Arte Real

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sábado, 30 de janeiro de 2010

Puberdade antecipada é comum

Corpinho de 15 e cabeça de 8
Muitas meninas já vivem na pele o impacto das transformações típicas dessa fase. O motivo é um descompasso entre o relógio biológico e o mental, que atropela a infância


A infância deveria estar em sua plenitude, mas a menina ganha altura a cada dia, os mamilos já despontam, os pêlos crescem e aquele odor inconveniente exalado das axilas é sentido a distância. O tempo parece ter voado, escorrido pelos dedos. Os médicos chamam esse quadro que pode surgir aos 8 anos de idade ou até antes disso de puberdade antecipada. A percepção geral nos consultórios é de que ela está se tornando mais comum, embora não existam estatísticas a respeito.

Talvez um dos motivos seja o seguinte: nos dias de hoje bastaria um escorregão biológico, por assim dizer, para uma garotinha virar adolescente antes do previsto. Afinal, as meninas já estão menstruando mais novas do que a mãe e as avós. Isso é um fenômeno natural. "Nós o chamamos de aceleração secular do crescimento", diz a pediatra Maria Ignez Saito, chefe da Unidade do Adolescente do Hospital das Clínicas de São Paulo. De século em século a primeira menstruação chega mais cedo e o crescimento é mais rápido.

Nos idos de 1900 as mulheres passavam a menstruar, em média, aos 17 anos. Um século depois a idade média da menarca a primeira menstruação caiu para os 12. Atualmente considera-se normal que as transformações fisiológicas da puberdade sejam disparadas entre os 8 e os 13 anos nas meninas. Se as mudanças surgem antes disso, é para prestar atenção. Pode ser a tal puberdade antecipada. Ou, então, algo que mereça o rótulo clínico de puberdade precoce quando esses sinais aparecem em quem mal completou, se é que completou, 6 anos de idade.

O problema em questão tem a ver com o funcionamento antecipado da hipófise e do par de glândulas supra-renais, responsáveis por secretar os hormônios do desenvolvimento sexual. Além de encurtar a infância, a puberdade precoce pode levar à baixa estatura o esqueleto logo esgota sua capacidade de se desenvolver. Claro, a pequena precisará ser tratada por um pediatra ou até mesmo por um hebiatra, que é o médico especializa do em adolescência. "Ele irá analisar vários exames para tentar bloquear o problema", conta a endocrinologista Angela Spinola e Castro, professora do departamento de pediatria da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp.





Os médicos apelam para substâncias que impedem o avanço da maturação sexual. Entre elas o hormônio GNRH. "Ele faz a idade óssea, aos poucos, ficar proporcional à cronológica", resume a endocrinologista Ieda Verreschi, coordenadora do Ambulatório de Gônadas e Desenvolvimento, também da Unifesp. Nas meninas a puberdade antecipada aquela que dá as caras antes dos 8, mas não muito antes disso deixa mais seqüelas na cabeça do que no corpo.

"A transformação física acontece, mas a emocional não", lembra a psicóloga Célia Horta, de São Paulo. Para piorar, a garota se sente desloca da no seu grupo de amigas e, às vezes, os próprios pais não sabem como agir. Ou seja, em casos assim os adultos também precisam de orientação. Entre outros motivos porque será praticamen te impossível evitar a exposição da criança e eles poderão ajudá-la a lidar com as informações que recebe dos colegas.

A antecipação da puberdade é mais freqüente nos países desenvolvidos e há hipóteses para isso. Nesses lugares a adolescência já chega naturalmente mais cedo por causa da alimentação. "O corpo precisa de muita proteína para entrar na puberdade", explica o hebiatra Maurício de Souza Lima, da unidade de adolescentes do Hospital das Clínicas de São Paulo. Para acelerar ainda mais o tempo pesam ou tros fatores ambientais. Um trabalho da Escola de Medicina da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, apontou que um simples cosmético poderia provocar um curto-circuito hormonal. Prova disso, segundo os pesquisadores, seria o caso de uma menina e seu irmão que exibiam pêlos pubianos em plena infância.

Tudo por culpa, garantiram os cientistas, de um creme para pele com alta concentração de testosterona, o hormônio masculino, utilizado pelo pai. O simples roçar no rosto paterno teria sido suficiente para que absorves sem a substância, responsável pela pelagem."A ingestão excessiva dos fitoestrógenos da soja e seus derivados também poderia ter esse efeito", teoriza Angela Spinola e Castro. Os temidos hormônios nos alimentos engrossariam o rol. Em 1979 ocorreu um fenômeno na Itália: os seios de centenas de meninas começaram a se desenvolver por causa da ingestão de carne bovina repleta de estrógeno, hormônio feminino que tinha sido usado na criação do gado. Outra acusada é a obesidade. "Ela faz a idade óssea avançar", salienta a endocrinologista.

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