Arte Real

Arte Real

sábado, 12 de junho de 2010

Vale de josafá

Capítulo 03.01-21
O que nos fica entendido, quando analisamos o capítulo 3 do livro do profeta Joel, é que ele procurou desenvolver detalhadamente o que estava sendo profetizado em Jl 2.30,31. Enquanto nestes dois versículos eram pressagiados o juízo que havia de vir no Dia do Senhor, o capítuloo 3 parece nos mostrar a extensão de tal juízo com a promessa de uma restauração plena a Israel, como nunca antes.
O primeiro versículo parece a introdução da sequencia de uma obra de grande importância: Eis que, naqueles dias e naquele tempo, em que mudarei a sorte de Judá e de Jerusalém (Jl 3.1). É interessante que Deus sempre trouxe juízo aos seus vizinhos quando Israel se arrependia. Até porque as assolações que Israel enfrentava com as nações vizinhas na maioria das vezes era resultado de sua apostasia, e, quando convertia-se novamente ao Senhor, Ele derramava juízo contra as nações que afligiam seu povo. Vemos que o primeiro versículo deixa um panorama de conversão nacional, e, sua consequencia, descrita no versículo 2, seria um juízo generalizado contra todas as nações. Vemos que Deus estipulou um tempo:naqueles dias e naquele tempo. Qual? Com certeza é o mencionado em Jl 2.28,29. Um período futuro onde o povo de Deus experimentaria a efusão do Espírito. Uma das consequencias do derramamento do Espírito seria a restauração da sorte de Judá (Jl 3.1) ,a destruição dos seus inimigos (Jl 3.2), A razão do julgamento é descrito no vv. e, onde lemos que o tratamento que tais nações fizeram contra o povo de Deus foi extremamente rude: lançaram sortes sobre o meu povo, e deram meninos por meretrizes, e venderam meninas por vinho, que beberam. Uma das coisas que mais incomoda a Deus é a desumanidade: vemos claramente o comércio de humanos sendo citados, e, tomando por base o que lemos na ARA, até mesmo utilizar os filhos de Judá em prostituição ocorreu. Nada seria mais necessário para que o Deus julgasse tais nações.
O profeta foca suas atenções em três nações: Tiro, Sidom e todas as regiões da Filístia (Jl 3.4), que possuíam um forte comércio escravagista. A conduta dessas cidades da Filístia (provavelmente Gaza, Asdode, Ascalom, Gate e Ecrom) é tão imprópria que Deus pergunta se por um acaso "quereis vingança contra mim?" A soberania de Deus é tão exaltada que Ele procura lhes dizer que se é isso que querem, ele próprio faria com que sua vingança se voltasse contra as cabeças deles. No versículo 5, Joel desenvolve algo acerca dos crimes destas cidades: Visto que levastes a minha prata e o meu ouro, e as minhas jóias preciosas metestes nos vossos templos, e vendestes os filhos de Judá e os filhos de Jerusalém aos filhos dos gregos, para os apartar para longe dos seus limites. Na primeira citação, o saque dos tesouros do templo, com certeza deixados pelas ofertas dos filhos de Judá, o saque das jóias preciosas para serem ofertadas a divindades das nações (nos seus templos), e a venda de escravos judeus aos filhos dos gregos (Jl 3.5,6). Uma vez identificados os pecados, Javé apresenta a punição: Eis que Eu os suscitarei do lugar para onde os vendestes e farei cair a vossa vingança sobre a vossa própria cabeça. Venderei os vossos filhos e as vossas filhas aos filhos de Judá, e estes, aos sabeus, a uma nação remota, porque o Senhor o disse. Vemos que a sentença contra tais nações envolve a mesma atitude que elas haviam feito contra Judá (Jl 3.7,8).
A partir do versículo 9, inicia-se uma das etapas finais do livro. Aqui, Deus convoca que seus mensageiros proclamem entre as nações que o juízo profetizado seja realizado, através de uma guerra santa, onde os valentes deveriam ser suscitados, e subir em guerra. Esta mobilização atingiria grande número de pessoas (seria apregoado entre as nações, subiriam todos os homens de guerra, armados com ferramentas de ferro Jl 3.9,10). Esta convocação deveria ser urgente, ao vale de Josafá citado em Jl 3.2, e a expressão "ó Senhor, faze descer os teus valentes", parece-nos como um aviso dos mensageiros que as nações já estavam se mobilizando para o encontro, onde o Senhor se assentaria para julgar. Se Deus foi poderoso para convocar um exército de gafanhotos, não seria também de suscitar valentes que enfrentassem as nações inimigas (Jl 3.11,12)?
No versículo 13, Deus muda sua atitude, de Juíz para Lavrador, ordenando aos seus servos que lancem a foice, porque está madura a seara, vinde, pisai, porque o lagar está cheio, os seus compartimentos transbordam, porque a sua malícia é grande. Aqui, Javé ordena aos seus que venham a infringir o juízo citado em Jl 3.9 pois a malícia de tais nações já passou do que é tolerado por Deus. O profeta então observa a estarradora situação e clama: Multidões, multidões, no vale da decisão. A menção do Dia do Senhor faz vir novamene a tona o juízo que Deis infringirá nas nações, conforme anteriormente mencionado, e estas afirmações vão sendo novamente mencionadas em Jl 3.15 (sol e lua escurecerá, Jl 3.31, as estrelas retiram o seu esplendor. Apesar de todos estes prodígios que ocorrem, é interessante que tanto a atenção do profeta quanto do próprio Deus estão no juízo, não em suas consequencias. A menção do Senhor "bramando", ruído produzido pelo leão, um animal feroz e violento, nos dá uma impressão de abalo poderosa: a mesma voz que criou os céus e a terra sendo pronunciada com violência contra os inimigos do Senhor, fazendo a terra tremer (Jl 3.17), porém, as consequencias serão sentidas apenas pelos inimigos, pois o Senhor será o refúgio do seu povo e a fortaleza dos filhos de Israel.Aleluia!
Os versículos 18 a 21 são um cântico de restauração onde vemos o Senhor sarar toda a devastação causada pelo exército de gafanhotos, citando as mais diversas figuras representando a prosperidade e as bençãos de Deus fluindo no meio do seu povo (mosto, leite, águas). Esta predissão nos faz até mesmo sonhar com as descrições da Santa Cidade que será morada dos redimidos, de onde saíra uma fonte da Casa do Senhor (Jl 3.18; Ap 22.1,2). A extensão do juízo contra as nações atinge agora os antigos inimigos do povo de Israel,Egito e Edom (Jl 3.19), cujo crime é citado: o derramamento de sangue inocente (bem se conhece o que fez o Egito com o povo de Deus nos tempos de faraó). Após isso é mencionada uma promessa de perpetuosidade, onde Judá seria habitada para sempre e Jerusalém de geração a geração, o que demonstra o poder do Senhor Deus em preservar e prover a salvação e a benção para o seu povo, e o versículo 19 deve ser lido como um questionamento, onde nos originais uma melhor tradução seria: Deixaria eu impune o vosso sangue? Não, pois o Senhor habitará em Sião! É a revelação maior do Deus que vela pelos seus!
omentários e Contexto
(1) Jl 3.2, Apesar de conter a expressão "todas as nações", parece-nos que a intenção do profeta não era uma abrangência tão grande. São listadas estas nações pormenorizadamente em 3.19 e 3.4: Tiro, Sidom, Filístia, Egito e Edom. Estas nações são as vizinhas de Judá, as quais ao longo da história atormentaram o povo de Deus.
(2) Jl 3.2, Vale de Josafá, apesar de parecer ser uma alusão ao rei Josafá, é mais provável que para entendermos a intenção do profeta tenhamos que pegar a etimologia desta palavra, que significa "Javé tem julgado". Esta interpretação é reforçada pelo fato de em Jl 3.14 o termo ser trocado por Vale da Decisão, o que nos indica que a intenção certamente foi a de indicar o juízo de Deus no contexto em questão.
(3) Jl 3.8, sabeus, a referência aos sabeus identifica a gravidade que isso seria aos habitantes destas nações: Sendo Sabá uma região remota ao sul da Arábia, desértica, seria imprópria para escravos que viviam no litoral.
(4) Jl 3.14, Multidões, multidões, a repetição desta expressão parece indicar (1) um ajuntamento tão grande de pessoas, a ponto de causar espantos, (2) a expressãohamonim no original também transmite a idéia de tumulto e confusão.
(5) Jl 3.14, Vale da Decisão, a expressão é usada exatamente com a mesma finalidade de Vale de Josafá, isto é, indicar o lugar onde Deus infrigiria o juízo. A diferença aqui notada é que decisão tem dupla implicação: (1) As nações decidiram-se contra o Senhor e, (2) o Senhor decidiu julgá-las.

Nenhum comentário: