente em conclaves em que se discutem os discos voadores. E o simples fato de que não é desautorizado ou censurado pela Santa Sé é um sinal de que, de alguma forma, o que ele fala é pensamento corrente ou aceito pela Igreja Católica.


Os antecessores do padre Funes no Observatório do Vaticano, Piero Coda [E] e George Coyne

Com suas colocações, o teólogo coloca ainda mais em evidência um assunto que há anos é debatido por alguns grupos de pessoas e ignorado por outros tantos. “A Bíblia não se refere diretamente aos extraterrestres, mas também não os exclui. A realidade dos UFOs é muito provável no infinito mistério da criação”, explica o religioso. “O monsenhor Balducci é um homem sincero e culto, que não poderia ficar alheio à questão dos discos voadores”, disse Roberto Pinotti, correspondente internacional da Revista UFO na Itália e organizador de ambos os citados eventos. Ao apresentar o teólogo à platéia do último deles, na Calábria, Pinotti disse que vê em Balducci uma voz que não se deve ignorar. “O monsenhor tem informações oficiais da igreja e as oferece em conta-gotas em suas palestras. Temos que beber desta fonte de saber”.

A prodigalidade de Deus - Em suas concorridas palestras, o monsenhor fez questão de dizer que não é o único no Vaticano a pensar dessa forma, como agora se viu pelas declarações do padre Funes. “Os religiosos também são abertos a este tema e muitos deles tiveram experiências com objetos não identificados”, disse, mostrando uma posição que afirmou ser pessoal e não oficial da Igreja. “A vida fora da Terra é evidente e sua existência não pode ser ignorada”, arremata. Mas o teólogo vai mais longe do que foi Funes, ao criticar as pessoas que não acreditam no fenômeno, fazendo referência ao grande número de testemunhos que há em todo o mundo. Mas ambos têm em comum o respeito pelo empenho de pesquisadores em desvendar o enigma dos UFOs, enquanto Balducci deixa claro que o Vaticano ainda não está preparado para se envolver oficialmente com a questão. “A estrutura da Igreja tem recebido muitas informações sobre observações de extraterrestres e suas relações com humanos”. Na verdade, a Santa Sé conhece a realidade dos UFOs há vários séculos. A Enciclopédia Católica, editada pelo Vaticano e porta-voz do pensamento oficial da Igreja de Roma, trata deste assunto no capítulo intitulado Habitacional dos Mundos. O texto diz que a doutrina apostólica não afirma nada explicitamente sobre a existência dos UFOs, mas esclarece que, se um dia a ciência conseguir provar que em outros planetas ou estrelas existem seres racionais como os humanos, serão todos obras divinas. E ainda afirma que “a filosofia explicará a origem destes homens do mesmo modo que elucidou a nossa, recorrendo à causalidade que postula o criador. E a teologia nos convidará a glorificar a grandeza, a bondade e a prodigalidade infinita de Deus”.

Há mais de 80 anos, no entanto, os UFOs já são assunto de discussão de influentes sacerdotes da Igreja Católica. Os padres Secchi e Montsabré, respectivamente o astrônomo da chamada Companhia de Jesus e um pregador dominicano de grande influência em Roma, admitiram a possibilidade da existência de criaturas racionais em outros mundos, mas de forma bem mais comedida que Balducci e Funes o fizeram agora. Eles afirmavam a existência de seres extraterrestres acrescentando a suposição de que eles também seriam pecadores. Assim, mostravam que seria possível que Deus tivesse estendido a eles, como para nós, os méritos da salvação por Jesus Cristo. Desse modo, não confirmavam totalmente o Fenômeno UFO e nem o negavam. Ao longo do século passado, importantes vozes do mundo católico se manifestaram a respeito do tema. Um deles foi o padre Francis Connel, importante decano da Faculdade de Teologia da Universidade Católica da América, em Washington, que pronunciou-se a respeito do assunto em 1952. Connel acreditava na vida extraterrestre e dizia que “não há nada de contrário à fé admitir que existam criaturas racionais em outros corpos celestes. Os estudiosos não podem estabelecer um limite para a onipotência de Deus”. Ele citou o documento Dieu Créator [Deus criador], erigido pelo teólogo George van Noort. Mas suas declarações não foram levadas a sério. Pelo menos, não tanto quanto as de Balducci e, agora, de Funes, que gozam de prestígio incomum junto à cúpula católica. “É hora de se derrubarem certos dogmas e de se falar abertamente”, declarou um Balducci pragmático e vanguardista.

Somente em sua versão de 1998, entretanto, é que o Dicionário do Vaticano fez referência aos objetos voadores não identificados, traduzindo-os com a expressão “res inexplicata volans”. Já a Bíblia menciona intrigantes passagens sobre a vida de certos profetas e importantes mensagens em que, entre outras coisas, há descrições de observações de UFOs. O arrebatamento de Enoque, a destruição das cidades de Sodoma e Gomorra e até a ressurreição de Jesus Cristo têm interpretação ufológica clara. Entre as passagens bíblicas que melhor expressam a existência do Fenômeno UFO, de fato, estão aquelas que mostram que Deus é senhor de outras civilizações espalhadas pela imensidão cósmica. “A casa de meu Pai tem muitas moradas”, teria dito Jesus em João 14:1. “Vós sois cá de baixo. Eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo. Eu deste mundo não sou”, disse o filho de Deus em Evangelho segundo São João 8,21-30.

Discos voadores na Bíblia - Como não considerar polêmicos e curiosos trechos desta importância escritos na Bíblia? Isso sem se falar nas constantes aparições da Virgem Maria ainda nos dias de hoje, que muitos ufólogos bem informados – e alguns teólogos também – crêem ser uma manifestação ufológica. E não são apenas as escrituras que deixam os pesquisadores intrigados: o período renascentista também gerou inúmeras perguntas através de pinturas que simbolizam passagens bíblicas. O quadro Anunciação, de Carlo Crivelli, pintado em 1498, é um exemplo. Ele retrata a concepção de Jesus Cristo de maneira bastante intrigante, pois mostra um raio de luz direcionado para a Virgem Maria. Há outros escritos históricos, tão ou mais antigos do que a Bíblia, que também contêm intrigantes descrições de acontecimentos ufológicos. O texto hindu Mahabarata, por exemplo, descreve discos voadores observados na Índia há 4.000 anos. Porém, como uma das mais antigas e tradicionais religiões do planeta, a Igreja Católica é a que mais tem a esconder sobre o tema. Talvez, a partir de agora, esse quadro comece a mudar. Que o digam Balducci e Funes. Mas, além de Balducci e Funes, há ainda outro importante teólogo do Vaticano que já defendeu a realidade alienígena abertamente, o padre Piero Coda. Ele declarou que, se existirem seres inteligentes e livres no universo, eles também foram criados por Deus. “Dessa maneira, tendo falhas, estas criaturas necessitam da redenção através das palavras salvadoras de Jesus Cristo”, teoriza. Para Coda, a solidariedade religiosa fará com que os extraterrestres conheçam o caminho da salvação, podendo até haver algum enriquecimento cultural para nossa civilização, como aconteceu no passado, quando a cultura européia descobriu outros continentes. Já Balducci acha que os ETs estão num estágio intermediário entre humanos e anjos. “Estes são espíritos e nós muito mais corpo que espírito”, explicou, garantindo ainda que o homem é algo frágil, feito de alma e matéria, levado freqüentemente a fazer o mal em vez do bem. Em sua opinião, os UFOs poderiam ser um elo com criaturas angelicais e, conseqüentemente, com Deus. “Os alienígenas não são entidades demoníacas, porque a misericórdia de Cristo não permitiria”.

Filhos do mesmo Pai - Funes vai mais além e já incorpora o conceito de que nós e os ETs temos algum grau de parentesco, presumindo sermos todos filhos do mesmo Pai. “Por que não poderemos falar de nossos irmãos extraterrestres? Eles devem existir e fazer parte da criação divina”, declarou o jesuíta, que não parece muito preocupado com o fato de a ciência acadêmica ainda rejeitar a questão por suposta falta de provas. “Pode haver seres semelhantes a nós ou até mais evoluídos em outros planetas, ainda que não haja provas da existência deles”, declarou ao jornal L’Osservatore Romano, porta-voz do Vaticano. Balducci corrobora a idéia de que eles sejam mais avançados do que os terrestres e teoriza que eles poderiam ajudar-nos em nossos caminhos, inclusive no sentido espiritual. “Certamente, são melhores que nós. É difícil imaginar alguma coisa pior que os seres humanos”. Ele deixa mais evidente ainda sua posição frente ao Fenômeno UFO ao afirmar que busca um modo de promover a aceitação do assunto perante o resto do clero e dos católicos. Essa compreensão da comunidade cristã viria, talvez, pelo fato do monsenhor dizer que os ETs também possuem uma alma, “como todas as criaturas feitas à imagem e semelhança de Deus”. Balducci também condena cientistas que menosprezam o Fenômeno UFO, suas testemunhas e pesquisadores. Ele diz que não se deve destruir o relato de pessoas que viveram esse tipo de manifestação, pois elas procuram a disponibilidade de acreditar no inacreditável baseando-se na vida e na religião. “Que diferença faz se os anjos em vez de asas tiverem astronaves? Se existem, não são uma ameaça”, completou. De qualquer modo, ele, Funes, Coda e os muitos membros da Santa Sé estão tentando realizar o que João Paulo II pediu poucos anos antes de morrer: “Procurem as digitais de Deus”.

Os misteriosos fenômenos de cura

É certo que daqui a mil anos a nossa medicina será muito diferente da de hoje, sem comparação. O que agora nos parece invisível, as novas tecnologias poderão executar. Considerando-se o tempo de três bilhões e meio de anos que levou uma simples bactéria para se tornar homem, uma civilização com apenas alguns milhares de anos à nossa frente faria coisas que hoje não poderíamos entender. O estudo do mistério das cirurgias espirituais pode nos trazer muito conhecimento e a decifração de casos tidos atualmente como de procedência extraterrestre, talvez mostre algo em comum com esse fator oculto, magnífico e ao mesmo tempo tão misterioso. Não podemos descartar a possibilidade de algumas dessas curas estarem vinculadas a civilizações muito adiantadas, as quais poderiam chegar aqui através de tecnologia avançada, sem que pudéssemos detectar a presença delas com os nossos recursos científicos de hoje. O nosso propósito é estudar esses fenômenos sem achar, a priori, que os místicos apenas supõem as coisas e os científicos já sabem de tudo. Assim, não haveria avanço. É preciso observar os fenômenos num sentido mais amplo, depois aprofundar estudos e levá-los a efeito com experimentos, para nesse roteiro tirar o aprendizado necessário. Isso é ciência! E alguns cientistas não o fazem.

Que curas são essas? — Quando o doutor Edson Queiroz, incorporado pelo espírito do doutor Adolph Fritz, fazia as suas cirurgias perante as câmeras de televisão, a prática era muito polêmica. Ainda que a entidade atuasse também no perispírito [Corpo espiritual] do paciente, sua intervenção era diretamente no corpo físico. E isso contrariava os preceitos espíritas de cura, cuja via deve ser a inversa, ou seja, do perispírito para o corpo físico. Quando observamos a codificação espírita, não encontramos referência doutrinária que possa nos dar indícios de que as cirurgias espirituais, aquelas que cortam a carne, sejam práticas espíritas de âmbito comum. Elas são realizadas por espíritos, disso não resta dúvida, mas quem estuda detidamente o Espiritismo não encontra suporte doutrinário para considerá-las como tal. Não obstante isso, essas cirurgias mostram que a vida espiritual se desenrola em outras esferas da existência, muito além dos limites da nossa ciência. Elas provam que o espírito existe. E o Espiritismo trata da comunicação dessas entidades com os homens, por isso não pode ficar fora das cirurgias, sem dar a sua interpretação. No que diz respeito à cura estritamente espiritual, esta tem características diferentes. É praticada apenas no perispírito, sem intervenção direta na carne. O benefício é obtido na medida em que o corpo físico, em teoria uma espécie de mata-borrão, absorva os fluídos que lhe foram impregnados no molde espiritual. Aos poucos, por ação da mente, o indivíduo obtém a cura. Ela é vertida ao corpo por facilitação do espírito médico e pela ação receptiva da mente do paciente. Então se diz: “A fé remove montanhas”. Porque sem a fé, a mente não se torna receptiva e a cura se faz mais difícil. Qualquer que seja o agente espiritual, ele não é Deus. Para obter a cura, o paciente precisa querer com afinco e ter merecimento para consegui-la, por isso é que se diz: “É preciso ter fé”.

Mundos habitados — A seu turno, a Ufologia também não é prática espírita, mas sua casuística poderia comprovar a teoria da pluralidade dos mundos habitados ensinada pelos espíritos da codificação. Foram estes que disseram a Allan Kardec que no universo há uma infinidade de mundos habitados. Nesses mundos, os espíritos encarnam para evoluir até atingirem a perfeição. Por lógica, os habitantes desses orbes poderiam vir a Terra usando de engenhos sofisticados e de uma física ainda desconhecida do homem. Também poderiam fazer contato – evento confirmado por testemunhas do Fenômeno UFO. Se for assim, os aliens querem conhecer o nosso ambiente, os seres vivos e experimentar o que lhes for proveitoso. Nesse contexto, considerando-se a capacidade requerida para qualquer civilização externa chegar a Terra, por certo seu desenvolvido científico seria avançado, suficientemente capaz de realizar curas médicas que para nós seriam inexplicáveis. E certas curas, tidas hoje como espirituais, em razão de ser difícil a identificação do agente operador que nos está oculto, poderiam ser realizadas por seres alienígenas dessas supostas civilizações visitantes. Em teoria, negar isso seria refutar o Fenômeno UFO como evento extraterrestre.

Brigadeiro José Carlos Pereira afirma: “É hora de encerrar o segredo sobre os UFOs”

Brigadeiro José Carlos Pereira, ex-comandante do Comdabra
A seção Mensagem do Editor da edição UFO 140 publicada com o título Militares Confrontados Pelos Ufólogos se Contradizem Sobre os UFOs, comentando o fato de que autoridades das Forças Armadas têm repetidamente dado declarações infelizes e desencontradas sobre o tema. O personagem central da questão, agora, era o brigadeiro José Carlos Pereira, que, confrontado com as afirmações dadas por este editor em entrevista ao site O Globo Online, em 29 de janeiro de 2008 – de que a Aeronáutica teria centenas de registros de ocorrências ufológicas no País –, teve uma reação inusitada. Embora confirmasse a existência dos arquivos secretos sobre UFOs em poder da Aeronáutica, Pereira disse que “todos sabem que os discos voadores não existem”, garantindo também que “os ufólogos vão se decepcionar com os registros”. Foi uma grande surpresa para os estudiosos do Fenômeno UFO no País, que tinham Pereira como uma das figuras mais favoráveis à realidade da presença alienígena no meio militar brasileiro. A certeza dos ufólogos quanto à intimidade do brigadeiro com discos voadores decorre de alguns posicionamentos que o militar adotou publicamente no passado, de franca receptividade, atenção e até mesmo de interesse pelo assunto. Pereira é, de longe, o membro de nossas Forças Armadas que mais se pronuncia sobre o Fenômeno UFO.

Tanto que, em entrevista ao deputado Celso Russomanno, apresentada no programa Circuito Night And Day, em 19 de janeiro de 2002, o militar chegou a mostrar no ar um livro de registros de casos ufológicos mantido na sede do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Comdabra), em Brasília, órgão que comandou. Apenas naquele ano, o livro contava com mais de 90 episódios de “tráfego hotel” sobre o País, como são chamados pelos militares os casos de UFOs captados por radar. Pereira apenas não permitiu a Russomanno que abrisse o livro diante das câmeras, por ser confidencial. Outra circunstância já bem conhecida de todos ocorreu durante o encontro oficial – e inédito – que os integrantes da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU) tiveram com militares da Aeronáutica, em 20 de maio de 2005. No fim do encontro, que durou quase cinco horas, o próprio brigadeiro José Carlos Pereira escoltou os ufólogos até a saída do prédio do Comdabra. Durante a despedida, ao ser presenteado com alguns exemplares da Revista UFO, falou: “Agradeço o brinde, mas informo que sempre compro a publicação nas bancas de Brasília”. Informalmente, e sem qualquer restrição, Pereira confirmou aos ufólogos seu grande interesse e elevado nível de informação sobre o assunto. Assim, diante de um posicionamento como este, soou contraditório, para dizer o mínimo, que o brigadeiro tenha dado a inusitada declaração ao O Globo Online, em resposta à afirmação de que a Aeronáutica tem mesmo arquivos secretos sobre UFOs.

Desvendando a contradição - “Não é fácil para os militares admitirem sua inoperância e falta de capacidade de controlar nosso espaço aéreo, quando os ‘invasores’ são discos voadores”, declarou Marco Antonio Petit, co-editor da Revista UFO, tentando entender a manifestação negativa de Pereira. “O brigadeiro pode ter sido instruído a reverter seus depoimentos favoráveis ao Fenômeno UFO, dados anteriormente, numa tentativa de esconder importantes documentos”, analisou Fernando de Aragão Ramalho, conselheiro especial da publicação. Pode ser, mas o fato é que o desapontamento dos estudiosos com a resposta do militar ao O Globo Online tinha uma justificativa clara. É de conhecimento geral da Ufologia Brasileira que, se alguém na hierarquia militar tem informações concretas sobre a existência e materialidade dos UFOs, além de sua procedência inquestionavelmente extraterrestre, este alguém é ninguém menos do que o brigadeiro José Carlos Pereira. Até tempos atrás, aliás, ele nem sequer fazia questão de esconder o que os militares sabiam sobre o assunto. E foi assim, neste clima de surpresa e perplexidade na Comunidade Ufológica Brasileira, que a edição UFO 140 foi lançada no começo de março estampando a matéria Militares Confrontados Pelos Ufólogos se Contradizem Sobre os UFOs. Porém, quase simultaneamente à chegada da edição às bancas, a situação se reverteu drasticamente, quando, para nossa surpresa, o brigadeiro José Carlos Pereira aceitou conceder uma entrevista exclusiva à Equipe UFO, na qual mostraria a realidade dos fatos. A entrevista se concretizou em 08 de março de 2008, em Brasília, e ofereceu a oportunidade ímpar, para a Ufologia Brasileira, de esclarecer definitivamente a posição do militar quanto ao assunto. Mais do que isso, permitiu a todos conhecer em detalhes seu pensamento sobre diversos aspectos relativos ao Fenômeno UFO, notadamente no que se refere à Aeronáutica, à Segurança Nacional e as reações que o meio militar brasileiro tem quanto ao tema. Foi um diálogo histórico e significativo para desfazer por completo o mal-estar anterior.

“Estou inteiramente à disposição dos ufólogos da Revista UFO e será um prazer atendê-los a qualquer instante”, declarou Pereira ao aceitar o convite, formulado em nome da Equipe UFO por Fernando Ramalho, que também se surpreendeu com a receptividade do militar. “Pensei que fosse ter que convencer o brigadeiro da importância que suas declarações têm para os ufólogos brasileiros, mas não foi necessário, pois ele estava ciente disso e queria realmente colaborar”, disse Ramalho. “Sempre respeitei o trabalho desta publicação e desejo contribuir para o movimento que ela realiza, visando à liberdade de informação ufológica no País”. Mesmo dias antes de definida a data da entrevista, já se estimava que ela teria, após publicada, impacto semelhante à outra ocasião histórica da Ufologia Brasileira, em que a Revista UFO também esteve diretamente envolvida: a entrevista com o coronel Uyrangê Hollanda, em 1997, 13 anos atrás. Para a publicação, esta seria a oportunidade não somente de conhecer as idéias de um dos mais brilhantes militares do País, mas também de atraí-lo para o movimento UFOs: Liberdade de Informação Já, o que foi feito. “É hora de serem liberados todos os segredos sobre este assunto no Brasil, estejam em que bases aéreas estiverem, e vou trabalhar para isso”, declarou.

Toneladas de documentos - Como se verá na entrevista, o brigadeiro Pereira chegou a mencionar que, há poucos anos, quando foram destruídos documentos secretos da época da Ditadura Militar na Base Aérea de Salvador, ele determinou que todos os que restaram fossem centralizados em Brasília, e isso teria resultado em mais de 14 toneladas de papel. “Quanto disso tudo o senhor estima que sejam documentos ufológicos?”, perguntei ao militar. “Não posso dizer com precisão, mas não é pouca coisa”. Pouco a pouco, na entrevista, que teve mais de 100 perguntas e durou cerca de quatro horas, o militar foi mostrando a seriedade com que vê o assunto e sua pesquisa, e confiou aos entrevistadores – A. J. Gevaerd, editor, e o ex-conselheiro especial da Revista UFO Roberto Affonso Beck e o conselheiro especial Fernando de Aragão Ramalho – importantes informações. A entrevista será publicada no Portal UFO em duas partes. O brigadeiro José Carlos Pereira falou abertamente sobre todos os assuntos abordados, não se esquivando de qualquer pergunta formulada. “Pretendo conversar com meus colegas de farda e me informar sobre qual é exatamente o clima hoje dos quartéis e bases aéreas, e buscar trazer o apoio de alguns deles ao trabalho de vocês”, ofereceu antes mesmo de ser solicitado a fazê-lo. Sua ajuda será mais do que bem-vinda e chegará num momento crucial para a campanha UFOs: Liberdade de Informação Já. Ao longo da sabatina, Pereira falou da segurança do espaço aéreo brasileiro, das infiltrações que a Nação sofre de objetos não identificados, da Noite Oficial dos UFOs no Brasil, da Operação Prato e de seu comandante, e até descreveu alguns episódios ufológicos que desconhecíamos. “Hollanda era um homem sério e de resultados, diligente e respeitado por todos”, disse Pereira, confirmando o que os ufólogos sempre souberam, mas não tinham como garantir – que de fato a Operação Prato resultou em mais de 2.000 páginas de documentos, além das já sabidas mais de 500 fotos e 16 horas de filme. Sobre o Caso Varginha, no entanto, alegou nada saber além do que leu na imprensa e na Revista UFO, e pareceu sincero. Afinal, o caso pertence a outra Arma, o Exército.

Membro da elite militar - Mas quem é o brigadeiro José Carlos Pereira? Este não é um militar qualquer. Nascido em Salvador (BA), Pereira ingressou na Força Aérea Brasileira (FAB) em março de 1958 e passou para a reserva em julho de 2005, ocupando todos os principais postos da hierarquia militar daquela Arma, inclusive o mais alto da carreira. Formou-se oficial em dezembro de 1963 e realizou inúmeros cursos na área, entre eles o de formação de oficial-aviador, de táticas aéreas, de comando e de Estado-Maior. É um dos maiores especialistas do País em políticas e estratégias aeroespaciais. Pereira foi também piloto de caça, de transporte e de operações aéreas especiais, além de pára-quedista militar. Voou dezenas de tipos de aeronaves em todo o mundo, por mais de quatro décadas. “Vocês não podem imaginar como é lindo e inusitado o pôr-do-Sol sobre o oceano, a mais de 13 km de altitude”, declarou aos entrevistadores. Pereira exerceu importantes funções da engrenagem militar brasileira, entre as quais a de comandante de esquadrão de suprimento, manutenção e infra-estrutura, de oficial de operações e comandante de Unidade Aérea de Instrução de Caça, de comandante de bases aéreas e oficial de Estado-Maior nas áreas de pessoal e operações.

Teve distingüida atuação na área de Inteligência Militar, sendo oficial do gabinete militar da Presidência da República e oficial de Inteligência no Estado-Maior da Junta Interamericana de Defesa, em Washington, Estados Unidos. Como general, Pereira foi ainda chefe de logística e mobilização do Estado-Maior das Forças Armadas, presidente da Comissão Nacional do Serviço Militar, comandante da Academia da Força Aérea (AFA) e chefe de Estado-Maior do Comando-Geral de Operações Aéreas. Nos últimos 10 anos, o brigadeiro José Carlos Pereira foi ainda comandante de operações da Força Aérea Brasileira (FAB), tendo 13 generais e um total de 27 mil homens subordinados a ele. De 1999 a 2001, foi comandante-geral de Operações Aéreas e do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Comdabra), órgão que já foi chamado de “Área 51 Brasileira”. Como se vê, não é nenhum exagero dizer que Pereira foi, durante um bom tempo, o guardião da chave do cofre onde estão os segredos ufológicos do País. Em 27 de março de 2006, já na reserva, o brigadeiro ainda tomou posse na presidência da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), nomeado pelo ministro Nelson Jobim em meio ao terrível caos aéreo que tomou conta da Nação. Com pulso firme, quase resolveu a crise, que, no entanto, persistiu por problemas maiores do que se pode supor. “Ninguém queria acabar com o problema, esta é a verdade”, declarou.

Abrindo o cofre - É difícil prever com exatidão qual será o impacto que as declarações de Pereira terão sobre a Ufologia Brasileira, em especial sobre a campanha UFOs: Liberdade de Informação Já, mas ele será considerável. Nunca um militar de sua graduação falou tão abertamente sobre UFOs antes, e raros militares estrangeiros, em posições equivalentes nas forças armadas de seus países, chegaram perto de repetir seu gesto. Isso estimulou a Revista UFO a tentar estabelecer contatos com militares de semelhante estatura também da Marinha e do Exército, para que se busque deles o apoio que os ufólogos brasileiros precisam para atingir seus objetivos. E assim, gradativamente, vamos caminhando esta trilha, que nos levará um dia à liberdade de informação ufológica no Brasil, quando as autoridades não mais terão receio de reconhecer abertamente que não estamos sós no universo – pelo contrário, que estamos muito bem acompanhados. Uyrangê Hollanda deu sua contribuição, e, agora, José Carlos Pereira se soma a ele. Quem será o próximo?

UFO — Brigadeiro, o senhor tem sido o militar brasileiro graduado que mais se manifesta sobre UFOs na imprensa, tendo dado várias entrevistas, quase sempre de uma maneira muito aberta, muito natural. A que se deve sua posição quanto ao assunto?
Pereira — Eu acho que esta é uma questão de doutrina pessoal. Eu defendo a tese de que não pode e não deve existir assunto fechado para a humanidade. Um assunto, por mais extravagante e por mais bizarro que possa parecer, precisa ser sempre analisado e investigado. Galileu que o diga, Copérnico que o diga, e tanto outros cientistas que o digam. Então, acho que nem o ser humano, nem qualquer instituição têm o direito de fechar as portas para a discussão de qualquer assunto, seja de natureza científica, política, social ou religiosa. Nem mesmo para a Ufologia, que eu classifico no campo da ciência. Esta é uma visão pessoal minha, que mantenho até hoje.

UFO — Para manter este posicionamento aberto, o senhor já teve alguma experiência ufológica, ou seja, a observação de algum objeto que pudesse considerar que foge a uma explicação ordinária?
Pereira — Como aviador, durante 40 anos, voei pelo mundo afora e vi muitas coisas, mas todas com alguma explicação científica. Vou dar um exemplo: quem já viveu a experiência de ver o pôr-do-Sol a 40 mil pés [Cerca de 13 km] sobre uma camada de nuvens cirrus, sabe que esta é uma coisa maravilhosa, que forma um reflexo verde no horizonte. Então, há coisas fantásticas por aí, mas com explicação imediata. Quem conhece um pouco de aviação e de meteorologia consegue entender o fato na hora. Quem não conhece, pode consultar depois e descobrirá a explicação. Desta forma, eu tive muitas visões estranhas, todas explicadas cientificamente. Mas há coisas para as quais eu não tenho explicação científica ainda, seja por desconhecimento ou ignorância minha, ou porque a ciência ainda não chegou ao ponto de esclarecê-las. Não tenham dúvida alguma quanto a isso: se há alguma coisa inexplicável hoje, um dia não será mais. Seja esta explicação algo que remete a uma natureza terrestre ou não.

UFO —O senhor tem algum parente, comandado ou amigo que já relatou algum avistamento que possa ser enquadrado dentro da categoria dos discos voadores?
Pereira — Olha, comandei muita gente na Força Aérea Brasileira (FAB) e várias vezes ouvi relatos de companheiros e pilotos. “Hoje eu vi uma coisa estranha no céu”, sempre alguém me dizia. Na maioria das vezes nós sentávamos para discutir, e geralmente encontrávamos alguma explicação para tais avistamentos. Mas esta pergunta tem relação com o que falei há pouco: por que nós não conseguimos explicar certas coisas? É porque ainda não sabemos o que são, mas um dia saberemos [Dando ênfase].

UFO — Mas algum desses fenômenos que permanecem inexplicados, seja por falta de compreensão de sua natureza agora ou no futuro, o senhor poderia considerar como tendo origem externa à Terra, algo que pudesse vir de fora?
Pereira — Olha, é difícil você fazer uma afirmação dessa. Mas existem fenômenos que são mistério, que permanecem sem explicação. Vou citar um exemplo: um objeto que se move aparentemente sem propulsão e contra o vento, dá o que pensar, não dá?

UFO — Sim, e os discos voadores fazem isso...
Pereira — Um avião também faz isso, voa contra o vento, lógico. Agora, como explicar um balão, que não tem propulsão própria e é conduzido pelo vento, ir na direção contrária a ele? O primeiro passo é saber como flui o vento na altitude que o objeto está, e este é um dado sobre o qual temos controle, através da meteorologia. Por exemplo, eu sei exatamente qual é o vento numa determinada altitude e posso estimar se o balão está contra ele. Coisas desse tipo são questões que aparecem e não têm uma explicação no momento.

UFO — Já foi dito que o senhor é dono da chave do cofre onde se encontram os segredos ufológicos brasileiros: documentos, fotos e filmes feitos em várias circunstâncias, por militares servindo em várias bases aéreas, às vezes acidentalmente, às vezes em missões secretas, como durante a Operação Prato. O que esses segredos revelariam?
Pereira — Veja, eu sou um homem que trabalha com ciência, que tem um cérebro muito científico. Se você colocar a idéia de que seres extraterrestres estão aqui, que estão nos visitando e investigando, que estão fazendo alguma coisa que nós não sabemos exatamente o que é, sua tese bate de frente e contraria completamente a razão científica. Sim, porque, até onde sabemos, no nosso Sistema Solar, pequenininho, não há qualquer indicação da existência de vida, exceto na Terra. Fora do nosso sistema, a estrela mais próxima é Alfa do Centauro, a 4,3 anos-luz de nós. A nave Voyager, por exemplo, que está há 30 anos no espaço, vai levar 93 mil anos para chegar próximo a Alfa do Centauro. Assim, é difícil imaginar que alguém ou alguma coisa pudesse chegar aqui na Terra, vindo de fora do Sistema Solar.

Conhecimento atual

UFO —E se houvesse uma tecnologia muito mais avançada do que a nossa?
Pereira — Sim, veja bem, eu estou pensando com o conhecimento que detemos hoje em nosso planeta, com o conhecimento que a nossa ciência atual possui. Esta é a ressalva que devemos fazer. Por isso, considerando apenas este conhecimento, eu nego toda e qualquer possibilidade de alguém vir de fora para cá. E a coisa se complica quando se vai mais longe, pois Alfa do Centauro não parece ser um sistema planetário. Vamos então para o local do universo que os astrônomos chamam de “zona habitável”, que parece estar a muitos anos-luz da Terra. Se sabemos que o Sol tem cerca de 5 bilhões de anos, quem estivesse num planeta lá na tal zona habitável, olhando para cá num telescópio, estaria vendo apenas a formação do Sol. Da mesma forma que, olhando hoje para uma galáxia a dezenas ou centenas de anos-luz
da Terra, vamos ver coisas que aconteceram há muito tempo.

UFO — Para o senhor, o entendimento desta situação estaria fora de nosso controle?
Pereira — A questão, hoje, é o nível de tecnologia de que dispomos para entender o universo. Eu não descarto que alguém possa ter avançado um bilhão de anos na nossa frente, em algum lugar. Por outro lado, com a tecnologia que nós temos hoje na Terra, precisamos negar peremptoriamente a possibilidade de que alguém de fora do Sistema Solar tenha possibilidade de chegar até aqui. Mas volto a repetir, com humildade, que acredito que nosso conhecimento deve ser ainda [Novamente dando ênfase] insignificante para entendermos tudo isso. Haja vista o que aconteceu nos últimos 100 anos, com descobertas que vão da penicilina ao avião.



“Eu acho que, no momento em que o Governo abre alguma coisa, acaba o receio de todo mundo quanto aquilo e as coisas começam a ficar transparentes. Ninguém tem medo da transparência, todos têm medo do que é opaco. Então, acho que a abertura ajuda sim, e tem um efeito favorável muito grande nesta discussão (...) Desde que não haja comprometimento da Segurança Nacional”

UFO — Todas as detecções de UFOs por radares e as perseguições por caças a jato que já aconteceram, algumas das quais vazaram e acabaram caindo no conhecimento da Comunidade Ufológica, denotam que eles são originários de civilizações como as que o senhor definiu, ou seja, que existem dentro de um contexto que não conhecemos, que detêm uma tecnologia que ainda não conseguimos compreender. Certamente, estas naves não vêm até aqui usando os mesmos métodos de propulsão que usamos para explorar a Lua, Marte ou Vênus. O senhor acha que esse tema deve ser discutido abertamente pela sociedade?
Pereira — Não, elas não devem usar motores foguetes, como o de nossas naves enviadas ao espaço. Minha opinião sobre Ufologia é a de que, no futuro muito próximo, ela precisaria se aproximar muito mais de setores científicos pesados, especialmente nas áreas de astronomia, astrofísica e astronáutica, de modo a compor um congregado científico mais consistente. Eu não rejeito nem a idéia da filosofia entrar nesta somatória, com seus conceitos modernos buscando responder às perguntas que até hoje ninguém respondeu: quem somos, de onde viemos, para onde estamos indo... Desde Aristóteles que fazemos estas perguntas e ninguém responde. A Ufologia, junto das citadas disciplinas, poderá ser um caminho para as respostas.

UFO — O problema são as restrições que a comunidade científica impõe à Ufologia, rejeitando a manifestação do fenômeno. Por exemplo, nós temos astrônomos que, por falta de informação ou de boa vontade, simplesmente rejeitam os dados coletados sobre UFOs, inclusive e até principalmente pelos militares. Em geral, o problema alegado por eles é de que é impossível que naves venham de outros planetas até a Terra, pois eles estão a distâncias impensáveis...
Pereira — Eu acredito que esta rejeição tem várias origens. No campo militar, ela se deve ao receio de que uma informação militar possa vazar junto da divulgação de um caso [Ufológico]. Um exemplo emblemático disso é o medo de que determinada freqüência de operação de nossos radares acabe vazando. Além do que, ainda hoje muitas pessoas têm medo de serem ridicularizadas. “Pô, esse cara é maluco”, falam de alguém que diz ter visto um UFO. Sim, tem gente que ainda pensa assim. Da mesma forma que, na época da vacinação, tinha gente que pensava que vacina era coisa de louco. A história está cheia de coisas deste tipo. Por isso, eu acho que temos que vencer essa rejeição através de um método quase filosófico, um método exigente. Temos que criar o antagonismo, pois o progresso só surge quando você cria o antagonismo. Daí que nasce a síntese, que nasce a solução. Temos que tolerar os astrônomos que não acreditam nos UFOs, os militares que os rejeitem e tudo o mais. E acho até que isso é muito bom, desde que as pessoas estejam realmente dispostas a conversar, a colocar os embates na mesa, e desses embates possamos colher alguma coisa positiva, que vai produzir um novo embate lá na frente. É essa a posição que eu defendo.

Apenas abrir não basta

UFO — Sua posição, aberta e franca, encontra paralelo com a de muito poucos militares brasileiros. Mas encontra uma resistência por parte de certos segmentos do meio militar, que preferem que o assunto UFO permaneça sem ser amplamente discutido. O senhor acredita que é hora dessa resistência ser quebrada? Como isso poderia ser feito?
Pereira — Olhe, eu acho que simplesmente abrir os arquivos [Secretos] e entregar para imprensa ou entregar para vocês é algo que pode ser feito amanhã de manhã, sem nenhum problema. Mas acho que isto não basta, que não é suficiente. Vocês, ufólogos, podem até ter uma desilusão quando virem os arquivos, pois acho que esperam por coisas mais sólidas, e talvez não vão encontrar o que imaginam naquelas pastas. No entanto, acho que o exemplo governamental de abrir os arquivos ufológicos, especialmente vindo da área militar, é algo que favorece e fortalece outras pessoas que têm receio de tratar do assunto. Eu acho que no momento em que o Governo abre alguma coisa, acaba o receio de todo mundo quanto aquilo e as coisas começam a ficar transparentes. Ninguém tem medo da transparência, todos têm medo do que é opaco. Então, acho que a abertura ajuda sim, e tem um efeito favorável muito grande nesta discussão.

UFO —Numa entrevista recente que deu ao site O Globo Online, o senhor disse isso o que acabou de repetir: que os ufólogos vão se decepcionar com os registros de UFOs no Comdabra. Disse até que os discos voadores não existem. Sua afirmação decepcionou os ufólogos, que iniciaram uma grande discussão na internet. Ora, se discos voadores não existem, o que seriam aqueles registros mantidos no Comdabra?
Pereira — Veja bem, o que eu quis dizer é que discos voadores não existem na medida em que não se tem um dado oficial explícito onde esteja a afirmação “aqui está um disco voador”. Ou seja, um documento oficial que diga que ele existe nessa forma e que esteja em dado lugar.

UFO — Então o problema é o formato? Ou qual é o problema? Pois, quando falamos o termo disco voador, nos referimos a toda uma fenomenologia de objetos de vários formatos, de várias cores e executando diversos tipos de manobras, que aparecem em inúmeros locais e nós sabemos que não são aviões...
Pereira — Sim, mas vamos voltar à visão puramente científica. E vamos fazê-lo através de exemplos, porque assim a coisa fica mais fácil. Veja, até certo tempo atrás, na África, havia pessoas que morriam e todo mundo dizia que eram atacadas por um vírus letal. Mas parte da comunidade científica da época não aceitava que um novo vírus tivesse simplesmente surgido do nada, até que um dia um cientista apareceu com um tubo de ensaio e disse: “Aqui está o vírus”. Era o ebola e estava acabada a discussão! Com isso eu só quero dizer o seguinte: nós só podemos falar que um disco voador existe quando o tivermos no tubo de ensaio, ou seja, bem visível e à mostra para todos checarem. Até lá, ele é uma hipótese.

UFO — Mas, e enquanto não tivermos isto, e sim os depoimentos de milhares de pessoas de alta credibilidade, que tiveram experiências com discos voadores?
Pereira — Bem, nenhuma credibilidade foi maior do que a dos mortos da África, apenas para continuar no exemplo dado. De qualquer forma, devem-se levar em consideração as diferentes formas de evidências que existem dos discos voadores. Como num trabalho policial, temos as provas documentais, as testemunhais e as circunstanciais, cada qual com seu peso. A prova documental, por exemplo, tem seu impacto, mas a testemunhal também. Alguém viu alguma coisa no céu? Ótimo! Mas quando 50 ou mais pessoas virem, melhor ainda. Especialmente pessoas que não se conhecem, que vivem em locais diferentes etc. É assim que a prova testemunhal começa a ficar muito mais forte. E, por fim, temos a prova circunstancial, que é a mais frágil de todas. Temos que separar os três tipos de provas que temos hoje em relação à Ufologia. As provas circunstanciais estão em grande quantidade, assim como as testemunhais, e destas, 90% recebem uma explicação científica. Mas os 10% restantes, não. Já as provas materiais, não temos nenhuma.

UFO — O senhor classificaria a ocorrência de 20 de maio de 1986, a chamada Noite Oficial dos UFOs no Brasil, como uma prova circunstancial dos discos voadores?
Pereira — Você se refere àquele caso que ocorreu sobre o Rio e São Paulo, que começou com o então presidente da Embraer, Ozires Silva, a bordo do avião Xingu, indo para São José dos Campos (SP), e que teve depois o depoimento do ministro da Aeronáutica na época, o brigadeiro Octávio Moreira Lima, que foi à televisão relatar o fato? Bem, no meu entender, as observações que se deram naquela ocasião são provas testemunhais,
de pessoas que viram.

Interceptação aérea

UFO —Mas os pilotos dos caças que foram enviados pela Aeronáutica para interceptar os objetos eram bastante experientes.
Pereira — Sim, eram. Por isso aquelas são provas testemunhais, situações em que testemunhas viram alguma coisa e os radares detectaram aquela coisa. Veja, radar pode ter eco falso, pode ter uma porção de coisas afetando seu funcionamento, mas quando você tem mais de um radar detectando o mesmo alvo, ai é quente demais para não se levar a sério [Em tom determinado]. Estes equipamentos trabalham em freqüências diferentes.




“Não há nenhum motivo para manter os arquivos ufológicos em sigilo. Nenhum. A liberação não expõe o País a uma guerra, não vai provocar pânico na população, não coloca em risco a Segurança Nacional e nem atinge a privacidade de pessoas eventualmente citadas neles. Isso é o que temos que ter em mente. Se não vai afetar nenhuma destas questões, então revela!

UFO — Um dos caças que interceptaram os objetos chegou a ter vários deles ao seu redor, relativamente próximos...
Pereira — Aí você tem a somatória de fatos. Alguém viu uma coisa e o radar a detectou, e este aparelho não tem nada a ver com olhos, é eletrônico. Um terceiro par de olhos também viu aquela mesma coisa [Outro piloto], e por aí vai. Então você começa a dar alta credibilidade para a ocorrência e a situação começa a ficar substantiva. Sim, tudo bem, mas cadê o objeto? Ele foi capturado? Aí é que vem a questão da prova material, que não temos.

UFO — Dez dias depois deste caso, um cinegrafista da agência de publicidade Mikson, de São Paulo, filmando à noite de cima do prédio do Banespa, no centro de São Paulo, também registrou um UFO sobre a Serra da Cantareira. O senhor viu isso?
Pereira — Ah, é verdade. Eu me lembro de ter visto o filme.

UFO — Tantas evidências somadas não constituem uma prova material suficientemente forte?
Pereira — Sim, mas quero que você entenda bem a resposta que eu dei: eu digo que disco voador não existe quando você não tem a prova material dele naquele instante...

Pastas secretas

UFO — Certo. O que não temos é o objeto, mas sim os relatos de quem o viu. Brigadeiro, quando a Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU) esteve no Comdabra, em 20 de maio de 2005, fomos recebidos pelo brigadeiro Atheneu Azambuja, que nos mostrou três pastas de casos ufológicos arquivadas no órgão. Ao perguntarmos desde quando o Comdabra registrava UFOs, identificados como “tráfego hotel” pela Aeronáutica, ele nos respondeu que desde 1954. Estas pastas não contêm as provas de que nós estamos sendo visitados por objetos tripulados e controlados inteligentemente por seres não terrestres?
Pereira — Bem, estas pastas não estão apenas no Comdabra, mas estão espalhadas em quartéis do mundo todo. Elas provam que estão ocorrendo fenômenos inexplicados, que nos levam a deduzir serem a presença de seres ou objetos estranhos ao planeta Terra. Isso mesmo, não comuns ao nosso planeta. Agora, classificar o que são estes seres ou objetos estranhos é uma coisa muito temerária, pois não temos conhecimento para tanto [Cauteloso]. Novamente usando um exemplo, é como você ter uma doença que está matando pessoas e ir logo dizendo que é causada por um vírus ou uma bactéria, e resolver fazer uma vacina para aquilo. Isso é temerário! Assim, acho que a Ufologia terá muito mais trabalho pela frente [Para identificar o fenômeno], e precisará também agregar novas disciplinas a ela.

UFO — Na época da visita ao Comdabra, nos foi sugerido que buscássemos a liberação oficial daquelas pastas, e nós argumentamos que desejávamos, futuramente, realizar um estudo junto com a Aeronáutica, formando uma equipe de ufólogos civis e militares. O que o senhor acha disso?
Pereira — Sim, mas eu diria que precisa ter mais gente nesta equipe. Acho que, além de ufólogos civis e militares, tem que ter cientistas, astrônomos, físicos etc.

UFO — Certo. É que, quando falamos em ufólogos, queremos dizer que entre eles já há gente de várias áreas.
Pereira — Ótimo, então já tem essa comunidade formada. Ótimo! Porque este é um conhecimento que tem que agregar mais pessoas.

UFO — Como militar, ainda que na reserva, o senhor tem um posicionamento. Mas e pessoalmente, o senhor acredita em discos voadores, em vida em outros planetas e que estas formas de vida possam estar nos visitando?
Pereira — Hoje eu estou convencido de que não existe vida no Sistema Solar, só na Terra. A última esperança que eu tinha era essa lua de Saturno recém estudada, mas lá também não há nada. Então, se em nosso sistema não tem vida, talvez devamos pensar na questão ao contrário. Ou seja, nós, terráqueos, é que vamos ter que ocupá-lo. O Sistema Solar é nosso quintal e vamos ter que descobrir como poderemos viver na Lua, como poderemos viver em Saturno. Eu não tenho a menor idéia, mas há 200 anos ninguém acreditava que um dia o homem poderia voar. Então, acho que o Sistema Solar é só nosso e vamos ter que habitá-lo, que ocupá-lo todo. Fora dele, temos que examinar as possibilidades de uma zona habitável, como já falamos.

Pastas secretas

UFO —O senhor acompanha as descobertas astronômicas nesta área?
Pereira — Sim, e hoje, quando vejo a astronomia se dedicar à pesquisa das zonas habitáveis, fico muito feliz. Especialmente porque os astrônomos estão procurando nelas áreas em que haja, basicamente, estabilidade gravitacional, que é uma condição essencial para a vida. Em primeiro lugar, tem que haver esta estabilidade para que a vida prospere. Mas temos que levar em consideração outros aspectos. A vida, como nós a conhecemos, precisa de oxigênio, de uma cadeia de carbonos e de água para existir. Quando tratamos nestes termos, estamos falando de química, não de física. E se encontrarmos pela frente alguma forma de vida que não precise de oxigênio, nem de carbono e nem de água? Teremos então que partir para uma estimativa da situação através da física. Veja que até aqui na Terra temos microorganismos que não precisam de oxigênio, os chamados extremófilos. Como temos peixes que vivem nas profundezas dos oceanos e que não precisam de luz. Isso me leva a crer que podemos ter formas de vida com estruturas químicas completamente diferentes da nossa. Agora, com a física isso não ocorre, pois pressão, temperatura e estabilidade gravitacional têm que haver em um ambiente para que a vida possa nele prosperar, e estas variáveis independem do processo químico que irá gerá-la.

UFO — O senhor acha que os astrônomos estão perto de encontrar alguma forma de vida fora da Terra?
Pereira — Veja um planeta como Júpiter, por exemplo, que é muitas vezes maior do que a Terra e tem quatro vezes menos densidade. Como é que nós vamos admitir que um planeta como aquele possa abrigar um tipo de ser como o que conhecemos na Terra? E nos mundos onde a temperatura está estabilizada em torno de centenas de graus centígrados? É difícil imaginar, quimicamente falando, que possa haver alguma forma de vida nesses ambientes. Por isso que eu gosto de ver os astrônomos dizerem que estão procurando vida nas zonas habitáveis sob o ponto de vista puramente da física. Hoje até se determinou que são cerca de 300 os planetas possivelmente habitáveis fora do Sistema Solar. Devem ter estabilidade gravitacional, porque a gravidade não pode ficar mudando toda hora que um meteoro passa perto deles.

UFO — O senhor acredita que os planetas existentes nessas zonas habitáveis sejam semelhantes ao nosso ou diferentes?
Pereira — Acredito que alguns deles possam ser muito semelhantes à Terra, e aí terão condições de abrigar vida parecida com a nossa. Isto é, desde que lá existam condições habitáveis, estabilidade gravitacional, cadeias de água e carbono etc.

UFO — Para o senhor, é plausível que em tais planetas existam civilizações que poderiam estar nos visitando?
Pereira — Bem, meu pensamento quanto a isso é o seguinte: nós, humanos, saímos do chão pela primeira vez com um avião há cerca de 100 anos, e em apenas um século conseguimos chegar à Lua. Em termos astronômicos, pode-se dizer que 100 anos não são nada, nem poeira. Então, se em um século, com nossa limitada capacidade, conseguimos tudo isso... Agora pense: onde nós estaremos daqui a outros 100 ou 1.000 anos? Ninguém é capaz de imaginar...

UFO —Do jeito que a tecnologia está avançando continuamente, é possível que daqui a 20 ou 30 anos, tudo o que já temos conquistado até agora esteja ultrapassado e uma nova tecnologia tenha surgido...
Pereira — Perfeito. Veja, 500 anos atrás Cabral estava chegando numa praia da Bahia. E daqui a 500 anos, onde é que vamos estar? Quem se aventurar a dizer alguma coisa sobre isso estará fazendo uma futurologia irresponsável, porque realmente não sabemos o que vai acontecer. Então, se em uma zona habitável do universo, muito provavelmente dentro da Via Láctea, alguém estiver 500 anos à nossa frente, será algo espetacular. Embora 500 anos também não seja muita coisa, em termos de universo, pode ser um salto gigantesco. E olha que a Via Láctea, a nossa galáxia, não é das maiores que há...

UFO — Basta pensarmos um pouco, pois o bom senso nos diz que tem que haver vida inteligente no universo, embora ela ainda não esteja provada cientificamente.
Pereira — Claro. Mas se analisarmos as condições da vida na Terra, veremos que temos aqui condições muito particulares, que talvez dificilmente seriam encontradas juntas noutros planetas. Por exemplo, a Terra está na distância exata do Sol para a proliferação da vida. Parece até que foi colocada nesta posição “com a mão”. A temperatura de nosso planeta é ideal e nossa água está em estado líquido. Daí, “foi colocada” uma Lua para girar ao nosso redor, que regula exatamente a quantidade e o fluxo de água na Terra, mantendo as marés funcionando direitinho. E por aí vai. Alguém aí também “colocou” Júpiter no sistema, um gigantesco planeta funcionando como pára-choques, impedindo que qualquer coisa atinja a Terra, batendo nele antes.

Ufologia e filosofia

UFO —Parece que esta ordem cósmica é mais do que uma mera coincidência.
Pereira — Se examinarmos as condições que temos na Terra e no Sistema Solar, veremos que isso tudo é muito especial. Mas pensar que no universo não deve existir nada parecido é sinônimo de covardia. Por isso que eu tinha muita esperança nos estudos que seriam feitos com o satélite de Saturno recém detectado, que poderia ter alguma coisa a mais. Mas quando se chegou lá, nada havia de especial. No entanto, o que dizem os astrônomos sobre vida fora da Terra? Eles já localizaram zonas habitáveis muito propensas a tê-la e estão extremamente convencidos de que existe. Talvez até em circunstâncias muito parecidas com as nossa, inclusive com água líquida, que já sabemos existir noutros pontos do universo. Daí é um passo, mas também é ai que está o problema. Foi Deus quem criou o planeta ou foi um acidente, uma obra da natureza cósmica? Isso já é filosofia.

UFO — Brigadeiro, sabemos que a Aeronáutica Brasileira pesquisa ou pesquisou oficialmente disco voadores desde 1969...
Pereira — Sim, pesquisou...

UFO — Certo, obrigado. A data se refere ao ano em que o brigadeiro José Vaz da Silva estabeleceu no 4o Comando Aéreo Regional (IV COMAR) o Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados (SIOANI). Era um órgão oficial que chegou a emitir dois boletins, um em março e outro em agosto de 1969, e depois parou.
Pereira — Eu me lembro...

UFO — Mas por que a pesquisa oficial de discos voadores feita pelo IV COMAR não foi para frente e aparentemente foi encerrada naquele mesmo ano?
Pereira — Olha, esta é uma questão interessantíssima. Eu não estava por perto naquela época e não pesquisei estes fatos. Não me ocorreu de examinar por que aquele trabalho foi paralisado, mas presumo que o brigadeiro Vaz da Silva não tenha tido mais condições de continuá-lo. A história dele é diferente [Das de muitos militares]. Ele era um homem que estava sempre na vanguarda, estava sempre à frente do seu tempo.

UFO — O brigadeiro Vaz da Silva ainda é vivo? O senhor o conheceu?
Pereira — Não, já faleceu. Eu não o conheci pessoalmente, mas sei que foi um homem muito dinâmico. Só que pessoas que estão à frente de seu tempo costumam, de alguma forma, se prender a este tempo, ter sua vida paralisada por este tempo. E eu acho que até como uma forma de manter a estabilidade. Mas, por outro lado, esse dinamismo também provoca um choque [Com a realidade]. Tenho a impressão de que foi por isso que essa coisa parou e o SIOANI foi encerrado.

UFO — O senhor acha que pode ter havido uma interferência superior para que houvesse o estabelecimento do SIOANI, ou esta foi uma iniciativa somente do brigadeiro Vaz da Silva?
Pereira — Eu tenho quase certeza que sim, que houve uma determinação superior. E certamente o Estado-Maior do brigadeiro Vaz da Silva trabalhou com ele, apoiando o projeto, assessorando e montando o SIOANI. Um comandante sozinho não faz nada, ele tem que ter um Estado-Maior por trás de suas ações.

UFO — Os dois boletins do SIOANI, que acabaram vazando, traziam descrições de casos pesquisados pelo órgão, inclusive de UFOs pousados e com tripulantes do lado de fora. São casos seríssimos investigados por militares e mantidos ocultos. Este é o tipo de documentos que os ufólogos querem que sejam liberados. O senhor acha que eles podem ser revelados ao público?
Pereira — Em minha opinião, não há nenhum motivo para manter esse material em sigilo. Nenhum. Eu vejo que sua liberação não afeta nenhum dos quatro critérios clássicos que os militares sempre têm em mente quando se trata de segredos nacionais. E eles são representados pelos seguintes questionamentos: primeiro, a liberação deste material vai expor o País a uma guerra? Segundo, vai provocar pânico na população? Terceiro, vai colocar em risco a Segurança Nacional, seja com relação a algum país da América do Sul ou outros? E quarto, a liberação deste material vai atingir a privacidade de pessoas eventualmente citadas nele? Isso é o que temos que ter em mente. Se não vai afetar nenhuma destas questões, e o material do SIOANI não vai mesmo, então revela!

UFO — Quer dizer que o senhor é a favor de revelar documentos ufológicos gerados pelos militares e mantidos em sigilo até hoje?
Pereira — Totalmente. A menos que tal liberação afete algum dos quatro itens que acabei de citar. Neste caso, acho que o material não deve ser revelado. Temos que respeitar a privacidade das pessoas e a Segurança Nacional, e precisamos preservar a paz e a ordem. Também não podemos provocar guerra e mal-estar com outros países. Enfim, não vamos revelar os nossos planos para os inimigos. Fora isso, está na hora de fazer a transparência e botar isso a limpo.

Abertura irrestrita

UFO —O senhor acha que isso se aplica também aos documentos da Operação Prato, realizada pela Aeronáutica no Pará, em 1977?
Pereira — Claro! Sem dúvida alguma! Isso se aplica a toda e qualquer operação!

UFO — O senhor tomou conhecimento específico daquela operação, na época?
Pereira — No momento em que ela foi realizada, não. Apenas depois eu soube dos resultados. Mas eu conheci o Hollanda [Coronel Uyrangê Hollanda, comandante daquela missão militar]. Não vou dizer que ele era um amigo íntimo, porque não servimos juntos, mas o Hollanda era aquele sujeito bonachão, amigão, e a gente estava sempre se encontrando em algum lugar. Ele trabalhou na área de Inteligência da Aeronáutica, como eu, e então nós vivíamos nos cruzando por aí. Agora, tem uma coisa que eu preciso falar para vocês a respeito do Hollanda. Primeiro, deixem-me dizer que eu gostava muito dele, mas ele era um homem muito conturbado, muito sofrido. Eu não sei dizer exatamente qual era a origem de sua tristeza, mas ele era aquele tipo de pessoa que... [Vive triste]. O Hollanda interiorizava demais as coisas e acabou chegando ao suicídio. Acho que foi porque interiorizou seus problemas a tal ponto que não agüentou mais e “fechou a caixa”.

UFO — E antes dele conseguir finalmente, tinha tentado suicídio outras três vezes.
Pereira — Sim, exatamente.

UFO — Eu entrevistei o Hollanda em 1997, junto do meu co-editor Marco Antonio Petit. Eu tinha acabado de dar uma entrevista ao Fantástico, falando sobre documentos da Força Aérea Brasileira, e ele assistiu e me ligou no dia seguinte, dizendo: “Olha Gevaerd, eu acompanho o seu trabalho e sei que você está fazendo a coisa certa. Quero dizer que estou na reserva agora, e não tenho mais compromisso com a farda. Então, se você quiser vir ao Rio me entrevistar, terei muita coisa para falar”. Eu fui imediatamente ao Rio, encontrei o Petit e fizemos juntos uma entrevista histórica com ele. O senhor já leu esta entrevista?
Pereira — Sim, claro. Eu tenho uma cópia dela e também já a encontrei em muitos sites. É uma entrevista longa, que eu li com atenção. Outro dia, um colega da minha turma me passou uma cópia dela e eu disse a ele: “Cara, você acha que eu não tenho isso? Tenho uma cópia aqui há muito tempo?”

UFO — É mesmo? Que bom! Então, presumo que militares graduados, como o senhor, possam ter tomado conhecimento das declarações do Hollanda.
Pereira — Sim, certamente. É uma entrevista longa e muito conhecida. Agora, o Hollanda era um homem realmente conturbado. Ele teve problemas no primeiro casamento, problemas psicológicos sérios. Hoje talvez ele fosse definido por um psiquiatra como tendo um comportamento bipolar, que antigamente se chamava condição psicótica maníaco-depressiva. Mas eu digo que não era isso. Um cara que sofre de comportamento bipolar alterna momentos de euforia e de depressão, e o Hollanda não tinha isso. Ele tinha, isso sim, uma personalidade constantemente introspectiva.

UFO — O senhor acha que esses problemas influenciaram de alguma forma as declarações que o coronel Uyrangê Hollanda nos deu sobre a Operação Prato? Que modificaram alguma coisa que ele relatou à Revista UFO?
Pereira — No conteúdo não, mas na forma, talvez. O Hollanda era um homem sério e não seria capaz de alterar um conteúdo, ainda mais daquela importância.

UFO — Ele tinha uma memória aguçadíssima e chegou até a descrever minuciosos
detalhes da Operação Prato e de sua vida militar...
Pereira — Acredito. Como todas as pessoas sofridas, que também têm memória aguçada. Já notou isso? Por que as pessoas são sofridas? Justamente porque têm memória aguçada. Elas se lembram! Se ele fosse meio baiano, assim como eu, era só pensar “eu quero esquecer esse negócio”, e bastaria para ser mais feliz. Mas ele não, ele lembrava mais da metade da sua infância.

UFO — O senhor tem razão. Quando eu e o Petit o entrevistamos, a primeira coisa que notamos foi que o Hollanda era um homem sem amigos, e isso nos aproximou bastante. Passamos a ser amigos e a apresentá-lo a todas as pessoas de nossa comunidade, tanto que ele passou a freqüentar a Ufologia Brasileira e até a fazer palestras em congressos. Mas, infelizmente, entre a entrevista que fizemos e sua publicação na UFO, ele acabou se suicidando...
Pereira — A tristeza que ele sentia era uma coisa muito comum na Aeronáutica, naquela época. Eu acho que tem a ver com o fato de que ele tentou ser aviador, mas não foi. Isso ocorria a muita gente, que entrava para a instituição querendo voar, mas acabava na intendência [Serviços internos, burocráticos]. Há milhares de casos assim, mas hoje isso mudou. Antigamente, o cadete entrava para ser aviador e era aproveitado na intendência, e isso acabou criando uma geração de pessoas frustradas, que carregariam a frustração por toda a vida.

UFO — Como isso mudou?
Pereira — O que se faz hoje é diferente. O jovem que quer ingressar na Aeronáutica já define para que setor quer ir. Uns querem ser tenentes, e não aviadores. Outros querem ser administradores. Eles fazem cursos e já são direcionados para as áreas de suas preferências, e então tentam atingir seus objetivos. Assim, não fica mais aquela coisa ruim para a pessoa que não deu certo numa coisa e tem que ir para outra. Como ocorreu ao Hollanda, que tinha uma frustração profunda por não ter sido aviador. E ele nunca se conformou com isso, porque o trabalho de um oficial intendente na Aeronáutica, ou em qualquer das Forças Armadas, é massacrante. Especialmente se você não gosta dele. Pô, o cara queria ser aviador, ser piloto de caça, estar no céu enfim, mas, ao invés, ele se vê trancado num escritório cuidando da administração, que é pesada. Quem gosta disso?




“Li com atenção a entrevista que a Revista UFO fez com o [Coronel Uyrangê] Hollanda (...) Outro dia, um colega da minha turma me passou uma cópia dela e eu disse a ele: ‘Cara, você acha que eu não tenho isso? Tenho uma cópia aqui há muito tempo?’ (...) O que o Hollanda relatou é verdade (...) Ele era um homem sério e não seria capaz de alterar um conteúdo, ainda mais daquela importância”
Forte impacto emocional

UFO — O senhor não acha que um dos pontos mais altos da carreira do coronel Uyrangê Hollanda se deu justamente durante a Operação Prato?
Pereira — Sim, mas o que aconteceu com ele? Ele “fugiu” da intendência, onde o colocaram. Pois ele nunca foi realmente um oficial intendente. Porque na época, e ainda hoje, o sistema de inteligência precisava de pessoas, independente do que elas fossem: aviadores, intendentes, padres etc. Estas pessoas eram recrutadas para trabalhar na inteligência daqueles anos. Hoje a inteligência é uma profissão, mas naquela época não. Você “pescava” a pessoa para se dedicar àquilo, dava um curso e elas iam trabalhar em inteligência. E o Hollanda se agarrou naquele trabalho da inteligência e foi em frente.

UFO — Dizem que, quando foi chamado para ser comandante da Operação Prato, o Hollanda adorou, pois era tudo o que queria: ir para a selva. Ele assumiu a missão militar e teve contato direto com um ET, que nos revelou na entrevista. O senhor sabia disso?
Pereira — Soube, ele relatou isso. Mas eu não cheguei a discutir este assunto com ele. O Hollanda também me ligou logo em seguida, mas eu estava em outra operação.

UFO — Ele descreveu que estava com um comandado no Rio Guajará-Mirim, já voltando para o acampamento, quando uma nave cilíndrica, com 100 m de comprimento, praticamente pousou em pé na outra margem. Do alto dela, uma porta se abriu e por ela um ET saiu e desceu flutuando até onde eles estavam. Este, segundo o próprio Hollanda, foi o momento mais excitante da Operação Prato. O senhor discutiu esse assunto com ele
Pereira — Não, infelizmente não tive detalhes antes. Mas talvez seja por isso que ele tenha se jogado de corpo e alma naquilo. A Operação Prato foi onde ele se encontrou. Se como aviador não deu certo, e ele rejeitava a idéia de ser oficial intendente, então a inteligência caiu bem para ele. Para mim, trabalhar na inteligência é uma coisa agradável, pelo menos em termos. Naquela época era coisa ferrada. Eu trabalhei muito em inteligência militar pura, com estratégia. Mas nunca me preocupei muito, por exemplo, com comunistas [A primeira explicação oficial para a Operação Prato foi de que se tratava de uma missão para identificar comunistas supostamente infiltrados na Selva Amazônica]. Minha preocupação era com a Argentina.

UFO — O Hollanda suspeitava que foi justamente o contato com o tal ET às margens do Rio Guajará-Mirim, que ocorreu em meados de dezembro de 1977, o fator determinante para o encerramento da Operação Prato. Ele disse que, ao reportar o fato ao seu superior, o brigadeiro Protásio Lopes de Oliveira, então comandante do 1o Comando Aéreo Regional (I COMAR), foi ordenado a encerrar a missão. O senhor sabia disso?
Pereira — Em parte. Eu não tinha este detalhe.

UFO — Muita gente ainda acredita que ele não se suicidou, mas que teria sido assassinado por supostamente falar demais. Isso não é verdade. No entanto, se a edição em que a primeira parte da entrevista com ele foi publicada – UFO 054, de outubro de 1997 – tivesse saído antes, e ele tivesse visto a homenagem que a Equipe UFO lhe prestou, sentindo-se prestigiado e vendo a enorme contribuição que prestou à Ufologia Brasileira, talvez ele não tivesse tirado a própria vida...
Pereira — É, pode ser. Ele tinha uma vida solitária, e isso é algo mundo triste. Por isso, no mundo militar, o setor que mais une as pessoas é a inteligência. Quem viveu isso sofre ao se afastar deste meio. É aquele negócio: numa guerra, no meio do tiroteio, ninguém está pensando na Pátria. O cara está pensando na pele dele e na de quem está ao seu lado, que é o único que pode socorrê-lo naquela hora. Então, esse conceito de heroísmo é uma grande besteira. E a pessoa que trabalha na inteligência pode não ter essa grandiosidade toda, mas ele faz amigos e depende deles. E o Hollanda, quando entrou para a reserva, estava completamente isolado de tudo e de todos. Isso realmente afeta a pessoa.

UFO — O Hollanda teve certa intimidade com o Fenômeno UFO, especialmente do meio para o fim da Operação Prato, até que aconteceu o contato com o ET e a missão foi encerrada. Mas isso não o fez acabar com as investigações, que ele continuou conduzindo por conta própria e nas horas vagas. Ele continuou, inclusive, tendo novos contatos, até que um dia, sem explicação, os fenômenos em torno dele pararam. Isso parece tê-lo afetado bastante. O senhor sabia disso?
Pereira — Não, não sabia. Mas, certa vez, conversando com uma psicóloga sobre o Hollanda, expliquei a situação para ver o que ela diria. Ela não o conhecia, mas afirmou que ele apresentava o perfil de um homem que, não sendo bipolar, deveria ter vivido alguma coisa muito grave em algum momento de sua vida. Tão grave que o isolou, digamos assim, de seus semelhantes [Lamentando]. Eu acho que foi o problema com o curso de aviador, que já vi acontecer antes na Aeronáutica.

Elemento catalisador

UFO — O senhor também acha que a experiência que ele teve na Operação Prato poderia ter sido um elemento colaborador para seu estado?
Pereira — Sim, sem dúvidas, foi um elemento catalisador, uma experiência muito forte.

UFO — Circularam no meio militar, naquela época, os resultados que a Operação Prato vinha atingindo?
Pereira — Sim. Não com grande ênfase, mas todo mundo ficou sabendo o que estava acontecendo.

UFO — E sobre o contato que o Hollanda teve com o ser extraterrestre, em dezembro de 1977, isso também chegou ao conhecimento do meio militar?
Pereira — Apenas pouca gente ficou sabendo. Eu mesmo soube muito tempo depois, não no momento em que ocorreu. Quem comentou o fato comigo foi o brigadeiro Protásio. Na época em que ocorreu eu já era mais antigo na Aeronáutica do que o Hollanda, e só fui saber deste episódio específico, o tal contato, quando já ia ser brigadeiro. Mas, da Operação Prato eu tomei conhecimento logo quando fui trabalhar na inteligência, quando ainda era coronel. Eu fui diretor de planejamento da Força Aérea, e todos os arquivos estavam à minha disposição.

UFO — O senhor teve acesso a todos os documentos produzidos na Operação Prato?
Pereira — Sim, a todos. Mas isso quando fui diretor de planejamento da Força Aérea, nos primeiros anos da década de 90.

UFO — E onde estavam os arquivos? Em Brasília?
Pereira — Sim, em Brasília. Esses arquivos foram todos recolhidos, e parte deles foi distribuída para o antigo SNI [Serviço Nacional de Informações, órgão precursor da atual Agência Brasileira de Inteligência (ABIN)]. Mas apenas parte. Eu só fui ter contato novamente com eles muitos anos de pois, já exercendo outra função na Aeronáutica. Estes arquivos secretos me perseguem [Rindo]. Não apenas estes da Operação Prato, mas todos os arquivos secretos me perseguem...

UFO — Então o senhor chegou a ter os arquivos da operação à sua disposição. A informação que nós tínhamos, que foi passada pelo Hollanda, mas que nunca conseguimos confirmar satisfatoriamente, é de que ele e seus comandados produziram pelo menos 2.000 páginas de relatórios de avistamentos, que eram datilografadas pelo sargento Flávio Costa, uma espécie de secretário da missão, além de cerca de 500 fotografias e 16 horas de filmes em super 8 mm e super 16 mm. O senhor confirma?
Pereira — Ah, sim, deve ser isso mesmo. Esses filmes, na época, era o que havia de melhor.

Imagens reveladoras

UFO — Quando a Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU) esteve no Comdabra, pudemos ver uma parte dessas páginas e fotos, pouco mais de uma centena de cada, alojadas em uma pasta. Onde está o resto deste material
Pereira — Veja bem, o Comdabra é o Comando Brasileiro de Defesa Aérea, que lida com a questão aérea. Aqueles arquivos, num determinado momento, foram distribuídos aos órgãos de acordo com seus interesses [Áreas de atuação]. Aqueles que foram para o Comdabra são os que dizem respeito imediatamente ao Sistema de Defesa Aérea, a visualização de objetos por radar, a caças perseguindo coisas etc. Outros tipos de operação, que não tinham nada a ver com a Defesa Aérea do País, continuam ainda no antigo SNI, a atual ABIN. Mas ela, na verdade, não chegou a se envolver. Hoje a ABIN é uma coisa muito mais ampla do que o então SNI.

UFO — Naquela ocasião e nos anos seguintes, alguns militares e civis selecionados, como um piloto da antiga Vasp que foi perseguido por um UFO em 1982, eram levados para uma sala do I COMAR, em Belém (PA), e recebiam como uma espécie de prêmio de consolação a oportunidade de assistir aos filmes feitos na Operação Prato. Por exemplo, o comandante Gerson Maciel de Britto foi levado pelo Hollanda para vê-los. Dizem que são imagens espantosas de naves enormes sobre o Rio Amazonas. O senhor chegou a assisti-los?
Pereira — Não, não cheguei a ver este material. Mas eu sei q