Educação sexual funciona?
O acesso à informação aumentou, mas a gravidez precoce ainda é comum. Fomos investigar as razões e o que se pode fazer para que as estatísticas não aumentem
Se a adolescência em si carrega transformações que inspiram livros e filmes, imagine, então, quando surge uma gestação inesperada. Essa enxurrada de dilemas e conflitos acaba de desaguar no cinema, com a comédia americana Juno. Quem protagoniza a história é uma garota de 16 anos que, justo em sua primeira vez, engravida do melhor amigo. No filme, que concorreu a quatro estatuetas do Oscar 2008 e faturou a de melhor roteiro original , o tema é apresentado com doses de ironia, o que não deprecia a reflexão. A ficção não está nem um pouco desgrudada da realidade, que, aliás, é universal.
A gravidez na adolescência aumenta tanto nos países desenvolvidos quanto naqueles em desenvolvimento, afirma a ginecologista Albertina Duarte Takiuti, que coordena o Programa de Saúde do Adolescente da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.
Um filho no meio do caminho solapa os anos dourados e pode ser um trauma de difícil superação. Para evitar uma gestação precoce e até mesmo doenças sexualmente transmissíveis, é preciso uma ação conjunta de pais, médicos,professores e, claro, dos maiores interessados a moçada. Mas, segundo os especialistas, a educação sexual ainda deixa a desejar. Só no primeiro semestre de 2007, o SUS, Sistema Único de Saúde, realizou mais de 300 mil partos em brasileiras com menos de 19 anos idade que, do ponto de vista médico, seria a reta final da adolescência.
O número não inclui os nascimentos em hospitais particulares. Só que, embora não contem com o respaldo de dados oficiais, há médicos arriscando dizer que a gravidez precoce avança com maior rapidez na classe média. E, quando se mira a faixa etária, ela cresce especialmente entre as menores de 14 anos. Por razões óbvias, também não existem estatísticas precisas sobre abortos em adolescentes, mais ou menos favorecidas.
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